China-ASEAN formam o terceiro maior bloco comercial

O acordo de livre comércio estabelecido entre a China e os dez países do Sudeste asiático que fazem parte do ASEAN (Association of South East Asia Nations) vem colocar novos desafios e oportunidades para a região. Com este acordo, os países envolvidos vão formar o terceiro maior bloco comercial do mundo, posicionado após o NAFTA (North American Free Trade Agreement) e a União Europeia (UE).

As trocas comerciais entre a China e os países que compõem o ASEAN (nomeadamente: Brunei, Camboja, Indonésia, Laos, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietname e Birmânia) têm registado um crescimento elevado ao longo dos últimos anos, com taxas de 15%  ao ano desde 1995. De acordo com o divulgado pela agência noticiosa chinesa Xinhua, as trocas comerciais entre os dois parceiros cifraram-se nos 79 mil milhões de dólares em 2004, sendo de esperar um total de 100 mil milhões de dólares em 2005.

Aparentemente, o China-ASEAN Free Trade Agreement (FTA) será vantajoso para os países envolvidos, mas vai aumentar a pressão sobre as exportações de outros países da região, como será o caso da Coreia do Sul. A China vai poder vender os seus excedentes industriais para os mercados do ASEAN, beneficiando os consumidores locais. No entanto, os exportadores coreanos vão sofrer significativas desvantagens em termos de preços no mercado chinês e nos países do ASEAN, actualmente o principal e quinto principal mercados de exportação.

Considerando a China e os países do ASEAN, juntos representam uma população de 1,8 mil milhões de pessoas, responsável por um PIB de 2,1 biliões de dólares e transacções comerciais no valor de 1,6 biliões de dólares.

Este acordo evidencia a vantagem que a China possui, sobre o Japão e a Coreia na concorrência sobre o Sudeste asiático, o que não será surpreendente face aos laços económicos e culturais que ligam a China aos países da região. A Coreia vai iniciar a quarta ronda de negociações para estabelecer um acordo de livre comércio com os países do ASEAN, mas necessita acelerar o processo para não se atrasar ainda mais.

Com início marcado para o dia 20 de Julho, a China e os países do ASEAN vão passar a aplicar taxas alfandegárias entre 0 e 5% sobre 40% de um total de 7.000 artigos transaccionados. A percentagem de artigos que estão ao abrigo do tratamento preferencial vai aumentar para 60% em 2007 e para 100% em 2010 com seis dos membros do ASEAN. Em 2015 todas as taxas alfandegárias serão eliminadas entre a China e os dez países do Sudeste asiático.

A primeira feira comercial do China-ASEAN foi realizada em Novembro de 2004 na cidade chinesa de Nanning, localizada na província de Guangxi. A exposição contou com a presença de mais de 1.500 empresas, que apresentaram mais de 200 categorias de produtos de 11 sectores de actividade industrial.

Para mais informação sobre o acordo China-ASEAN, ver notícia no Portugal Têxtil:

China e ASEAN Preparam zona de livre comércio