Calçado sem crise

Nesta fase de abrandamento do consumo, Portugal conseguiu resultados mais vantajosos do que concorrentes como a Itália e a Espanha. No primeiro semestre de 2002 as exportações de calçado português para a Europa no fixaram-se nos 691,8 milhões de euros, o que representa uma ligeira descida de 0,1% em comparação com o mesmo período do ano passado. Também a quantidade desceu 1,5% ao ficar-se pelos 41,3 milhões de pares de sapatos. Já as importações atingiram os 105,9 milhões de euros (10,8 milhões de pares de sapatos), um aumento de 18,4%. Apesar das exportações ainda cobrirem as importações, estas últimas têm vindo a aumentar. A APICCAPS adianta que mesmo tendo em conta a difícil conjuntura económica, o sector tem conseguido uma performance positiva, “evidenciando uma trajectória de ascensão na cadeia de valor”. O porta voz da associação refere que os nossos principais concorrentes – a Itália e a Espanha – viram as suas exportações baixarem 18% e 6%, respectivamente. A Alemanha, que continua a ser o principal cliente do calçado ‘made in Portugal’, no primeiro semestre assegurou vendas na ordem 203,3 milhões de euros, um crescimento de 5,66% em relação ao período homólogo. Em termos de quantidade, o aumento foi de 5,29%, atingindo os 11,797 milhões de pares de sapatos. Logo atrás da Alemanha encontra-se a França com encomendas que ultrapassam os 169,7 milhões de euros, o que representa 9,426 milhões de pares de sapatos. No Reino Unido, o volume de vendas desceu 4,29% em termos homólogos, sendo que as exportações para este destino não foram além dos 144,4 milhões de euros (8,402 milhões de pares de sapatos). A APICCAPS explica que “este mercado registou uma queda de 23,2% na compra de calçado de todo o mundo”. E tendo em conta que estes três mercado são os mais exigentes de toda a Europa, a associação de calçado diz-se satisfeita com os resultados. Nas posições seguintes encontramos a Holanda, a Espanha e os Estados Unidos. Destes o que registou o maior crescimento foi a vizinha Espanha. Apesar do valor das encomendas ser ainda pequeno, situando-se nos 27,7 milhões de euros, este é o mercado onde o sector concentra mais atenções, dado o potencial de crescimento. No primeiro semestre do ano, as exportações para “nuestros hermanos” registaram um aumento de 44,48% em relação ao mesmo período de 2001. O volume de vendas rondou os 27,7 milhões de euros, representando 3,118 milhões de pares de sapatos.