Carmafil em expansão internacional

A empresa de confeção, que começou o processo de internacionalização em 2008, exporta já cerca de 90% da sua produção, estando atualmente a investir na presença em feiras para chegar a novos mercados.

Catarina Cardoso

Com mais de três décadas de experiência, a Carmafil – acrónimo de Cardoso Maciel e Filhos – começou, como quase todas as empresas de confeção em Portugal, «por baixo de uma casa», conta Catarina Cardoso, gestora de planeamento e, juntamente com Filipe Maciel, a segunda geração a integrar a empresa.

O crescimento, contudo, obrigou já a duas ampliações, a última das quais há cerca de dois anos, que incluiu a instalação de uma lavandaria, para expandir a produção de vestuário em malha e responder à procura do mercado. «Dentro de portas temos corte, modelagem, lavandaria, confeção e embalagem e recorremos a parceiros para bordados e estamparia», refere Catarina Cardoso, adiantando que parte da confeção é também entregue a subcontratados. «Ainda que tenhamos uma linha de produção considerável, é completamente impossível fazer tudo dentro de portas», aponta.

Numa primeira fase, a empresa, que emprega cerca de 100 pessoas, focou-se no mercado interno, mas a partir de 2008 começou a fazer prospeções além das fronteiras nacionais. «Sentimos a necessidade de começar a exportar, procurar novos clientes e, desde aí, o nosso foco é a exportação», revela a gestora de planeamento.

Atualmente, a Carmafil exporta cerca de 90% da produção, para mercados como a Alemanha, Suíça e Itália, mas a ideia é continuar a expansão internacional, nomeadamente através da presença em feiras. No ano passado, em julho, a empresa estreou-se na Première Vision, tendo repetido a presença neste certame no início deste mês. «O objetivo das feiras é precisamente expandir a nossa presença internacional. Uns mercados que nos interessam muito são, sem dúvida, os EUA e o Canadá», assume Catarina Cardoso. Os EUA «são um mercado considerável em termos de quantidades», sublinha a gestora de planeamento da empresa, que fornece essencialmente marcas do segmento médio-alto.

Um outro alvo será o Reino Unido, onde participou, pela primeira vez, na Source Fashion London, igualmente este mês de fevereiro. «Também é um mercado onde temos interesse em entrar», confessa, adiantando que para o segundo semestre está tudo em aberto. «Vamos analisar, dentro de portas, o que faremos», indica.

Para a empresa, o ano de 2023 foi «muito difícil», tendo registado uma quebra de cerca de 40% do volume de negócios, para aproximadamente 6 milhões de euros. «Foi um ano diferente do que estávamos habituados. Não foi terrível, o que também é bom, mas, para uma empresa que estava habituada a um determinado volume de trabalho, foi diferente», justifica Catarina Cardoso.

Como tal, e tendo em consideração o contexto mundial, os objetivos da Carmafil para este ano são comedidos. «Ainda vai ser um ano complicado», acredita Catarina Cardoso, que ressalva, no entanto, que, em termos de resultados, «se for igual ao ano passado, não é mau. Não é o que esperamos, mas não é péssimo, até porque o mercado está um bocado incerto. Vai ser um ano ameno», antevê.

Filipe Maciel, Adriana Freitas, Catarina Cardoso e Rui Loureiro