Calor retira milhões ao retalho

Apesar da previsão de uma descida das temperaturas nas próximas semanas, a meteorologia do último mês prejudicou as vendas de vestuário, que se refletiram nas retalhistas cotadas na Bolsa de Valores.

[©Marks & Spencer]

Há novas evidências a partir do FTSE 100 de quão vulneráveis estão os retalhistas devido à imprevisibilidade das condições meteorológicas.

A Next e a Marks & Spencer viram o valor das suas ações cair, retirando mais de 500 milhões de libras (cerca de 578 milhões de euros) da capitalização das empresas no mercado, com os analistas a mostrarem-se preocupados com o impacto das temperaturas anormalmente altas, refere a Bloomberg.

A JD Sports e a Associated British Foods, que detém a Primark, também registaram uma queda no mercado, de acordo com a Bloomberg, enquanto o FTSE 350 Retailers Index caiu para o valor mais baixo dos últimos três meses.

«Sabe-se que o tempo anormalmente quente em setembro e outubro até agora não ajuda os retalhistas de vestuário numa altura em que estão a lançar os produtos de outono/inverno», aponta Georgina Johanan, analista da JP Morgan Chase & Co, numa nota aos clientes.

O período de vendas da estação fria no Reino Unido é relativamente curto e um mau início de estação pode levar a promoções antecipadas, refere, o que coloca a Next e a Associated British Foods em vigilância negativa. As ações da Next e da M&S caíram 4% na passada segunda-feira, indica a Bloomberg.

Depois do tempo quente no verão ter impulsionado as vendas a retalho, as marcas de moda da high street estão agora a sentir dificuldades com o mês de outubro mais quente em anos. Os consumidores continuam a usar vestidos de verão e sandálias em vez de gastarem em casacos, vestuário em malha e botas.

No mês passado, a Next reviu em alta as suas previsões de lucro pela terceira vez consecutiva, depois dos aumentos salariais ligados à inflação e o tempo mais quente no início do verão terem levado as pessoas a comprar mais roupa. A AB Foods espera que a Primark seja mais rentável no próximo ano e a M&S indicou que a sua divisão de vestuário está a ganhar quota de mercado.

A pressão, refere a Bloomberg, está agora sobre os retalhistas, à medida que se aproxima a época crucial de Natal. Segundo Georgina Johanan, «ainda não há sinos a tocar, apenas campainhas de alarme».