China: concorrência desleal

Alarmadas pela queda do ritmo de crescimento das suas exportações, as autoridades de Pequim irão tentar “estimular” as suas vendas para o exterior, como forma de evitar a perda de empregos e a desaceleração do crescimento da economia. Entre as medidas, estão pensadas isenções de impostos e ajudas económicas – uma táctica que poderá não ser bem recebida pelas já “zangadas” autoridades de Washington e de outros parceiros comerciais como é o caso do Brasil. O governo chinês quer aumentar as suas exportações e encorajar as empresas daquele país a utilizar produtos chineses ao invés de os importar. Os sectores onde esse “estímulo” se irá fazer sentir mais são o têxtil, petroquímico e aço. Este “estímulo” irá canalizar mais produtos para o mercado e poderá causar problemas nas economias americana, europeia e asiática. Tais medidas irão, assim, prejudicar a concorrência numa altura em que os economistas avisam para o risco de medidas unilaterais e que a procura é tão escassa que a simples redução dos preços não serve para estimular o nível de vendas. As críticas às tendências proteccionistas que se têm verificado no mercado parecem poder perder força devido à atitude do governo chinês, que tem tentado com demasiada ênfase manipular a competitividade das suas exportações. Tal atitude só servirá para recrudescer as medidas proteccionistas e anular, desta forma, o crescimento pretendido pelas autoridades chinesas. Estas medidas anunciadas por Pequim surgem numa altura em que as autoridades das maiores potências económicas – onde se inclui a China – têm defendido que a imposição de barreiras alfandegárias poderá contribuir ainda mais para a recessão económica global. Desde Novembro que as autoridades chinesas têm vindo a baixar os impostos às empresas exportadoras do país. Estas reduções abrem espaço a uma redução de cerca de 15% no custo de calçado, têxteis e brinquedos provenientes do Império do Meio. Por outro lado, têm sido dados importantes auxílios estatais para a modernização das empresas. A diplomacia dos EUA, União Europeia e outros parceiros económicos tem estado atenta a esta atitude “proteccionista” do governo chinês. No entanto, estas atitudes não podem ainda ser consideradas, de acordo com a opinião destes especialistas, uma violação clara das obrigações comerciais chinesas no seio da Organização Mundial do Comércio (OMC). Um porta-voz do Ministro Chinês do Comércio reconheceu que tais medidas levantaram algumas preocupações nos responsáveis dos seus parceiros comerciais. Contudo, segundo a mesma fonte, tais medidas são permitidas pelas regras da OMC e visam essencialmente evitar a continuação da perda de postos de trabalho na República Popular da China.