China perde Competitividade

A competitividade das empresas chinesas sofreu uma grande erosão durante o ano passado, de acordo com uma das maiores tradings do mundo, refere o Financial Times (FT) na edição de quinta-feira. O Grupo Li & Fung, sedeado em Hong-Kong, que movimenta um volume de negócios de 7,1 mil milhões de dólares como agência de compras, referiu ao FT que os preços de produtos oriundos da China começaram a subir, depois de uma significativa deflação a que se assistiu nos últimos seis anos. William Fung, Director-Geral (DG) da Li & Fung, referiu o registo de um aumento médio de 2 a 3 por cento nos imbatíveis preços da China, e que as principais causas para este facto são o aumento de dois dígitos dos custos da mão-de-obra, a reavaliação do yuan, e o aumento dos preços do petróleo e da energia em geral. «Os custos estão todos a subir na China», salientou Fung, «já não é o país mais barato daquela região. Qualquer artigo produzido na China neste momento traz uma componente inflacionaria mais alta do que em qualquer outra parte do mundo». Os beneficiados são as empresas têxteis e de vestuário da Índia, do Cambodja e do Bangladesh, país este onde «as fábricas estão tão sobrelotadas de encomendas quanto costumavam estar as da China», acrescenta Bruce Rockowitz, o responsável comercial de sourcing nos quatro continentes daquela empresa. Os efeitos inflacionistas fazem-se sentir em todo o tipo de produtos, desde os acessórios com maior componente de moda aos acessórios de viagem ou aos artigos desportivos. Mas, segundo a DG da LI & Fung Portugal, Luísa Alves, «a migração da produção não se está a efectuar apenas para os países limítrofes – e é precisos salientar que muitas das empresas chinesas também já deslocalizam para os seus países vizinhos –, mas também dentro da própria China, passando agora do Sul para a região Norte daquele imenso país». Apenas 25% do seu volume de negócios da LI & Fung mundial tem como base a produção na China, muito provavelmente pela estratégia da empresa se basear na produção de artigos com componente moda e na resposta rápida, como frisara Luísa Alves numa anterior entrevista ao JT. Para a DG, a China continua a não ser interessante para a produção de pequenas quantidades, o que até agora têm beneficiado Portugal, e há clientes que escolheram durante um período de tempo aquele país como fornecedor, mas que agora estão a regressar a Portugal. O volume de negócios da Li & Fung (acima) apresentado, significa um aumento de 18% relativamente a 2004, e os resultados líquidos aumentaram 20% no mesmo período, chegando aos 230 milhões de dólares. A empresa anuncia pretender passar a fasquia dos dez mil milhões de volume de vendas em 2007.