China: Aposta renovada na criação de marcas

Ao longo dos últimos meses tem-se acentuado a orientação dos produtores chineses de têxteis e de vestuário para a criação de marcas próprias, medida que é vista pelos responsáveis da indústria local como um meio de contrabalançar os efeitos da maior concorrência e do aumento nos custos do trabalho, energia e transportes. Os produtores chineses de vestuário ainda se encontram muito atrás no desenvolvimento das suas marcas próprias de vestuário, conforme refere o presidente do Romon Group, Sheng Jingscheng, uma das principais empresas localizadas na província de Zhejiang. De acordo com Jingscheng, a Romon encontra-se no topo dos produtores chineses exportando 5 milhões de fatos anualmente, mas com apenas alguns milhares de unidades exportadas para o mercado norte-americano com marca chinesa. Os produtores chineses de vestuário assinam normalmente contratos com marcas de vestuário estrangeiras, com o objectivo de fornecer produtos que são fabricados de acordo com o design das marcas que subcontratam a produção. Evoluir no âmbito do panorama do comércio internacional vai requerer aos produtores chineses de vestuário que sejam mais criativos e que desenvolvam e comercializem as suas próprias marcas internacionais, refere Sheng. A concorrência entre os produtores têxteis chineses também está a aumentar. No início de Dezembro, durante o processo de atribuição de quotas de exportação para o mercado norte-americano, a licitação do preço mínimo sobre 21 categorias de têxteis registou uma subida muito significativa (ver notícia no Portugal Têxtil). Quase 30.000 empresas têxteis foram qualificadas para as licitações das quotas. Os preços finais na maior parte das categorias têxteis foram muito superiores ao esperado quando os resultados foram apresentados pelo Ministério do Comércio chinês. A concorrência foi mais acentuada na medida em que durante seis meses foram bloqueadas as entradas no mercado norte-americano de algumas categorias de têxteis. Enquanto que o embargo comercial dos EUA sobre os têxteis chineses foi responsável pelo abrandamento do crescimento na indústria chinesa, responsáveis sectoriais responsabilizam também a inexistência de marcas chinesas de qualidade. No entanto, os resultados da licitação aparentam indicar um fim para as exportações têxteis chinesas de baixo custo, na medida em que os produtores locais estão também a enfrentar uma forte concorrência internacional. Outros países em desenvolvimento, como a Índia e o Bangladesh, estão a demonstrar uma crescente capacidade competitiva nas exportações de têxteis e de vestuário. As exportações de têxteis e de vestuário da China para os EUA registaram um crescimento de 32% desde Janeiro de 2005, enquanto que a Índia e o Bangladesh registaram taxas de crescimento de 34% e 20%, respectivamente, de acordo com os dados do Ministério do Comércio chinês. Para além da crescente concorrência no mercado internacional, as empresas têxteis chinesas também precisam de lidar com o aumento dos custos. Os custos com as matérias-primas têxteis e os transportes aumentaram 10% enquanto que os custos de trabalho aumentaram entre 15% e 20% durante a primeira metade de 2005, de acordo com os dados estatísticos das associações sectoriais das províncias de Zhejiang e Fujian. Estes dados poderão indicar que os produtores chineses de têxteis e de vestuário já não vão assistir a um grande crescimento através da exportação de quantidades massivas de produtos para marcas estrangeiras. No entanto, de acordo com o referido por Chen Guoqiang, director delegado do centro de investigação económica industrial da associação de vestuário chinesa, o mercado ainda não foi completamente explorado para o caso do vestuário de qualidade superior. De acordo com a opinião de alguns responsáveis locais, a maior concorrência mundial poderá incentivar a indústria têxtil e de vestuário chinesa a construir marcas de topo ao melhorar a qualidade do produto.