Celebridades: estão na moda e fazem moda

Este é um dos temas actuais: ser famoso é sinal de “permissão” para ter uma colecção de vestuário com o seu nome. Esta realidade não deve ser confundida com acções e campanhas publicitárias para as quais as estrelas são convidadas, na verdade trata-se de colecções lançadas pelas próprias estrelas. Nos EUA esta tendência existe já há vários anos, por parte de estrelas mais ou menos conhecidas e com mais ou menos sucesso. Jennifer Lopez, a bomba latina, mostrou a sua colecção “Sweet Face” na semana de moda de Nova Iorque e, pela primeira vez, surpreendeu os críticos. A sua proposta já não mostrava influências do sreetwear, revelando-se mais madura. O seu ex-namorado, P. Didy, lançou e promove desde 1998 a sua linha “Sean John”, muito conhecida nos EUA, e avaliada em 400 milhões de dólares. Contudo existem rumores que desde há dois anos os resultados têm sido menos positivos e que a empresa passa por uma situação bastante critica. Estes rumores parecem justificados pela contratação do designer Zac Posen cujo objectivo é mudar de um estilo urbano para uma linha de luxo mais carismática. É uma história de sucesso com o final ainda em aberto. A popularidade da colecção das gémeas Olsen, intitulada “Mary Kate and Ashley”, parece ter-se instalado junto das raparigas entre os 5 e 12 anos, sendo a marca produzida pelo grupo Dualstar Entertainment, considerada líder de mercado na moda acessível para esta faixa etária. A colecção abrange também cosméticos, jogos de vídeo, livros e bonecas. Os produtos baratos podem ser encontrados na Wal-Mart. O grupo tem tido bastante sucesso na França (Auchan), Inglaterra (Asda) e Espanha (Alcampo). Cantar ao som da moda Não são apenas as estrelas de cinema que embarcam nesta aventura. A cantora Jessica Simpson marcou presença na feira Magic, em Las Vegas, apresentando três linhas da sua colecção. Macy Gray lançou a linha “Ghetto”. Will.i.am, do conhecido grupo Black Eyed Peas, tem uma colecção intitulada “I.am clothing”. Vários rappers nos EUA têm as suas próprias colecções, desde o famosíssimo 50 Cent até Jay-Z, Damon Dash e Russel Simmons. Actrizes e modelos como Milla Jovovich, Elizabeth Hurley, Anna Nicole Smith, Hillary Duff e Christy Turlington dedicam-se a criar as suas linhas de vestuário. A interminável lista conta ainda com nomes como Gwen Stefani, Mariah Carey, Beoncé Knowles e Kelly Osbourne. O especialista de mercado Robert J. Thompson, professor de cultura pop e televisiva na universidade de Siracusa, afirma, «as celebridades hoje estão na moda e amanhã já não estão. Têm de ser rapidamente “comercializadas”. As excepções, como Paul Newman e Robert Redford, são raríssimas». As celebridades e a moda que usam são copiadas, é como se houvesse uma colagem à imagem da estrela que a produz. Interessante neste facto é que as celebridades conseguem construir uma identidade de forma relativamente rápida, enquanto designers extremamente bem sucedidos como Marc Jacobs ou Michael Kors, demoraram anos a fazê-lo. Contudo, ser o produto de uma celebridade não é factor único para obter sucesso. Este tem de ser autêntico e de qualidade. Um nome conhecido pode ser uma boa “rampa de lançamento”, sobretudo quando o púbico alvo é o mais jovem, aquele que mais facilmente segue tendências. Um nome não deve, no entanto, ser limitador. É impossível alguém agradar a todos os consumidores, especialmente os mais velhos que procuram algo mais do que apenas moda. No mercado alemão a moda das celebridades ainda está numa fase muito inicial, existindo poucos exemplos práticos. A parceria entre a S.Oliver e a cantora Anastacia poderá mudar este panorama, já no próximo Outono. Bem sucedida será certamente a cooperação entre Heidi Klum e a Birkenstock, na qual a modelo emprestou uma imagem hippie à marca de sapatos saudáveis. A moda vai sempre contar com celebridades. No segmento desportivo esta parceria é já longa, basta pensar na Lacoste, Fred Perry ou Toni Sailer. A Adidas tem como conselheiro de estilo David Beckham. Björn Borg tem obtido sucesso na Escandinávia. Até ao momento o menos bem sucedido é Boris Becker a quem tem faltado um bom produto, comprovando assim que a popularidade só por si não é sinónimo de sucesso.