CITEVE celebra 35 anos de evolução

Entre brindes e muitos votos de continuidade, o CITEVE celebrou o 35.º aniversário na iTechStyle Summit. Cristina Castro, relações públicas, é uma das pessoas que acompanhou, por dentro, o desenvolvimento do centro tecnológico.

Cristina Castro

No início dos anos 90, quando Cristina Castro entrou para ocupar o cargo de relações externas, o CITEVE era sobretudo uma promessa, com muitos a vaticinar o seu fim em poucos anos e poucos a imaginar o papel que o centro tecnológico ocuparia na indústria têxtil e vestuário portuguesa. «Tinha amigos dos meus pais que diziam que eu era maluca, que o CITEVE ia fechar em pouco tempo», conta ao Portugal Têxtil. «Na altura perspetivava-se que era demasiado grande para aquilo que as pessoas entendiam que ia fazer pelo sector», acrescenta Cristina Castro.

A relações públicas – que tem mais quatro colegas que entraram na mesma altura e ainda continuam a trabalhar no centro tecnológico – teve responsabilidades na angariação de novos sócios, na organização do evento de inauguração do edifício atual do CITEVE e passou por quatro direções da instituição, o último dos quais António Braz Costa, desde o início dos anos 2000. «Cresci e aprendi muito com quem fui trabalhando ao longo dos anos», reconhece.

O crescimento do centro tecnológico, aponta, foi fruto do trabalho de todos, mas, sobretudo, da própria indústria têxtil e vestuário. «Se não nos ouvisse, se não acreditasse naquilo que lhes íamos propondo fazer, não teríamos chegado onde chegamos. Tivemos a capacidade de ter gente na liderança com visão para lhes mostrar caminhos alternativos às dificuldades que íamos encontrando e a indústria foi capaz de acatá-las e, em alguns casos, surpreender-nos com propostas, projetos e ideias ainda mais diferentes», destaca Cristina Castro.

De reativo – «ainda sou do tempo em que o CITEVE recebia camiões para fazer o corte automático para as confeções, onde vinham os rolos de manhã, cortávamos e à noite eram levados, o que é completamente impensável agora» –, o centro tecnológico passou a ser uma referência na antevisão de tendências. «O desafio hoje é consolidar a reputação que temos. O meu papel é passar o testemunho, o know-how que fui ganhando com a experiência. Sempre tive o papel, diria, de provedora do cliente dentro do CITEVE. Tento sempre colocar-me no papel do cliente, perceber as suas dificuldades. Tentámos perceber o que ainda podemos fazer pela indústria, incluindo nestes desafios de sustentabilidade, de digitalização», refere. Acima de tudo, destaca, temos de ouvir a indústria, perceber o que precisa de nós. Temos de ouvir a indústria para saber em que medida querem que a apoiemos. São esses os meus desafios», assume a relações públicas.

António Braz Costa

Atualmente com um polo em Vila Nova de Famalicão que, juntamente com o centro de nanotecnologia e materiais inteligentes CeNTI (criado pelo próprio CITEVE em 2006), emprega cerca de 440 pessoas, o futuro do centro tecnológico passa também por reforçar a presença internacional e antecipar o que será o futuro desta indústria. «O CITEVE, com o CeNTI, é muito respeitado na Europa e já é reconhecido fora da Europa, mas, sobretudo, tem uma capacidade de desenvolvimento e de entender a indústria e as evoluções ao nível da ciência e tecnologia em qualquer área dentro do sector têxtil», resume António Braz Costa. «Agora só queremos que os próximos anos sejam de consolidação deste grande crescimento que fizemos e, se isso acontecer, já sou um homem feliz e já me posso reformar, porque a missão foi cumprida», conclui o diretor-geral do CITEVE.