CE aposta no conhecimento para a investigação e a indústria

77 mil milhões de euros é quanto vai ser o orçamento dos programas de apoio que visam o desenvolvimento das melhores infra-estruturas de investigação europeias em todos os campos da ciência e tecnologia, incluídos no 7º Programa-Quadro de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico da União Europeia  entre 2007 e 2013, de acordo com o noticiado pelo Diário Económico.

O objectivo da Comissão Europeia é «contribuir para a criação de um tecido de infra-estruturas de investigação do mais alto nível na Europa e optimizar a sua utilização à escala europeia», disse o Comissário Europeu para a Ciência, Tecnologia e Investigação, Janez Potocnil, durante a terceira conferência sobre infra-estruturas de investigação que decorreu na semana passada em Nottingham, Inglaterra.

Potocnil declarou pretender-se «impulsionar iniciativas integradas», tais como «redes de cooperação e execução de projectos comuns de investigação». Os projectos passam pela criação de centros de excelência e equipamento de ponta em ciência e tecnologia e inovar fortemente áreas tão importantes como a educação, a medicina, a biotecnologia, a informação, a comunicação, «tudo em nome de uma maior competitividade». Todos os projectos estão a ser estudados e delineados, para posteriormente serem avaliados, a fim de se decidir os fundos comunitários de apoio a disponibilizar para cada um deles, a par de investimentos público-privados em cada um dos 25 países.

Mariano Gago, Ministro português da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior esteve na conferência e afirmou que «as infra-estruturas de investigação têm um papel essencial na criação e difusão do conhecimento». Segundo disse, «temos sentido um aumento da procura, por parte da comunidade científica e industrial para que as infra-estruturas de investigação fiquem mais rapidamente disponíveis». Facto que considera «cada vez mais indispensável em inúmeros campos de ciência e tecnologia».

Mariano Gago declarou ainda que «as tecnologias de investigação já provaram ser importantes ferramentas para uma cooperação internacional», frisando que contribuem para «um desenvolvimento regional, para elevar o nível educacional e a investigação e inovação nas instituições».

MANUfuture e o futuro da indústria europeia

Definir uma agenda de investigação estratégica é o grande objectivo do MANUfuture, uma plataforma tecnológica de discussão sobre o futuro da indústria europeia, que pretende traçar caminhos e estratégias para o seu desenvolvimento, definindo quais as tecnologias e áreas de investigação mais relevantes. A plataforma reúne 26 redes nacionais e regionais em toda a Europa. O seu intuito é «promover uma colaboração e cooperação transnacional, impulsionando a participação de vários organismos e instituições de cada país», disse Janez Potocnik, Comissário Europeu para a Ciência, Tecnologia e Investigação na conferência organizada pela Comissão Europeia em Derby, Inglaterra.

De acordo com o comissário, as instituições terão de «definir as áreas de investigação que precisam de ser desenvolvidas, e que farão parte da Agenda de Investigação Estratégica», garantiu, explicando ainda que cada rede terá como missão «reunir um conjunto alargado de caminhos e estratégias, para fomentar o crescimento sustentado de infra-estruturas e tecnologias na indústria europeia nas áreas de Investigação e Desenvolvimento (I&D)».

Janez Potocnik salientou a importância de uma Europa virada para o conhecimento, acreditando que o MANUfuture é o caminho para a concretização desse objectivo. O comissário frisou que esta plataforma «trará maior valor acrescentado, desenvolvimento e eficiência à indústria europeia, através da identificação de oportunidades tecnológicas de investigação». Durante a sua apresentação, adiantou ainda que a comissão pretende «fomentar programas de apoio à investigação coordenados pelos vários estados membros, e incrementar a produção de ideias novas para investigação tecnológica e inovação».

O MANufuture não privilegia uma tecnologia em si, mas um vasto número de tecnologias, que se pretende que sejam adoptadas e impulsionadas pelas empresas. São muitas as tecnologias consideradas: materiais funcionais, nanomateriais, redes de cooperação, empresas virtuais, fábricas digitais, prototipagem rápida, modelização e simulação de processos, sistemas logísticos em rede, sistemas e máquinas configuráveis, robótica adaptativa, micromáquinas, microsensores e actuadores, e energias alternativas e renováveis.

MANUfuture Portugal

A MANUfuture Portugal é uma das 26 redes MANUfuture existentes em toda a Europa, e tem como principal objectivo realçar o bom desempenho de alguns sectores da indústria portuguesa, a nível europeu, impulsionando a indústria nacional.

Portugal tem um baixo nível de educação e enormes limitações na componente tecnológica, baixo investimento em I&D por parte das empresas e uma predominância de micro e PMEs. Assim, os responsáveis portugueses ambicionam dar estímulo ao financiamento público, construir dinâmicas sectoriais, capazes de definir e implementar visões estratégicas e tecnológicas e apostar forte em ciência, conhecimento e inovação.

Com o MANUfuture, Portugal poderá elaborar uma agenda estratégica para o investimento em I&D e inovação, estimular o desenvolvimento cooperativo e a fertilização cruzada entre sectores diferentes. Além disso, conquistará mais espaço na cadeia de valor, os produtos e serviços ganharão valor acrescentado e mais conteúdo tecnológico.