CmiA monitoriza algodão a partir do espaço

A iniciativa Cotton Made in Africa (CmiA) lançou um projeto para monitorizar por satélite, a partir do espaço, a produção de algodão sustentável de pequenos agricultores da África Subsariana.

[©CmiA]

A CmiA está a trabalhar com a especialista alemã em serviços de cloud geoespaciais Geocledian e a empresa de descaroçamento de algodão Alliance Ginneries, da Tanzânia, num projeto que recolhe informação sobre o solo e a vegetação e pretende ajudar os parceiros da CmiA a aumentar a eficiência, a produtividade e a sustentabilidade.

A fase preparatória já está concluída e o projeto está atualmente a ser implementado, com funcionários de empresas como a Alliance Ginneries a receberem formação por parte de especialistas da alemã Geocledian na área da recolha de dados de GPS.

Segundo a CmiA, a recolha de dados GPS é crucial para este tipo de projeto, uma vez que permite a localização precisa dos campos que serão investigados e, por outro lado, para permitir a fiabilidade da análise dos dados dos satélites, que é realizada com recurso a machine learning.

Para isso, a Geocledian está a rever os dados GPS em relação à precisão geométrica e topológica e está a criar séries temporais para os campos vigiados. Os dados são provenientes dos satélites de observação da Terra da missão espacial Sentinel-2. Assim que a informação tiver sido recolhida, um modelo computacional para classificar campos de algodão vai ser treinado usado os dados de monitorização e machine learning. Depois dos campos serem validados, serão disponibilizados para o parceiro na Tanzânia.

O objetivo final do projeto é apoiar as empresas parceiras da CmiA com o mapeamento e registo dos campos de algodão. Usando os dados validados, será possível observar o estado fenológico dos campos de algodão, permitindo mais facilmente identificar anomalias e tomar medidas para assegurar boas colheitas. Ao mesmo tempo, reforça a CmiA, ajuda igualmente em relação ao cumprimento dos critérios de sustentabilidade da CmiA.

«A preparação para o futuro é essencial, assim como estar preparado para aproveitar quaisquer oportunidades tecnológicas que surjam para ajudar a apoiar os pequenos agricultores», considera Tina Stridde, diretora-geral da Aid by Trade Foundation, a entidade que fundou a CmiA. «O trabalho da CmiA nos standards nos próximos anos vai centrar-se em fazer grandes progressos na evolução do sector do algodão no sul do Saara em África e em torna-lo mais sustentável através de inovações visíveis e viáveis. O projeto de monitorização remoto tem um enorme potencial nesse sentido», resume.

Recentemente, a Agência Espacial Europeia, a CottonConnect e a Assimila anunciaram um projeto semelhante, para usar informação recolhida a partir do espaço para ajudar os agricultores, numa primeira fase no Bangladesh, a mitigar as ameaças climáticas à sua saúde e à das suas colheitas.