China planeia reestruturar a indústria têxtil e de vestuário

O 11.º período de 5 anos do desenvolvimento económico e social da China (2006-2010) vai ser crucial para a reestruturação e adaptação da indústria têxtil chinesa, de acordo com divulgado pelo International Business News. Regularizar o comércio têxtil e o reagrupamento industrial vão ser tarefas importantes no futuro próximo, segundo informação proveniente de fontes associadas à câmara de comércio chinesa para a importação e exportação de têxteis. Em resultado da eliminação das quotas alfandegárias aplicadas sobre os artigos têxteis e de vestuário no início de 2005, o superavit da balança comercial da China nos têxteis e vestuário registou uma subida de 25,5% cifrando-se nos 89,29 mil milhões de dólares durante o período de Janeiro a Novembro de 2005. Este valor corresponde a 98,3% do resultado positivo global da balança comercial da China para os primeiros onze meses do ano. Entretanto, as importações e exportações chinesas de artigos têxteis e de vestuário registaram um crescimento de 18,4% cifrando-se nos 120,35 mil milhões de dólares, sendo responsáveis por 9,4% do total das trocas comerciais chinesas, o que vem demonstrar a enorme vantagem relativa da China neste sector. No entanto, de acordo com o noticiado, os lucros das exportações chinesas não acompanharam esta evolução do volume exportado, originando que diversas empresas registaram uma quebra nos lucros. De acordo com o International Business News, o aumento e a diversificação do proteccionismo ao nível do comércio internacional afectou e vai continuar a reduzir o potencial lucro da indústria têxtil e de vestuário chinesa. A aplicação de limitações comerciais por parte de países desenvolvidos e em desenvolvimento, a valorização do yuan, o aumento dos custos laborais, das matérias-primas e da energia vão impor uma enorme pressão sobre a indústria têxtil chinesa. A aplicação de quotas por parte da União Europeia (UE) e dos EUA, obrigou diversos produtores chineses a diminuir os seus preços de exportação (e consequentemente os seus lucros) de forma a conseguirem obter as quotas de exportação que foram licitadas. Os dados das alfândegas chinesas revelam que, durante os primeiros onze meses de 2005, o preço médio unitário de artigos de malha para os EUA registaram uma quebra de 43,69%, em relação a igual período de 2004. Considerando o mesmo horizonte temporal, o preço das exportações de fio de algodão e de vestuário de malha em algodão para a UE registaram quebras de 21,56% e de 13,17%, respectivamente. De acordo com o International Business News, a indústria têxtil e de vestuário chinesa continua fraca em inovação, investigação e desenvolvimento, apresentando uma frágil base competitiva e a ausência marcas famosas. Prevendo a eliminação das quotas de importação, as empresas chinesas aumentaram de forma desmedida o investimento em meios de produção durante os últimos anos. Em 2002, o investimento em meios de produção na indústria têxtil e de vestuário registou uma subida de 29,07% em relação ao ano anterior, em 2003 o aumento foi de 66,7%, e em 2004 o investimento registado foi na ordem dos 30,2%. O crescimento do investimento levou a um excesso da oferta na indústria têxtil e de vestuário, assim como a perturbações sectoriais. Entre 2001 e Novembro de 2005, o número de exportadores chineses de artigos têxteis e de vestuário aumentou dos 21.099 para mais de 65.000. O repentino aumento do número de exportadores originou a quebra dos preços de exportação e o aumento das medidas proteccionistas ao nível internacional, o que levou a que o governo e a câmara de comércio decidissem realizar esforços, durante os próximos cinco anos, no sentido de regularizar a ordem industrial e fomentar a base competitiva. PIB cresceu 9,9% em 2005 O Produto Interno Bruto da China (PIB) continua a crescer, estimulado pelas exportações e pelo investimento, segundo os números divulgados pelo departamento de estatística do país. Com um crescimento de 9,9%, o PIB chinês ultrapassou as anteriores previsões do mercado, que apontavam para um crescimento de 9,5%. Os números superam também as estimativas da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento, o ministério da planificação económica do país, que apontava para 9,8%. Com este desempenho, a China posiciona-se como a quarta economia mundial suplantando o Reino Unido. Segundo os números publicados na página da Internet do departamento de estatísticas, a balança comercial da China registou um excedente de 82,9 mil milhões de euros (101,9 mil milhões de dólares), atingindo um máximo histórico. As exportações atingiram 762 mil milhões de dólares em 2005, um aumento de 28,4%, enquanto as importações foram de 660,1 mil milhões de dólares, um aumento de 17,6%, segundo os mesmos dados. Os investimentos em construção e em fábricas aumentaram 25,7% para os 1.1 mil milhões de dólares, enquanto a produção industrial cresceu 11,4%, refere o departamento de estatísticas. A inflação foi de 1,8% em 2005, contra um aumento de preço de 3,9% em 2004, referem as estatísticas, que informam ainda que as reservas chinesas de divisas no final de 2005 equivaliam a 818,9 mil milhões de dólares americanos, mais 208,9 que no ano anterior.