Os produtores chineses não necessitam de muita da alta tecnologia actualmente disponível aos produtores do resto do mundo, portanto os fornecedores de maquinaria procuram responder às suas necessidades específicas. A CISMA (China International Sewing Machinery and Accessories feira internacional da China de maquinaria para a confecção e acessórios) é inquestionavelmente a feira líder de maquinaria para produção de vestuário para as nações em desenvolvimento e o maior evento mundial de maquinaria para confecção.
Em Setembro de 2005, maquinaria e equipamento de confecção industrial e bordados conquistaram mais de 65 por cento do total das feiras. Também foi possível observar equipamento CAD/CAM, estendida, corte, fusão, prensagem e acabamento, agulhas e fios, peças de maquinaria e sistemas de suporte. Quase todas as marcas internacionalmente reconhecidas estiveram presentes, assim como centenas de marcas chinesas, muitas das quais estão a tornar-se mundialmente conhecidas, tais como a Shanggong, Typical, Shangai Weishi e Richpeace. As cópias de marcas internacionais estiveram igualmente presentes, mas não de forma tão óbvia como no ano anterior. As excepções incluiram a Loubon, cujos sistemas de suporte de artigos exteriormente em muito se pareciam com alguns dos produzidos pelos europeus. Setenta e dois países “enviaram” 38.399 visitantes, o que significa um aumento de 15,8 por cento comparativamente ao último ano. A feira acolheu 1085 empresas, das quais 232 eram estrangeiras. Todos os sete corredores do Novo Centro Internacional de Exposições de Xangai foram utilizados tudo de uma forma muito organizada e desde que se falasse inglês o desconhecimento da língua mãe do país não constituía problema. As duas mostras de maquinaria, a CISMA de Xangai e a IMB de Munique, não podiam ser mais distintas. A IMB abrange todo o espectro da produção de artigos de material flexível, desde a concepção do design até à entrega na loja. A CISMA, por outro lado, cobre maquinaria de produção de vestuário, especializando-se na tecnologia exigida pelas nações em desenvolvimento. O raio de acção da IMB inclui o armazenamento, transporte e logística, sistemas de informação, maquinaria de alta tecnologia, estruturação do local de trabalho e a produção de têxteis técnicos, todas estas categorias praticamente ausentes na CISMA. Atrai igualmente visitantes de mais países. Os expositores escolhem a IMB para apresentar as novidades mais recentes. Como várias empresas afirmaram, se mostrassem o seu equipamento novo na CISMA aquando da IMB já teria sido copiado por várias empresas chinesas. Contudo, para uma empresa de produção com operações a nível internacional uma visita a ambas as feiras parece essencial. As necessidades tecnológicas da China Através de várias conversas com muitos expositores ficou claro que a CISMA ultrapassou a JIAM (Japan International Apparel Machine Show mostra internacional do Japão de maquinaria para vestuário) passando a ser a mostra asiática de tecnologia para vestuário. A razão principal para este acontecimento é que a China não precisa, nem está disposta a pagar, muita da alta tecnologia disponível no mercado. Custos laborais baixos, produção em massa de peças de vestuário de qualidade média e baixa e uma falta de engenheiros industrias altamente qualificados signficam que para vender tecnologia na China esta tem de ter um preço inferior, ser menos sofisticada e ser produzida dentro da China, apesar de no caso de se tratar de uma marca internacional a qualidade tem de ser um requisito a cumprir. A China é sem dúvida o maior e mais recente mercado para os fornecedores de tecnologia e o potencial de realizar vendas nesse país é enorme, mas para que estas se concretizem os fornecedores viram-se obrigados a desenvolver produtos que correspondam aos orçamento e necessidades destes mercados. Ciclos de produção maiores e custos laborais mais baixos estão de acordo com o facto de os produtores chineses ainda revelarem uma tendência para seleccionar o equipamento com base no preço e não na sofisticação. Grande parte