Chanel cresce, mas levanta preocupações

A casa de moda aumentou as vendas em todas as linhas de produto. No entanto, sublinhou que as perspetivas futuras são desafiantes, o que baixou a valorização do mercado do luxo.

[©Chanel]

As vendas da Chanel em 2023 somaram 19,7 mil milhões de dólares, o que representou um aumento, a câmbios constantes, de 16% face a 2022. O lucro ascendeu a 6,4 mil milhões de dólares, significando um crescimento de 10,9%.

«Os fortes resultados que anunciamos hoje refletem o foco incansável da Chanel em criações excecionais que inspiram. Sublinham o investimento sustentado na construção do desejo da nossa marca, criando a melhor experiência de luxo para os nossos clientes e apoiando o nosso pessoal a crescer e a desenvolver-se», afirma, em comunicado, Leena Nair, CEO da Chanel.

As receitas da empresa na Europa aumentaram 16,4% em termos comparáveis, para 5,61 mil milhões de dólares, enquanto na Ásia-Pacífico o crescimento foi de 21,6%, para 10,2 mil milhões de dólares, e nas Américas a subida foi de 2,4%, para 3,96 milhões de dólares.

«Depois de três anos de crescimento excecional para a nossa indústria, estamos agora a entrar num ambiente mais desafiante. Neste contexto, e após um nível recorde de investimento no ano passado, a Chanel vai continuar a aumentar o investimento no próximo ano, seja na nossa marca, seja no nosso trabalho artesanal e savoir faire, na melhoria contínua da experiência do nosso cliente, no imobiliário ou nas lojas e rede de distribuição», sublinha Philippe Blondiaux, diretor financeiro da empresa.

Segundo a Bloomberg, o índice Euro Stoxx Luxury 10 caiu ontem até 1,9%, a maior queda em cerca de um mês, depois da Chanel ter publicado os resultados financeiros de 2023 e da afirmação do diretor financeiro sobre o «ambiente desafiante».

As ações de luxo têm estado voláteis este ano, com atualizações e avisos desanimadores de empresas como o Kering, levantando preocupações sobre uma possível retração dos consumidores. A recuperação pós-pandemia no principal mercado chinês também vacilou e as valorizações elevadas também não ajudaram, com o sector a ser negociado com rácios preço/lucro futuros acima da média histórica e um prémio colossal de 100% para o mercado mais amplo, destaca a Bloomberg.

As ações da Hermès International caíram 3,6%, enquanto as do Kering e do LVMH baixaram 2% e as do Richemont 1,1%.

De acordo com David Da Maia, analista da CIC Market Solutions, citado pela Bloomberg, o lucro operacional da Chanel sofreu uma erosão de mais de 100 pontos base devido a um aumento de 20% nos gastos com marketing.

«O grupo refere um ambiente de mercado menos favorável em 2024 e não dá qualquer indicação – ao contrário dos anos anteriores – sobre o seu desempenho nos últimos meses, sugerindo que o seu crescimento abrandou claramente desde o início do ano, em linha com o sector como um todo», justifica David Da Maia.