O vestuário com forte valor acrescentado não é um fenómeno recente. Aliás, este tipo de vestuário tem servido, ao longo do tempo, como uma alternativa viável aos artigos vendidos nas cadeias de gama média e alta, em especial para os consumidores conscientes e preocupados com os seus próprios orçamentos.
Com a crescente percepção das forças e vantagens deste tipo de vestuário, como por exemplo o facto de acompanhar permanentemente a moda, a velocidade em chegar ao mercado e a vasta experiência global em compras, que combinadas com a sua própria competitividade em preços e rapidez de entrega, os retalhistas da área dos produtos de vestuário de valor acrescentado encontram-se claramente em alta, e no Reino Unido este segmento ameaça mesmo o tradicional mercado do vestuário.
Em 2002, este tipo de vestuário, vendido tanto pelos retalhistas especializados, como pelos não-especialistas, totalizou 4,31 mil milhões de libras, mais 18% em relação aos 3,66 mil milhões de libras registados no ano anterior. Se compararmos este crescimento com o aumento de 6,7% nos gastos totais dos britânicos em vestuário e calçado, fica claro que, em muitos casos, os consumidores neste país estão a comprar mais artigos, por valores mais baixos.
De acordo com um estudo recente da Mintel, o mercado de vestuário britânico valerá uns 4,87 mil milhões de libras, em finais de 2003, o que constitui um aumento de 13% em relação a 2002. Ao mesmo tempo, as vendas de vestuário e calçado deverão crescer 12,1% em 2003, o que deve ultrapassar em muito os 3,3% previstos há um ano atrás.
Ainda assim, tendo em conta o aumento dos preços e das rendas de imóveis, os retalhistas mais pequenos terão grandes dificuldades em continuar a prosperar, fazendo com que este mercado passe a ser dominado quase exclusivamente pelos gigantes da distribuição.
Em 2002, a cadeia de supermercados Asda foi o líder destacado no mercado do vestuário de valor acrescentado, no Reino Unido, com a sua marca própria George a conquistar 20,4% deste segmento, superando assim o seu mais directo concorrente, a cadeia Matalan, que assegurou uma quota de 18,8% deste mercado. Na terceira posição posicionou-se outra cadeia de supermercados, o grupo Tesco, com uma quota de 10,8%, enquanto o retalhista de vestuário de preços mais baixos Primark se ficou pelos 10,2%. A quinta posição desta lista ficou no Peacocks Group (9,7%), enquanto a TK Maxx garantiu o sexto lugar, com 9,5% do mercado do vestuário de valor acrescentado.
O que estará, então, na origem desta subida do vestuário de valor acrescentado, mesmo em termos do mercado global do Reino Unido, e que leva vários retalhistas não-especialistas a apostarem neste sector?
Em termos simples, o vestuário barato do passado reinventou-se no que é hoje chamado retalhista de roupa de valor acrescentado, formando assim um novo segmento no mercado da gama média e baixa.
Este segmento, que até há pouco funcionava com base em preços o mais baixos possíveis, encara agora a necessidade de oferecer aos seus cada vez mais atentos e exigentes clientes uma gama mais alargada de experiências comerciais em relação aos seus rivais mais directos. Esta percepção traduz-se numa maior adesão às tendências de moda, a uma maior atenção à qualidade dos artigos, e à concepção de lojas mais atractivas e agradáveis, que não comprometem no entanto as suas estratégias de preços baixos e competitivos.
Em consequência destas mudanças, algumas empresas, que operavam há muito no mercado do vestuário mais económico, têm revelado sérias dificuldades, pelo facto de não conseguirem mudar os seus moldes de funcionamento. Para este fracasso contribuem factores como o controle de qualidade, a logística, a gestão da informação e as tecnologias da informação e comunicação.
À medida que este sector se vai tornando cada vez mai sofisticado, crescem igualmente as necessidades de investimento em sistemas de gestão e operação eficazes, incluindo a armazenagem e computarização, como meios para responder rápida e eficazmente às crescentes exigências dos mercados.










