Caraíbas e China lutam pelo mercado norte-americano

Desde o inicio do ano que os países do CBI (Caribbean Basin Initiative) têm registado perdas na quota do mercado norte-americano de vestuário. As importações de vestuário nos EUA com origem nestes países, localizados na região das Caraíbas, registaram uma quebra de 4,18% em termos de volume ao longo do período de Janeiro a Julho, enquanto que as importações com origem na China registaram uma subida de 26%.Quando analisada a evolução registada ao longos dos últimos anos, em 2001 as importações norte-americanas com origem na região eram 3,65 vezes superiores às importações com origem na China. Nos primeiros seis meses de 2004, o volume das importações com origem nas Caraíbas representou apenas 40% do total das importações com origem na China.No caso do mercado do vestuário em algodão, os exportadores das Caraíbas ainda dominam os concorrentes chineses, apesar da sua quota estar a diminuir relativamente à China. No que diz respeito ao vestuário de lã e fibras não-naturais, o valor das importações norte-americanas com origem nos países do CBI está aquém do registado pelos exportadores chineses.Apesar de beneficiarem do acesso isento de taxas ao Mercado norte-americano, as exportações com origem no CBI registaram uma evolução negativa pela eliminação de diversas quotas dos EUA, a partir do dia 1 de Janeiro de 2002.Relativamente às exportações com origem na China, as exportações com origem na região do CBI registaram quebras acentuadas na categoria 350 (vestidos de noite de algodão e pijamas) por exemplo. Nesta categoria, a relação entre as exportações com origem no CBI e as com origem na China foi de 233% em 2001, enquanto que nos primeiros meses de 2004, o peso relativo das exportações com origem no CBI foi de apenas 20%, relativamente à China.Na categoria 350, os preços da China registaram uma quebra acentuada, durante este período, com o preço médio unitário a registar uma quebra dos 86,43 dólares por dúzia em 2001 para os 39,30 dólares por dúzia entre os meses de Janeiro e Julho de 2004. Os preços do CBI registaram uma quebra dos 48,87 dólares por dúzia para os 37,55 dólares durante igual período de tempo.Na categoria 239 (vestuário de bebé), a eliminação das quotas resultou em igual quebra no desempenho do CBI relativamente à China, passando a relação entre os dois blocos dos 378% para apenas 11%. Nesta categoria, os preços da China caíram dos 37,32 dólares por quilo para os 14,59 dólares por quilo, enquanto os preços do CBI registaram uma quebra ligeira, passando dos 15,48 dólares para os 14,13 dólares por quilo.Contrastando com as categorias não abrangidas pelas quotas de importação, nas categorias em que as quotas se mantiveram os países do CBI melhoraram a sua posição competitiva.Na categoria 338 (camisas de malha de algodão para homem e criança) por exemplo, as exportações do CBI foram 4.289 vezes superiores às da China em 2001, aumentando para as 6.000 vezes superior às chinesas no período de Janeiro a Julho de 2004.No entanto, em termos de valor, as exportações do CBI na categoria 338, entre Janeiro e Julho de 2004, foram apenas 1.677 vezes superiores às importações norte-americanas com origem na China, na medida em que os exportadores chineses privilegiam as gamas mais altas do mercado. Esta diferença deve-se ao facto de que enquanto a América Central estava cada vez mais concentrada na produção de t-shirts brancas, a China optou pela venda de vestuário mais sofisticado, ao abrigo da mesma categoria, como os pólos e outras peças.Com a eliminação das quotas e dos custos associados em menos de 90 dias, prevê-se que os preços de exportação da China diminuam, tendo-se verificado um aumento nas encomendas para entrega em 2005. Sem os custos das quotas, o preço médio unitário das importações norte-americanas com origem na China serão muito menores. No entanto, os preços do CBI poderão manter-se em média significativamente abaixo dos preços da China. As importações dos países do CBI poderão ainda beneficiar do acesso isento de tarifas, caso cumpram com as regras de origem impostas pelo CBTPA (Caribbean Basin Trade Partnership Act).A proximidade ao mercado norte-americano e os menores tempos de resposta são dois pontos fundamentais que influenciam positivamente as vantagens do CBI. No entanto, a diminuição nos preços da China vai provavelmente ultrapassar o valor associado com os custos das quotas, à semelhança do que já se verificou em 2002.