Chargeurs resistiu ao choque de 2001

Depois de um ano de 2001, descrito como uma sacudidela devido às sucessão ininterrupta de crises (Brasil, Turquia, Estados Unidos, Japão e Argentina), Eduardo Malone, director geral do grupo Chargeurs, anunciou no entanto a sua satisfação ao comentar os resultados do último exercício. «Nós estamos muito contentes por termos resistido a todas estas situações», explica ele que também se tornou o segundo accionista do grupo desde Dezembro, depois de Jérôme Seydoux, com 17,2% do capital. O grupo anunciou um volume de negócios de 1,23 mil milhões de euros, ou seja, um aumento de 2,6%, «apesar da baixa do volume de negócios do último trimestre, de 6,4%» devido ao abrandamento americano. Os seus resultados operacionais mantiveram-se iguais, em 78 milhões de euros. Em contrapartida, o grupo contentou-se com um resultado líquido de 47 milhões de euros, diminuindo 11,3% em comparação com o ano 2000. Mas o recuo foi explicado «essencialmente por uma provisão excepcional de 5,5 milhões de euros anunciada em Fevereiro passado e relativo ao impacto da crise na Argentina». Eduardo Malone sublinha no entanto a solidez do Balanço consolidado do grupo. Ele observa que o endividamento líquido, que sobe de 13 milhões no ano anterior para 21 milhões de euros, fica «significativamente baixo, apesar de uma saída de fundos de 165 milhões de euros resultante da OPA e dos dividendos distribuídos aos accionistas em 2001». A Chargeurs viu as suas ambições americanas muito contrariadas no ano passado, com as vendas a baixarem 5% nesta zona. A Chargeurs Laine, a empresa de maior actividade do grupo, conheceu uma baixa do seu volume de negócios de 3%, para 478 milhões de euros, «reflectindo segundo o grupo, a contracção dos volumes observados desde o segundo trimestre e acentuado pelos acontecimentos americanos.» Uma vez não são vezes, e a Chargeurs Tissus é a actividade do grupo que melhor se desenvolveu em 2001, com um volume de negócios a subir 20%, para 259 milhões de euros, e o resultado operacional a aumentar 10%, para 11 milhões de euros. O seu crescimento está no entanto ligado à integração num ano pleno da tecelagem britânica Drummond (comprada em 2000), completa pela aquisição em meados de 2001 da Parkland, especialista inglês do mercado feminino, e a criação da sociedade francesa C2N Textile, no início de 2001, em parceria com a sociedade Najberg. Eduardo Malone felicita-se também pela boa saúde da Chargeurs Entoilage, apesar de uma queda do volume de negócios de 3% para 291 milhões de euros, mas num mercado, afirma o grupo, «muito afectado pela recessão americana». O impacto foi particularmente neutralizado por uma boa actuação do mercado chinês, enquanto que a «redução dos custos compensou o impacto da baixa do volume». O resultado operacional dos revestimentos foi ainda mantido em 29 milhões de euros, sobre uma margem operacional de 10%. Finalmente, a Chargeurs Films de Protection, que integrou no ano da aquisição americana o plano Ivex, fixou o seu volume de negócios num aumento de 6%, para 201 milhões de euros. Em relação às previsões para 2002, Eduardo Malone prefere abster-se: «a visibilidade é ainda muito fraca sobre o primeiro semestre», sublinha ele, evocando todavia um estremecimento» da actividade desde o início do mês de Março.