Camboja revê salário mínimo

O salário mínimo para os trabalhadores das indústrias de vestuário, calçado e artigos de viagem do Camboja vai subir para 204 dólares por mês em 2024, mas nem todos os trabalhadores do vestuário estão satisfeitos.

[©Council for the Development of Cambodia]

Segundo o jornal The Phnom Penh Post, citado pelo Just Style, a decisão do Conselho Nacional para o Salário Mínimo surgiu depois de terem falhado 20 rondas de negociação independentes para tentar encontrar um acordo unânime. Os representantes do governo e dos patrões queriam um aumento para os 202 dólares, enquanto os sindicatos exigiam 213 dólares.

O novo salário mínimo deverá entrar em vigor em janeiro de 2024, com os trabalhadores a tempo inteiro a receberem 204 dólares e os que estão à experiência a receberem 202 dólares por mês.

Tendo em conta outros bónus e subsídios como os 10 dólares extra por assiduidade e os 7 dólares para transporte e renda, cada trabalhador deverá ganhar entre 221 dólares e 232 dólares mensais, de acordo com o The Phnom Penh Post.

«Tenho seguido de muito perto, desde o início, as discussões do salário mínimo. A melhoria da vida das pessoas, incluindo dos trabalhadores do vestuário, é a principal prioridade do governo. Com base nos subsídios existentes, decidi acrescentar 2 dólares ao resultado da votação. Como tal, o novo salário mínimo em 2024 será de 204 dólares por mês», anunciou o Primeiro-Ministro do Camboja, Hun Manet.

Este valor representa um aumento face aos 200 dólares estabelecidos em 2023, que também incluía um contributo de 2 dólares do então Primeiro-Ministro Hun Sen.

Um estudo publicado em setembro intitulado “Stitch under Strain: Long term wage loss across the Cambodian garment industry” alega que a indústria da moda mundial está a pôr o lucro acima dos direitos dos trabalhadores do vestuário do Camboja, com pelo menos um quarto dos trabalhadores inquiridos a reportarem uma descida de 25% no valor que levam para casa em comparação com 2020, apesar do salário mínimo legal ter subido 10 dólares entre 2020 e 2023.

No início de setembro, a Nike foi incitada pelos seus investidores a pagar aos seus trabalhadores na indústria do vestuário no Camboja 2,2 milhões de dólares em salários e benefícios não pagos desde 2020.

Isto depois da Nike, juntamente com o seu fornecedor Ramatex Group, ter sido acusada pela Human Rights Watch e a Clean Clothes Campaign em julho de dever 1,4 milhões de dólares em compensações aos seus trabalhadores no Camboja.

Ao The Phnom Penh Post, Kim Chan Samnang, representante sindical e outros membros do sindicato afirmaram concordar com os resultados, sublinhando que foi determinado após a avaliação de sete indicadores, com particular atenção à concorrência nos países vizinhos.

Já Vich Seng Van, que trabalha numa fábrica na província de Kampong Cham, considera que o aumento salarial é insuficiente. Ao mesmo jornal, referiu que esperava um aumento maior. «Um aumento inferior a 10 dólares é pouco, poque só tem em conta o salário mínimo, sem considerar as horas extraordinárias que fazemos para termos mais rendimento. Além disso, o preço de muitos bens está a aumentar», afirmou, acrescentando, no entanto, que aceita o número porque acredita que o governo está a dar prioridade ao bem-estar dos funcionários.