Britânicos compram mais em agosto

A pressão causada pela inflação parece não estar a afetar profundamente os consumidores do Reino Unido, que em agosto regressaram às compras, especialmente nas lojas físicas.

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As vendas a retalho recuperaram parcialmente em agosto, depois do mês de julho chuvoso ter afetado as compras, de acordo com os dados revelados na passada sexta-feira, que mostram que os consumidores do país estão a lidar com a pressão económica sobre o rendimento disponível.

O volume de vendas subiu 0,4% em termos mensais, depois de uma queda acentuada de 1,1% em julho, de acordo com o instituto nacional de estatística do Reino Unido.

A recuperação foi impulsionada pelas vendas de alimentos e de vestuário, indica Heather Bovill, subdiretora de estudos e indicadores económicos do instituto. «Estes foram contrabalançados parcialmente pelas vendas online, que desceram ligeiramente, já que algumas pessoas regressaram às compras fisicamente após um mês de julho muito molhado. As vendas de combustíveis também baixaram, com o aumento dos preços a afetar a procura», afirmou à Reuters.

A taxa de inflação no Reino Unido manteve-se em 6,7% no mês passado, uma descida de um pico superior a 11% em outubro do ano passado, mas que representa ainda uma das mais altas entre as economias mais ricas do mundo.

No entanto, os dados de agosto representaram a sexta vez em 2023, até ao momento, em que o volume de vendas aumentou em termos mensais, o que, refere a Reuters, sugere resiliência na procura do consumidor.

A empresa de estudos de mercado GfK indicou, também na sexta-feira passada, que o nível de confiança do consumidor era o mais elevado desde janeiro do ano passado.

Mas o impacto da subida constante das taxas de juro pelo Banco de Inglaterra desde dezembro de 2021 ainda não se refletiu completamente e pode afetar o consumo no final de 2023.

Na semana passada, o Banco de Inglaterra interrompeu os aumentos sucessivos dos custos dos empréstimos, afirmando que vê sinais de um abrandamento na economia.

Os volumes de vendas a retalho foram 1,4% mais baixos do que há um ano, indicou o instituto de estatística do país, em comparação com as previsões dos economistas de um declínio de 1,2%. Ainda assim, foi a menor queda comparável desde março de 2022.

Atualizações recentes de grandes retalhistas britânicos foram maioritariamente positivas. A Associated British Foods, que detém a Primark, reviu em alta as suas previsões de lucro, o mesmo que fez a Next.