Casa da Malha intensifica internacionalização

Diferenciação, inovação e sustentabilidade fazem parte da proposta de valor da Casa da Malha, que tem apostado em feiras internacionais, na Europa e EUA, para chegar a novos clientes e mercados.

Carlos Dias e Mariana Moreira

Nascida em 2016, a Casa da Malha tem procurado antecipar as necessidades e destacar-se no mercado. «A base do nosso negócio passa pela diferenciação, pela inovação, por fazer diferente», afirma Carlos Dias, diretor comercial da empresa.

Neste contexto, a sustentabilidade tem «primazia», garante Mariana Moreira. «Continuamos a oferecer o clássico algodão e poliéster», explica a responsável de comunicação e imagem, mas «damos sempre primazia a fibras sustentáveis. Tentamos influenciar a escolha do nosso cliente, aquando também dos processos de acabamento, para que sejam decisões mais conscientes e com o menor impacto possível a nível ambiental».

A nova coleção está dividida em 12 cápsulas, cada uma relacionada com uma fibra ou um processo específico, da lã ao PLA da Noosa, passando por Circulose, reciclados ou processos de tingimento como o Colorifix.

A tinturaria e acabamentos são entregues a parceiros externos, enquanto a tricotagem é feita internamente na Casa da Malha, que tem uma capacidade mensal de produção de cerca de 120 toneladas. «Privilegiamos, naturalmente, a produção interna, mas temos também a opção de subcontratação, quando necessitamos de mais», sublinha Carlos Dias.

Feiras apoiam expansão

As feiras internacionais têm contribuído para o crescimento da Casa da Malha. «Antes da nossa presença em feiras já tínhamos uma base de contactos bastante alargada. Mas a presença em feiras acaba por reforçar», concede Mariana Moreira.

Na terceira participação na Milano Unica, em fevereiro passado, os resultados foram positivos. «Talvez por já estarmos no mercado há algum tempo, o nome já começa a ser conhecido e tivemos um bom movimento, tal como na Première Vision», revela a responsável de comunicação e imagem da Casa da Malha, que adianta que mesmo a estreia na Première Vision New York, em janeiro, «correu muito bem». Os EUA são «um mercado que já tentamos explorar há algum tempo, mas agora com uma presença física lá, achamos que se pode tornar mais fácil concluir alguns negócios que estavam em curso», acrescenta Carlos Dias.

O mercado do Norte da Europa, França, Itália, EUA e Japão são alguns dos focos de exportação das malhas produzidas na Casa da Malha, que tem igualmente feito investimentos continuados em áreas como a digitalização – a empresa implementou a tecnologia da Smartex de deteção automática de defeitos, por exemplo. «Em 2024 perspetivamos fazer mais algum investimento em termos de equipamentos, sobretudo produtivos, para eficiência e para fazer outro tipo de produtos», adianta o diretor comercial. «Não somos especializados em fazer um só tipo de estrutura, temos um leque de equipamentos muito diversificado e estes equipamentos que queremos adquirir são para colmatar algumas dificuldades que temos em fazer face àquilo que o mercado também vai exigindo», acrescenta.

Agressividade para crescer

Com 60 funcionários, a Casa da Malha registou, no ano passado, «um negócio ligeiramente abaixo de 2022», algo que, destaca Carlos Dias, «já era expectável», até porque «foi um ano de algumas lutas face à instabilidade que se sente no mercado». Em quantidade, indica, a empresa vendeu «entre menos 15% e 20% face a 2022», com um volume de negócios que rondou os 8 milhões de euros.

2024 afigura-se como «um ano que, julgo, não será muito diferente de 2023», sem o crescimento forte que a empresa sentiu em 2022. «As coisas ainda estão muito instáveis, mas acreditamos que, com a angariação que temos em curso e todo o investimento que estamos a fazer em termos comerciais, possamos compensar alguma coisa comparativamente com 2023», aponta.

«Neste momento estamos a ver a três ou seis meses, no máximo. Já é assim há algum tempo. Hoje em dia, é impossível, para quem segue o mercado de moda num segmento médio/alto, ver muito mais do que isso. Por isso, vamos tentar manter aquela que foi a estratégia do ano passado, com uma maior agressividade em termos comerciais, e esperar que o mercado e a aposta que estamos a fazer nos EUA traga resultados a curto prazo», conclui Carlos Dias.