China “esfomeada” por algodão

As estimativas indicam que serão produzidas 24,9 milhões de toneladas do “ouro branco”, o que representa uma descida de 5 por cento comparativamente à época de 2004/05. Simultaneamente, o consumo mundial de algodão deverá aumentar 3 por cento, atingindo 24,4 milhões de toneladas. Contudo, os stocks finais totalizam 11,3 milhões de toneladas, o nível mais elevado dos últimos 20 anos, de acordo com a bolsa de algodão de Bremen. As previsões apontam que os preços do algodão na corrente época deverão subir de 7 para 59 Cent/0,454 Kgs. Os peritos prevêem que se registe nesta época um recorde no que diz respeito às importações de algodão da China, no entanto, os preços não subiram de forma tão significativa como o esperado. A China, EUA, Índia, Paquistão, Uzbequistão,países africanos dazona CFA e a Turquia dispõe em conjunto de 81 por cento da superfície mundial de cultivo de algodão. «Os produtores mais importantes são a China, EUA e Índia», explica Robin Anson, director do Textiles Intelligence. A empresa britânica realiza, entre outras, análises de mercado para as indústrias de fibras, têxtil e de vestuário. A fatia de algodão no consumo de fibras está a decair. Em 1990 situava-se ainda nos 48 por cento e em 2004 em apenas 38 por cento, afirma Anson. Na Alemanha, as importações de algodão nos últimos anos, tanto em valor como em volume, sofreram uma descida evidente: em 2004 foi importado algodão no valor de 106,4 milhões de euros, mas em 2005 as importações desceram para 73,1 milhões de euros. Uma das razões para este facto poderá ser a queda da produção nas indústrias têxtil (- 4,3 por cento) e de vestuário (- 7,9 por cento). A lista dos países com o maior consumo de algodão é, há vários anos, liderada pela China, não se prevendo um final para “a fome de ouro branco deste país”. Para a corrente época, o International Cotton Advisory Committe (ICAC) estima o consumo chinês de algodão em 9 milhões de toneladas. Em 2001/02 o valor registado foi de 5,5 milhões de toneladas. A Índia está entre os maiores fornecedores de algodão da China. «Devido à proximidade geográfica dos nossos países existem inúmeras vantagens em termos de logística», afirma Suresh Kotak, director geral da Kotak & Co Ltd, de Mumbai. Para a próxima época os especialistas prevêem uma subida da produção mundial de algodão de 2 por cento. Mesmo com uma estimativa que indica a subida da utilização do algodão de 3 por cento, a produção continuará a ser superior à sua utilização o que resultaria numa subida dos stocks totais de algodão a nível mundial para o nível recorde de 11,7 milhões de toneladas.