Britânicos compram menos roupa no supermercado

Uma análise da GlobalData sugere que a quota dos supermercados no mercado de vestuário do Reino Unido caiu, numa altura em que os consumidores estão mais seletivos e a reduzir o consumo de bens não essenciais.

Entre 2021 e 2023, a participação dos quatro grandes supermercados do Reino Unido no mercado de vestuário do país caiu 1,6%, de 8,4% para 6,7%.

Segundo a GlobalData, citada pelo Just Style, o aumento do custo dos alimentos fez com que os consumidores britânicos reduzissem o consumo de produtos não essenciais, com muitos a «ignorarem totalmente o corredor do vestuário» nos supermercados.

Alice Price, analista de vestuário da GlobalData, destaca que os consumidores também estão a tornar-se mais exigentes em relação às compras de moda, afastando-os dos supermercados, que geralmente são vistos como opções menos elegantes.

«Estas perceções negativas da moda prejudicam especialmente a sua atratividade entre os consumidores mais jovens, que representam um grupo demográfico particularmente lucrativo no meio da crise do custo de vida, uma vez que o seu desejo de continuar a atualizar os seus guarda-roupas significa que são menos propensos a reduzir as compras de vestuário. Os supermercados também foram afetados pelos consumidores que optaram por marcas de moda mais caras, com muitos a dar agora prioridade a produtos de maior qualidade, que oferecem uma melhor relação qualidade/preço», acrescenta Alice Price.

O supermercado britânico Asda, detido pelo Walmart, teve o desempenho mais forte entre os quatro maiores supermercados, com a receita da sua marca de vestuário George at Asda a aumentar 3,4% até 31 de dezembro de 2023. Para o primeiro trimestre de 2024, a Asda já reportou um crescimento de 3% nas vendas em comparação com 2023.

A analista de vestuário da GlobalData atribui o incremento às parcerias da Asda com estrelas de reality shows e ao facto da sua loja online ter tido um desempenho melhor do que os supermercados rivais.

Em contrapartida, a Tesco fechou o seu site dedicado a vestuário e artigos para a casa em 2021. O supermercado também pôs fim ao acordo que tinha com a Next em 2023. Como resultado, a receita da marca de vestuário e casa F&F caiu 3,4% no ano até 24 de fevereiro de 2024.

Também a Sainsbury’s viu as suas vendas de vestuário baixar 6,4% no ano até 2 de março de 2024, apesar do lançamento de marcas de terceiros, como a Simply Be e a Little Mistress. Alice Price acredita que o preço elevado das marcas de terceiros não tenha conseguido atrair os clientes da Sainsbury.

Em fevereiro deste ano, a Sainsbury’s anunciou que vai reduzir o espaço em loja dedicado a vestuário para dar lugar a mais produtos alimentares. A Sainsbury’s indicou ainda que os produtos generalistas e o vestuário dentro das suas lojas vão ficar mais alinhados com as missões de mercearia dos clientes no futuro, numa tentativa de garantir que as gamas sejam «mais relevantes e desejáveis».

A Morrisons, que obtém receitas muito inferiores com as suas gamas de vestuário do que os seus rivais, anunciou planos para descontinuar a loja online da marca Nutmeg. Alice Price considera que a empresa deve concentrar-se em linhas essenciais e roupa de criança e destacar a relação custo-benefício da linha, para atrair «os compradores sem dinheiro» durante a atual crise do custo de vida.