Comércio mundial de têxteis e vestuário em queda

As transações comerciais de vestuário caíram 10% em 2023, de acordo com os dados mais recentes da Organização Mundial do Comércio. No caso dos têxteis, a queda foi de 13%.

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O comércio global de vestuário registou uma queda de 10% no valor durante 2023, provocada pelas diferentes perturbações políticas e logísticas (como os ataques dos rebeldes Houthi no Mar Vermelho) e da inflação crescente que marcou o ano passado, refere a Modaes na análise ao relatório anual da Organização Mundial do Comércio (OMC). Apesar do declínio, o comércio mundial permanece 5% acima de 2019, um ano antes do início da pandemia.

«Embora o impacto económico das perturbações do Canal de Suez resultantes do conflito no Médio Oriente tenha sido até agora relativamente limitado, alguns sectores – como o comércio a retalho – já foram afetados por atrasos e aumento dos custos de frete», afirma a Organização Mundial do Comércio (OMC) no seu último relatório anual.

O comércio mundial de têxteis também diminuiu em valor face ao ano anterior, tendo sentido uma retração ainda maior, de 13%. Em comparação com os valores de 2019, o comércio de produtos têxteis manteve-se estável.

De acordo com as previsões do relatório, as quedas no comércio de têxteis e vestuário seguiram o padrão de quedas no comércio mundial de mercadorias, que em 2023 registou uma contração geral de 5% em valor, para 24,01 biliões de dólares. Este declínio teria sido maior sem o contributo do sector dos serviços, que aumentou 9% em valor durante o ano, atingindo 7,54 biliões de dólares.

Em termos de volume, o comércio global também caiu ligeiramente, registando uma descida de 1,2% durante o ano, principalmente devido aos elevados preços da energia e à inflação, que tiveram um efeito «considerável» na procura ao longo de 2023.

Nas previsões para os próximos anos, no entanto, a OMC prevê uma ligeira recuperação no comércio, com uma subida de 2,6% em 2024 e até 3,3% em 2025.

«Estamos a avançar para a recuperação do comércio mundial, graças à resiliência das cadeias de abastecimento e ao sólido quadro comercial multilateral, que são essenciais para melhorar os meios de subsistência e o bem-estar», sublinha Ngozi Okonjo-Iweala, diretora-geral da OMC.

A OMC realçou a resiliência do sector nos últimos anos, que, apesar dos choques económicos, conseguiu crescer 6,3% em volume em comparação com os valores pré-pandemia. Além disso, durante o último trimestre do ano, o comércio mundial manteve-se em níveis quase idênticos aos de 2022 (mais 0,1%) e aumentou ligeiramente em relação a 2022 (0,5%).

Apesar das boas expectativas para os próximos anos, a OMC alerta para uma possível revisão em baixa dos valores anunciados, devido a conflitos regionais, diferentes tensões geopolíticas e políticas económicas. «É imperativo que mitiguemos riscos como conflitos geopolíticos e fragmentação comercial para manter o crescimento económico e a estabilidade», conclui Ngozi Okonjo-Iweala.