Canal do Panamá mantém restrições até abril

A entidade gestora do tráfego no canal que liga o Oceano Atlântico ao Oceano Pacífico revelou que deverão continuar a passar apenas 24 navios por dia em vez dos habituais 36, uma situação que será reavaliada dentro de dois meses.

[©Autoridad del Canal de Panamá]

A seca severa do ano passado obrigou o Canal do Panamá a reduzir o número de navios autorizados a passar diariamente no estreito, mas as chuvas que caíram no último trimestre do ano permitiram que não fossem agravadas as restrições.

Nos últimos meses, os ataques a navios no Mar Vermelho levaram a que muitos transportadores optassem por rotas mais longas de e para a Ásia, aumentando a necessidade de passagem pelo Canal do Panamá, explica Ilya Espino, vice-administradora do Canal de Panamá, à Reuters. «Pelo menos até abril, vamos manter 24 passagens autorizadas por dia», afirma.

Se a chuva chegar em maio, tal como esperado, o canal deverá aumentar progressivamente as passagens diárias, tendo como objetivo regressar aos cerca de 36 navios por dia, o número habitual durante a época de chuva. Se, pelo contrário, a pluviosidade ficar aquém do esperado, a autoridade poderá aplicar novas restrições para a passagem diária ou para a profundidade máxima dos navios.

«Se a chuva não começar em maio, vamos avaliar novamente se reduzimos o trânsito em um ou dois navios por mês ou se reduzimos a profundidade máxima do navio para 43 pés [cerca de 13 metros]», acrescenta. A entidade está ainda a monitorizar a evaporação dos reservatórios de água durante a época seca.

O Canal do Panamá atualmente permite navios com uma profundidade máxima de 44 pés, com a autoridade a evitar mexer nesse número porque isso faria com que muitos navios tivessem de reduzir as suas cargas, tornando o transporte de algumas mercadorias não lucrativo.

Os navios de contentores têm prioridade na passagem no Canal do Panamá, mas as restrições ao trânsito em vigor desde o ano passado afetaram outras categorias, sobretudo graneleiros (navios que transportam mercadorias como grãos, cimento ou carvão, por exemplo).

A necessidade de preservar os níveis de água nos reservatórios que alimentam o canal não permitiu que conseguisse absorver a procura cada vez maior que está a emergir do Mar Vermelho, onde os ataques dos Huthis estão a levar a que os navios deixem de passar através do Canal do Suez, a via marítima mais movimentada, segundo Ilya Espino. «Devido aos problemas no Mar Vermelho, muitas pessoas forçadas a tomar vias alternativas tentaram recorrer ao Panamá, mas não tem sido possível», refere à Reuters, acrescentando que os graneleiros têm sido os mais afetados.

A vice-administradora indica que o aumento da procura na Europa por gás natural liquefeito dos EUA reduziu a necessidade deste tipo de navio passar pelo Panamá desde 2022, mas que essa situação pode mudar se os exportadores americanos tiverem incentivos de preço para fazer envios para a Ásia.

Devido às restrições do tráfego, a Autoridad del Canal de Panamá prevê uma queda de até 700 milhões de dólares no volume de negócios do atual ano fiscal, que termina em setembro. Em 2024, o Canal do Panamá poderá perder um total de 1.500 navios que passariam em condições normais, resume Ilya Espino.