Caramelo amargo

A marca de moda espanhola Caramelo, em virtude das perdas acumuladas dos últimos anos, pretende despedir 237 dos seus 837 trabalhadores como forma de se manter no negócio. A redução do efectivo, a efectuar nas suas instalações da Corunha, deverá ocorrer nos próximos meses e foi a única forma encontrada pela empresa para regressar à rentabilidade e, assim, evitar o seu encerramento. A Caramelo tem vindo a sofrer consideráveis perdas financeiras, razão pela qual, neste momento de crise económica mundial, decidiu tomar algumas medidas de reestruturação onde se incluem os despedimentos anunciados. Em termos financeiros, a empresa registou prejuízos de 7,3 milhões de euros em 2006, 20 milhões em 2007 e 27 milhões em 2008. As medidas de curto prazo anunciadas passam também pela redução dos gastos gerais para um valor abaixo dos 30% do volume de vendas e por um plano de melhoria das práticas de gestão. A médio prazo, o plano de reestruturação da Caramelo prevê o incremento do seu volume de negócios através da expansão da rede de franchising internacional e da presença em lojas multimarca, a optimização dos sistemas de gestão de todas as actividades desenvolvidas pela empresa e, como consequência da falta de competitividade das suas fontes de aprovisionamento local, a expansão internacional dos seus processos de sourcing, de forma a permitir que a marca se posicione num excelente patamar de qualidade/preço. Segundo as conclusões retiradas do diagnóstico estratégico realizado pela equipa de gestão da empresa, e tendo em conta os condicionalismos actuais, a Caramelo vê-se, assim, obrigada a uma reestruturação profunda que garanta a sua sustentabilidade futura. Uma estratégia defendida pela Inveravante, empresa que em Janeiro último tomou o controlo accionista da marca galega ao aumentar a sua posição dos 37,7% para os 92,5%, e que continua a acreditar na viabilidade do projecto.