Como compreender a Contrafacção?

O Instituto de Estudos de Mercado franco-americano IFOP realizou um inquérito sobre o comportamento dos consumidores relativamente à contrafacção, a pedido da União de Fabricantes (associação francesa de luta anti-contrafacção), denominado «Os franceses, a contrafacção e a pirataria». O primeiro ponto a destacar é que o têxtil, ou mais concretamente o vestuário, é o primeiro tipo de produtos que vem à cabeça dos franceses quando se lhes refere o fenómeno da contrafacção, com 62% dos inquiridos, seguidos dos relógios e jóias, com 58%, a marroquinaria com 47%,  e os perfumes com 41 por cento. Só muito depois surgem os artigos que muitas vezes mais caracterizam as apreensões de artigos contrafeitos, como os Cd’s e os Dvd’s, com 12% ou outros produtos informáticos, com 30% dos entrevistados.

Questionados sobre «dentro de um determinado cabaz de produtos – que vai desde vestuário aos jogos de vídeo e ao tabaco –, se já comprou algum artigo produzido em contrafacção?», 18% declaram que já compraram vestuário contrafeito, 13% dizem nunca o ter feito, e acrescentam a intenção de jamais o fazer no futuro, enquanto 63% explicam que «comprariam se tivessem oportunidade». Permite assim constatar que há uma forte correlação entre a tentação do consumidor a comprar contrafacção e a sua difusão, sendo que quanto mais disponível estiver, mais será adquirida…Se considerarmos a mesma pergunta relativamente a todo o tipo de artigos que puderem ser de contrafacção, já 35% afirmam terem comprado produtos desta origem.

E qual é a motivação do consumidor para a compra da contrafacção? O primeiro critério é o preço, com 67% a identificaram-no logo à cabeça, seguido do argumento de não poder adquirir aquela marca se não for desta forma. Mas há outros aspectos interessantes do inquérito: 49% dos inquiridos dizem que não compram porque, sabendo que é ilegal, podem ser apanhados pela polícia a arriscam-se a pagar uma multa; 43% confessam ter receio de realizar compras deste tipo de artigos pelos problemas que podem vir a ter com a sua possível falta de qualidade, e 21% referem que nunca compraram este género de produtos simplesmente porque não tiveram ocasião para o fazer.

A abordagem dos pontos de venda onde se pode encontrar a contrafacção também se revela interessante. A venda clandestina, os mercados e as feiras, a venda por particulares, os sites de venda pela Internet, os armazéns para escoamento de stocks e os discounters –  e é neste último onde este fenómeno tem vindo a aumentar -, são ao mais citados. O comércio tradicional – designadamente desde as lojas, aos grandes armazéns até aos hipermercados –, é mais raramente referenciado como local onde se possa encontrar estes produtos.

E quais são os argumentos que podem ser considerados para levar os consumidores a não comprarem contrafacção?

Estima-se que primeiro poderão ser as questões de saúde e de segurança (86%), mas mais relacionado com determinado tipo de artigos como medicamentos, brinquedos ou peças para automóveis, por exemplo, seguido muito de pelo argumento cívico. Aqui, 81% do painel de questionados está de acordo que contribuir para a economia paralela, contribui para a manutenção de más condições de trabalho nas empresas localizadas nos países pobres, enquanto que 74% referem que aquela prática contribui para o aumento do desemprego. Da mesma forma, 72% do painel tem consciência de que as máfias e as redes criminais podem servir-se dos contrafactores para financiar as suas actividades.