da tecnologia dos fornecedores de maquinaria têxtil foi na sua origem desenvolvida para a indústria de vestuário extremamente avançada onde factores como a longevidade, versatilidade, flexibilidade, automatização, qualidade e produtividades são factores chave. Muitas empresas adaptaram-se à nova realidade redesenhado o seu equipamento e produzindo-o na China. Esta medida terá um efeito secundário, já que produtos de tecnologia inferior de produtores conceituados também interessarão a muitos dos outros países do mundo em desenvolvimento. Instalações de produção Mesmo em países em que as empresas não estão a introduzir produtos de tecnologia inferior, muitos já estão a fabricar os seus produtos na China ou estão a considerar seriamente fazê-lo. O Grupo Veit foi a primeira empresa estrangeira a comercializar equipamento de prensagem e fusão na China. O grupo vai intensificar a sua produção de equipamento no país, mas os planos precisam ainda de ser revistos uma vez que a qualidade do equipamento é condição a manter. Esta empresa já tem uma fábrica própria na China que produz equipamento de engomar, mas o objectivo é aumentar a produção chinesa para incluir os itens mais básicos nos modelos Brisay e Kanneigesser. Quer também produzir uma nova linha de equipamento mais económica, CoolSet, desenvolvida para corresponder às necessidades do mercado chinês, produzida na China e que será vendida em toda a Ásia. O presidente da empresa explica, «actualmente o nosso equipamento é muito avançado para as necessidades gerais do mercado chinês, portanto o que é preciso é um equipamento menos sofisticado e mais barato. A nossa nova linha básica assegurará todas as necessidades elevadas de equipamento e terá menos características a um preço mais baixo». A Rotundi também desenvolveu uma linha mais acessível para combater a crescente competição chinesa. O equipamento foi especialmente desenhado para o mercado chinês e é fabricado na China. Da mesma forma, o grupo IMA está a desenvolver duas linhas de produtos Macpi. A linha principal ainda será produzida em Itália e uma outra menos sofisticada de tábuas de engomar será produzida no e para o mercado chinês, na sua fábrica própria, em Xangai. No que diz respeito ao equipamento a IMA tem um sistema de corte nova e totalmente computorizado, mas está à espera da próxima edição da IMB para a lançar na indústria. Fios O produtor de fios Amann está presente na China há 25 anos e está actualmente a construir a sua fábrica própria no país para conseguir responder rapidamente ao mercado local, onde existirá um serviço de tingimento especial de três dias. Todas as principais variantes de fios de fibras cortadas, texturizados e de filamento contínuo serão produzidas. Amann afirma não ter planos para produzir um produto menos sofisticado para o mercado chinês. A Schmetz descobriu que baixar o preço das suas agulhas na China e disponibilizar um serviço técnico grátis ajudou a aumentar as suas vendas em mais de 50 por cento no último ano. A empresa tem como alvo produtores de qualidade superior que têm consciência da importância de usar a agulha correcta para obter a melhor qualidade de confecção. Com uma fábrica própria na China a SWF acrescentou novos aparelhos à sua linha de máquinas de bordar. As suas máquinas de funções duplas são igualmente interessantes. Nestas as cabeças estão divididas em dois blocos e cada bloco pode trabalhar num produto e desenho diferente. A SWK/HC-UH1506D-45 é uma máquina de seis cabeças dividida em dois blocos de três que pode trabalhar com todas as seis cabeças bordando o mesmo desenho ou apenas com um dos blocos, bordando por exemplo um desenho numa t-shirt e o segundo bloco um outro bordado em bonés. Os desenvolvimentos dos expositores de CAD serão analisados noutra parte deste artigo e a área de confecção será analisada numa terceira parte. A CISMA deverá passar a realizar de dois em dois anos estando a próxima edição prevista para 2007 assim como uma realização intermédia da feira no Sul da China, entre 2 e 5 de Setembro de 2006, em Guangdong.











