Britânicos procuram vestuário mais barato

Um inquérito recente da GlobalData a consumidores britânicos sugere que a pressão causada pela inflação está a levar a uma maior polarização no mercado de vestuário do Reino Unido.

[©Pixabay-Kai Pilger]

No ano passado, 22% dos consumidores trocaram para vestuário mais barato, enquanto 66,4% ainda compram as marcas e nos retalhistas habituais, indica a GlobalData, citada pelo Just Style.

Apenas 11,6% dos consumidores do Reino Unido trocaram para marcas de vestuário mais caras, embora para consumidores com menos de 35 anos esse número suba para 22,1%.

A GlobalData entrevistou 2.000 consumidores do Reino Unido em junho de 2024 que compraram vestuário, calçado e/ou acessórios nos últimos 12 meses.

Apenas 6,8% das pessoas com mais de 35 anos trocaram para marcas e retalhistas mais caros. Segundo a GlobalData, os consumidores mais jovens, que tendem a optar por marcas mais baratas, têm maior margem para trocar de marca do que os grupos demográficos mais velhos.

Entre os consumidores do Reino Unido com mais de 55 anos, que tendem a ser menos impactados pela pressão da inflação, 81,5% continuaram a comprar com as mesmas marcas e retalhistas nos últimos 12 meses. No entanto, a GlobalData apontou que há pouca oferta para esse grupo demográfico, deixando-os com menos opções de marcas para mudar.

O motivo mais comum dado pelos consumidores para trocar para marcas de vestuário mais baratas foi o desejo de economizar dinheiro, com 75,8% dos que trocaram para marcas mais baratas a citarem essa motivação. Mais de um terço (35%) dos que trocaram para marcas mais baratas disseram que foi devido a uma redução no rendimento disponível, demonstrando o impacto da inflação nos orçamentos de moda. 15% dos consumidores estavam a reduzir os seus orçamentos para moda, dando prioridade a outras áreas.

A maior oferta de retalhistas e marcas mais baratas também foi um fator, com 14,9% a escolher opções mais baratas para obter mais variedade. A GlobalData sugere que a ascensão da gigante da moda ultrarrápida Shein, que lista milhares de novos produtos todos os dias, terá impulsionado esses números.

No entanto, também houve uma tendência para produtos de melhor qualidade e maior durabilidade, com 37,6% dos compradores de marcas mais caras a tentar reduzir o custo por uso das peças e 21,2% a procurar “artigos básicos”.

A GlobalData realça que até as marcas de vestuário direcionadas para o preço e para o mercado de massas podem capitalizar essa tendência, citando a coleção-cápsula de sucesso da retalhista britânica M&S e a linha premium George at Asda, lançada em outubro de 2023.

Em 2025, a GlobalData espera que 70,5% dos consumidores continuem com as mesmas marcas, com menos consumidores a optarem por trocar para marcas mais baratas e um pouco mais a optarem por comprar marcas mais caras, à medida que a inflação começa a diminuir no Reino Unido.

Consumidores com idade entre 25 e 34 anos estão mais propensos a comprar vestuário de melhor qualidade do que de menor qualidade no ano que vem, à medida que a tendência de guarda-roupas cápsula está a ganhar força nas redes sociais.