Britânicos restringem compras de vestuário

O aumento do custo de vida, que tem levado a uma maior contenção por parte dos consumidores, provocou o abrandamento das vendas a retalho no Reino Unido, onde as temperaturas mais amenas afetaram a procura por vestuário de inverno.

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De acordo com o British Retail Consortium (BRC), as vendas a retalho no Reino Unido subiram 1,2% em termos anuais em janeiro, em comparação com um crescimento de 4,2% registado em janeiro de 2023. O crescimento no último mês ficou abaixo do aumento médio trimestral de 1,9% e abaixo do crescimento médio anual de 3,4%.

Já o retalho de artigos não-alimentares, que incluem as vendas de vestuário, baixaram 1,8% em termos anuais nos três meses até janeiro, em comparação com igual período do ano anterior. O BRC destaca que o declínio é mais acentuado do que o registado na média anual, que se cifrou em 0,5%.

Nos três meses até janeiro de 2024, as vendas de bens não-alimentares registaram uma quebra de 1,5% em termos anuais, em comparação com o crescimento de 7,2% nos três meses terminado em janeiro de 2023.

Tendo em conta apenas o mês de janeiro, as vendas online de bens não-alimentares baixaram 4,2%, em comparação com a descida de 4,1% em janeiro de 2023. Esta queda foi mais pronunciada que a diminuição de 2,3% no trimestre e de 2,8% em termos anuais.

Segundo Helen Dickinson, diretora-executiva do BRC, «a diminuição da inflação e a fraca procura dos consumidores levaram a um abrandamento do crescimento das vendas a retalho. Embora os saldos de janeiro tenham ajudado a impulsionar os gastos nas primeiras duas semanas, isso não se sustentou ao longo do mês». As compras maiores, como mobiliário, eletrodomésticos e produtos elétricos, permaneceram fracas, em resposta à continuação do elevado custo de vida.

Já as temperaturas mais amenas, que tinham afetado também os resultados de setembro, «fizeram com que as vendas de vestuário tivessem um desempenho fraco, especialmente vestuário e calçado de inverno», resume Helen Dickinson.

Linda Ellett, responsável de mercados de consumo, lazer e retalho da KPMG no Reino Unido, acrescenta que «pode ser um novo ano, mas a ressaca da baixa confiança do consumidor permanece, com as vendas no retalho a crescerem apenas 1,7% na high street e com os retalhistas online a registarem mais um mês de desempenho negativo das vendas».

Embora com sinais de melhoria em termos económicos, nomeadamente a redução das taxas de juro, «continua a ser um ambiente difícil para os retalhistas, que estão a enfrentar pressões negativas sobre a procura, um ambiente muito forte nas promoções e incerteza a afetar as cadeias de aprovisionamento devido às crescentes tensões geopolíticas», acredita Linda Ellett.