China seduz designers ocidentais

«A China é, actualmente, o mercado mais interessante para a moda», revelou Michael Michalsky, ex-director de criação da marca desportiva Adidas e um dos estilistas mais aplaudidos durante a última edição da Berlin Fashion Week (ver Berlim rendeu-se à moda). Na base deste entusiasmo está o contrato que Michalsky acaba de assinar com uma marca desportiva chinesa do grupo Dongxiang. «O grupo Dongxiang goza de grande sucesso no mercado interno e agora a empresa pretende expandir-se internacionalmente. Numa primeira fase, porém, a linha estará disponível apenas na China – uma vez que se trata do mercado onde estão instaladas as suas lojas próprias. Mas eles o grupo tem em vista a expansão para outros países da ásia e não vejo razão para que não se venham a estabelecer em mercados ainda mais distantes», afirmou Michalsky, acrescentando ainda que «os chineses são realmente abertos para a moda e temos que admitir que o futuro do mundo está na região». No início deste ano, o jornal “The New York Times” constatou o mesmo, quando relatou que a China é agora o mercado de luxo que mais rapidamente cresce no mundo, com vendas estimadas de 7,6 mil milhões de dólares em 2008. «A China era mais conhecida como fornecedora, mas o país possui, actualmente, um grande poder de compra, apesar da crise, onde existem já designers bastante talentosos, assim como escolas de moda. No entanto, ainda estão na fase em que privilegiam o know-how estrangeiro», confiou o designer alemão, que esteve 11 anos, a exercer o cargo de director global de criação da marca Adidas. Em 2006, Michalsky fundou sua própria marca, com o lema «roupas verdadeiras para pessoas de verdade» e tem vindo, desde então, a apostar no desenvolvimento e crescimento da sua marca. Contudo, nestes tempos economicamente turbulentos, pensar de forma criativa pode fazer toda a diferença – e Michalsky rompeu com décadas de tradição da moda ao voltar os olhos para Pequim e Xangai em vez de Paris e Milão. Mas não foi o único estilista a “render-se” ao Oriente. Em Março último, a estilista Jil Sander aliou-se à marca japonesa Uniqlo, que vende jeans por 20 euros e casacos por 10 euros e que é uma das poucas empresas que actualmente tem vindo a registar lucro no Japão (ver Jil Sander dá estilo à Uniqlo).