Burberry quer cidades de topo

A directora-executiva Angela Ahrendts revelou que a empresa, que produz gabardines e artigos em pele há cerca de 155 anos, fez 60% do volume de negócios no retalho em 25 cidades onde vivem os mais ricos do mundo e atraem um elevado número de turistas. «Esses 25 mercados de topo estão muito mais protegidos durante uma recessão», afirmou, após a Burberry ter superado as previsões, com um aumento de 26% no lucro do primeiro semestre. Ahrendts indicou que a Burberry, que respondeu rapidamente à recessão de 2008/2009 reduzindo os postos de trabalho e os níveis de stocks, está pronta a reagir novamente se houver sinais de abrandamento. Para já, mantém-se focada nos planos de expansão, que incluem a abertura de 8 a 10 lojas no segundo semestre deste ano fiscal. «Sabemos exactamente que trunfos devemos usar se precisarmos. Mas, honestamente, não estamos muito centrados nisso», declarou. «Agora estamos extremamente focados em optimizar o dinamismo da marca que temos em todo o mundo e o crescimento do sector do luxo, que deverá aumentar mais 10% este ano», acrescentou. As acções das empresas de luxo balançaram nos últimos meses entre sinais de um abrandamento no crescimento económico da China – o motor da recente forte procura por artigos de luxo – e receios de que a crise da Zona Euro possa arrastar o mundo de novo para a recessão. No entanto, os resultados fortes, apresentados nas últimas semanas, dos “pesos pesados” da indústria, como a Hermès, Hugo Boss, LVMH e PPR, acalmaram os analistas e o mercado. A Burberry, conhecida pelo seu xadrez em preto, vermelho e camel, registou um lucro bruto de 162 milhões de libras (cerca de 189,3 milhões de euros) nos seis meses até Setembro, em comparação com uma previsão de 159 milhões de libras da sondagem da Reuters. No mês passado, o grupo tinha já ultrapassado as expectativas com um aumento de 29% do volume de negócios no segundo trimestre. A directora financeira Stacey Cartwright afirmou que a Burberry está em melhor posição para lidar com qualquer recessão económica do que há três anos, porque tem um melhor sistema de encomendas, o que significa que não necessita de níveis elevados de stocks. O grupo planeia aumentar a área de venda em cerca de 15% no segundo semestre, incluindo novas lojas em Paris, China e América Latina.