Calvin Klein em mudanças

O grupo americano Philips-Van Heusen, novo proprietário, prossegue a reorganização das licenças da marca nova-iorquina Calvin Klein. Em particular, a produção da linha Collection acaba de ser confiada à empresa italiana Fingen Spa, em subsituação de Vestimenta, liquidada há algumas semanas. A Calvin Klein Collection é a linha mais cara e mais sofisticada da marca, vendida essencialmente em 25 lojas americanas e com um volume de negócios de cerca de 8 milhões de euros.

A Vestimenta tinha já merecido severas críticas devido a entregas tardias que obrigaram a marca a recorrer a artesões nova-iorquinos para ter a sua colecção pronta para a Semana da Moda do outro lado do Atlântico. A luta contra o relógio acabou por ser ganha. O desfile foi bastante aplaudido e a imprensa americana considerou esta colecção de Francesco Costa como a sua melhor obra-prima desde que segura a pena de desenho na Calvin Klein.

A Fingen, também licenciada pela marca francesa Jean Paul Gaultier e com uma facturação no último ano fiscal de 260 milhões de euros, é uma parceira de longa data da marca americana. A empresa italiana, dirigida pelos irmãos Corrado e Marcello Fratini, detinha já a licença da Calvin Klein Jeans para a Europa e Ásia e ck Calvin Klein, menos alta gama que Collection, para a Europa e Médio Oriente. O acordo relativo à Collection engloba os segmentos homem, senhora e acessórios para o mundo inteiro. A Calvin Klein conserva, como já é seu hábito, o controlo da criação e do marketing.

Paralelamente, a Calvin Klein estabeleceu um acordo de licença com a americana GIII para a produção e a distribuição dos tailleurs femininos para a América do Norte. Os novos tailleurs para a Primavera 2006 estarão nas montras das lojas americanas, canadianas e mexicanas já a partir de Fevereiro. Os casacos, calças e saias em lã ou mistura de linho-algodão serão vendidos a preços superiores a 240 euros.

Uma equipa de estilistas da GIII inspirar-se-á das colecções passadas da Calvin Klein para criar produtos destinados ao universo profissional. «Será uma colecção muito clean, muito americana, muito calvinista», explica Jonathan Elias, responsável pela divisão tailleurs na GIII.

A linha estará disponível para já em 300 pontos de venda, mas até ao final do próximo ano a GIII espera atingir as 800 boutiques multimarcas e grandes cadeias da América do Norte. A licença para a Europa não está ainda em cima da mesa, mas a empresa americana mostra-se eventualmente interessada.

A GIII era já parceira da Calvin Klein. No último Verão, a empresa comprou, por 21,5 milhões de euros, as sociedades Winlit e Marvin Richards, esta última detentora da licença de sobretudos e casacos da Calvin Klein para homem e senhora. «Estamos muito contentes com este nosso licenciado, e esperamos desenvolver ainda mais as nossas relações e os nossos negócios conjuntos», declara Tom Murry, presidente da Calvin Klein Inc.

A GIII tem já uma larga experiência em licenças. A empresa, que espera atingir os 267 milhões de euros de volume de negócios no final do corrente ano, trabalha já com Tommy Hilfiger, Bcbg, Kenneth Cole, etc. «O nosso objectivo é ser um grupo diversificado que abarque todas as estações», sublinha o seu presidente Sammy Aaron.