Cinzas atingem ITV

À medida que a nuvem de cinzas vulcânicas da Islândia fez a sua viagem através do Norte da Europa, a proibição de voos, que parou a economia e pôs milhares de passageiros à beira de um ataque de nervos, afectou também a Indústria Têxtil e de Vestuário. Enquanto os negócios que se apoiam na carga aérea para movimentar bens perecíveis como flores, frutos e vegetais foram seriamente atingidos, as empresas de vestuário podem dar-se por satisfeitas pelo facto da maioria das encomendas de vestuário, tecidos e acessórios ser enviada para todo o mundo por barco. Mas para os retalhistas da fast-fashion, que movem produtos por via aérea para assegurar um fluxo regular de novos designs nas suas lojas, houve um «grande impacto», acredita Marshal Cohen, analista-chefe de indústria no The NPD Group Inc. As amostras, que podem ter de ser transportadas várias vezes entre as fábricas no estrangeiros e os gabinetes de compra na Europa, precisam também de rapidez e «estão agora atrasadas em relação a alguns prazos», afirmou Cohen, acrescentando que «a maior parte não está ainda em estado crítico, muitas estão em movimento. O problema é as amostras e designs que ficaram presas em trânsito. Tal como os passageiros, estão à espera». Alguns produtores recorrem ao transporte aéreo quando os atrasos significam que estão em perigo de não cumprir os prazos dos compradores e há relatos que peças de vestuário para a Europa chegaram a amontoar-se nas fábricas e nos aeroportos do Bangladesh à China.   Há também sinais de que as cadeias de aprovisionamento estão a começar a tornar-se mais flexíveis, estando por exemplo a empresa de logística da DHL a ajustar as suas redes aéreas e terrestres para processar os carregamentos em regiões onde o espaço aéreo está fechado. Um porta-voz da DHL revelou que a empresa aumentou a capacidade dos camiões para minimizar os atrasos nos carregamentos na Europa e que um atraso de três a cinco dias deve ser esperado para os carregamentos entre a Europa e o resto do Mundo. «Os envios entre destinos não-europeus não foram afectados», revelou o porta-voz da DHL. Pensa-se que o vulcão terá menos impacto no transporte de bens do que nas compras dos turistas, ou “shop-cations”, como Cohen lhes chama. «Os que tentam ir a algum lado não vão, por isso há menos compras de turistas. E os que estão presos já fizeram as suas compras», concluiu Cohen.