China reestrutura vestuário – Parte 1

Está a ocorrer uma enorme transformação no sector do vestuário chinês, à medida que as empresas lutam para se manterem competitivas, num contexto marcado pela subida nos custos da mão-de-obra, valorização do yuan, escassez de trabalhadores e controlo ambiental mais apertado. No entanto, conforme refere um artigo publicado pelo just-style, diversas empresas estão a transformar-se para conseguir ultrapassar esses desafios. A transformação na indústria têxtil e de vestuário chinesa vai, provavelmente, continuar durante algum tempo, implicando o corte de centenas de milhares de postos de trabalho – sozinha, a reestruturação da Weiqiao, a maior empresa têxtil de algodão da China, originou o despedimento de 17.000 trabalhadores. Por outro lado, é amplamente partilhada a noção de que a presente crise irá resultar num sector mais eficiente e melhor adaptado para satisfazer a procura nos mercados externo e interno. No entanto, a queda na competitividade internacional da indústria chinesa de vestuário está em forte contraste com a economia do país como um todo. Segundo o Global Competitiveness Report 2008-2009 do Fórum Económico Mundial, a China entrou em 2008 para o Top 30 dos países mais competitivos, subindo quatro posições em relação ao ano anterior. O país beneficia de um acentuado crescimento nos mercados doméstico e externo, permitindo significativas economias de escala. A estabilidade macroeconómica continua também a ser uma fonte de vantagem competitiva, ao mesmo tempo que a inovação se está a tornar numa nova fonte de competitividade. Mas existe unanimidade na opinião de que a indústria do vestuário está a perder a sua vantagem. Na última feira Intertextile Shanghai Apparel Fabrics, que decorreu no Outono de 2008, os representantes da indústria do vestuário no Vietname, Cambodja e Laos exprimiram a convicção de poder beneficiar com a diminuição da competitividade da China. Com efeito, existem diversos factores que estão a minar a superioridade competitiva da China no sector do vestuário. Um deles é o aumento no custo do trabalho. Segundo o Textiles Intelligence, os dados da Werner International revelam que o aumento médio anual dos custos laborais chineses durante 2004-2007 foi de 11,8% na região costeira e 14,6% no interior. Em 2008, estima-se que os custos laborais chineses aumentem 20-25%. As leis laborais mais rigorosas, que foram introduzidas em Janeiro de 2008, estipulam um salário mínimo, horas extraordinárias fixas, indemnização por despedimento, cuidados de saúde e de acidentes e um plano de pensões para os trabalhadores. O Credit Suisse estima que estas leis, por si só, adicionam 15-20% ao custo de exploração na indústria de mão-de-obra intensiva e, para as pequenas e médias empresas exportadoras de vestuário, a sua aplicação surge num momento complicado. Também a valorização do yuan, especialmente em relação ao euro, afecta a competitividade chinesa. Desde o início de Julho e até ao final de Outubro de 2008, o yuan valorizou quase 24% face ao euro. Como a maioria dos exportadores chineses de vestuário aplicam margens de lucro muito reduzidas, tais alterações cambiais podem revelar-se fatais. Um terceiro elemento que está a prejudicar a indústria têxtil e de vestuário chinesa é o aumento nos custos das matérias-primas como algodão, poliéster e lã. Em 2007, só o custo das importações de algodão provenientes dos EUA aumentaram cerca de 286 dólares por tonelada. Na segunda parte deste artigo, continuaremos a analisar os factores negativos que estão a afectar o sector de vestuário chinês.