Cachecol camaleónico

Um cachecol que combina com qualquer peça de vestuário é o milagre realizado pelo japonês Akira Wakita da Universidade de Keio, em Tóquio. Coloque uma camisa azul, e o cachecol adquire o mesmo tom. Vista um casaco verde, e o cachecol vira verde. A magia é obtida graças a sensores que detectam a cor da peça de vestuário junto ao cachecol e enviam a informação para um minúsculo microcomputador integrado no mesmo. Os sinais são então transmitidos para milhares de pequeníssimos LEDs (Light Emitting Diodes) e milhares de fibras ópticas que começam a irradiar a mesma cor do vestuário do portador. Os píxeis contendo os LEDs vermelhos, azuis e verdes encontram-se inter-tecidos no próprio cachecol, onde a regulação da luminosidade de cada um permite obter uma tonalidade global diferente. A cor original deste cachecol camaleónico é o preto. Trata-se de uma tecnologia que Akira Wakita designa de “Wearable Synthesis” (Síntese Vestível), e que pode ser aplicada «desde chapéus a bolsas, e certamente que podemos satisfazer os múltiplos gostos colorísticos dos seus utilizadores». O conceito subjacente à “Síntese Vestível” é que peças de vestuário modulares podem utilizar sensores de input e output, actuadores e processadores para comunicar vários sinais, conservando ao mesmo tempo um apurado sentido estético. «Na ausência de regulação, o microcomputador do cachecol está programado para mudar para a cor coordenativa dos dados introduzidos», explica o seu inventor. Isto significa que se o utilizador está vestido de azul-escuro, por exemplo, o cachecol adoptará instintivamente uma tonalidade azul clara para combinação. «A coordenação de cores é estabelecida automaticamente», sublinha. Todavia, se as fantasias do utilizador vão ainda mais longe, o computador do cachecol pode ser configurado para combinações mais inusitadas. «Teoricamente, podemos gerar até 4.000 cores, mas as diferenças podem não ser perceptíveis ao olho humano», afirma Wakita. A equipa dirigida por Akira Wakita também desenvolveu uma camisa que altera a sua cor de azul para vermelho em função da temperatura corporal do seu portador. «O objectivo é acrescentar novas mais-valias aos artigos de moda, integrando-lhes as mais avançadas tecnologias de informação», sustenta o criador do vestuário camaleónico.