Bulgária perde produção no vestuário

Se, por um lado, a eliminação de restrições alfandegárias trouxe novos negócios para o país, a subida dos custos de vida e a emigração, por outro, têm resultado na perda de mão-de-obra. A indústria têxtil e de vestuário da Bulgária é um dos sectores industriais mais importantes do país, possuindo uma posição de relevo também no espaço comunitário. Ao longo de 2006, as exportações de têxteis e vestuário representaram perto de 25 por cento do total das exportações búlgaras, atingindo um total de 1,7 mil milhões de euros. Cerca de 86 por cento destas exportações foram destinadas aos 25 Estados-membros. O número de empregados também ocupa uma posição de destaque. Durante o período de 2005-2006, a indústria têxtil e de vestuário empregava mais de 177.000 trabalhadores em 2.000 empresas, o que corresponde a cerca de 31 por cento da força laboral da indústria no país. Apesar da incerteza que existe nos dados oficiais, de acordo com o gabinete de estatística da Bulgária, ao longo do primeiro semestre de 2007, as exportações de vestuário registaram uma quebra de15,6 por cento. Também as importações de têxteis diminuíram, registando uma quebra de 6 por cento, na medida em que a maior parte das empresas apenas realiza as operações de corte, confecção e acabamento. Diversos países que recentemente se juntaram à UE registaram uma diminuição no sector de vestuário, principalmente devido à emigração da força laboral e à exigência de melhores salários por parte dos que permaneceram no país. Este cenário também se está a verificar na Bulgária. Em relação ao volume de exportações destinado ao mercado comunitário, a quota aumentou ao longo de 2007 para os 88,6 por cento, sendo de 86,1 por cento em 2006 e de 83 por cento em 2005. O número de trabalhadores decresceu para os 163.657, o que representa uma quebra de 7,6 por cento em relação aos dados de 2005-2006, enquanto que os salários aumentaram 16,9 por cento no primeiro semestre do ano. Apesar da maior facilidade e celeridade nas alfândegas, que despertou o interesse de novos clientes, e da melhoria ao nível das infra-estruturas, fruto dos fundos comunitários, a emigração de trabalhadores para Espanha, Portugal, Grécia e Reino Unido tem prejudicado a capacidade produtiva da Bulgária. Ou seja, apesar das empresas possuírem diversas encomendas, não existem trabalhadores suficientes para garantir a produção. No entanto, a Bulgária tem atraído encomendas para a produção de séries curtas, com mudanças rápidas, elevada qualidade e valor acrescentado elevado, destinadas a marcas de renome. Estas encomendas são destinadas à UE e não podem ser providenciadas pela China. Isto significa que, apesar da quebra ao nível do volume de exportação, o valor não deverá registar uma evolução semelhante, devido ao preço superior dos artigos de elevado valor acrescentado. É provável que esta tendência seja contrariada com o amadurecimento da economia búlgara. Os salários estão a aumentar e o custo de vida já subiu cerca de 8 por cento ao longo do primeiro semestre do ano, tendências que deverão manter-se. Por outro lado, o sector do retalho encontra-se subvalorizado. As marcas locais são populares e as empresas começam a aperceber-se que conseguem gerar mais lucro com a venda ao consumidor final, do que na realização das operações de corte e costura para terceiros. Para além das potencialidades no retalho, o governo está a planear a diminuição dos impostos, de forma a contrabalançar os aumentos salariais.