China abre portas ao algodão

A China, o maior produtor e comprador de algodão, deverá aumentar as suas quotas de importação desta matéria-prima caso se continue a verificar um desequilíbrio entre a oferta e a procura desta matéria-prima que está a pressionar os seus preços. Segundo a Associação Chinesa do Algodão, se a procura continuar a não ser satisfeita, as quotas serão elevadas de forma a permitir a entrada de algodão de outros países. As autoridades governamentais chinesas não descartam ainda «a possibilidade de intensificar a venda dos stocks estratégicos de algodão, caso as condições de mercado assim o justifiquem», como se pode ler no comunicado publicado no site institucional desta associação. O aumento das importações de algodão por parte da China poderá, assim, contribuir para a continuidade da escalada dos preços do algodão a nível mundial, que subiram já cerca de 54% este ano, à medida que a procura especulativa começou a fazer-se sentir com a queda dos níveis de produção. As quotas chinesas de importação de algodão foram fixadas em 849 mil toneladas para o ano de 2010. Caso o governo chinês aumente o valor destas quotas, deverá fazê-lo de forma incremental, por exemplo meio milhão de toneladas de cada vez, e caso se verifique uma situação de procura superior à oferta. Estas medidas do governo chinês tornam clara a sua posição de não permissão da escalada de preços, principalmente devido aos impactos negativos que possam advir para o sector têxtil do Império do Meio. Sector este determinante para o emprego e para o crescimento da economia. A Associação Chinesa do Algodão anunciou estas medidas após intensas reuniões com altas patentes da comissão para o desenvolvimento nacional do governo. De acordo com comunicados anteriores desta associação, o governo está a leiloar 500 mil toneladas das suas reservas estratégicas para controlar os preços desta importante matéria-prima no mercado doméstico. Este leilão está a acontecer depois de anteriores tentativas de controlo de preços por parte das autoridades chinesas, realizadas entre Maio e Outubro. Durante esse período foram abatidos, aos referidos stocks estratégicos, cerca de 2 milhões de toneladas de rama de algodão.