Breves

  1. Crescimento da economia global abranda
  2. Retalhistas lucram com vendas pós-Natal
  3. Filtros do Instagram já chegaram ao vestuário
  4. Transportes marítimos mais sustentáveis
  5. BCI cria projeto de uniformização de dados
  6. Museu de Londres dedica exposição a bolsas

1. Crescimento da economia global abranda

Depois do crescimento registado ao longo dos últimos dois anos, o comércio global e a produção económica estagnaram este ano, de acordo com os resultados estatísticos de 2019 da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla original). Prevê-se que o comércio de mercadorias diminua 2,4%, para 19 biliões de dólares (17,09 biliões de euros), em 2019, depois de uma subida de 9,7% em 2018 e de 10,7% em 2017. No que diz respeito aos serviços, antecipa-se um aumento de 2,7%, para 6 biliões de dólares, menos 5 pontos percentuais do que em 2018 e 5,2 pontos percentuais em 2017. O produto interno bruto (PIB) está agora previsto crescer apenas 2,3%, menos 0,7% do que no ano passado. De acordo com os registos da empresa analista IHS Markit, existem alguns fatores que deverão impulsionar o aumento do PIB ao longo do primeiro semestre do próximo ano: a recuperação da produção de produtos gerais deverá resultar num aumento do PIB de 0,5%, no primeiro trimestre, assim como a produção dos aviões 737 MAX da Boeing, em abril, deverá impulsionar um crescimento de 0,3% do PIB, no segundo trimestre. A IHS Markit antecipa ainda um aumento do PIB dos EUA de 2,2%, em 2020, de 1,8%, em 2021, e de 1,6% entre 2022 e 2023. «Observamos uma consistência em vários indicadores», que indicam que «a economia global está a desacelerar», declara Steve MacFeely, diretor de estatística da UNCTAD. As exportações subiram 9,7% e atingiram um valor recorde de 19,5 biliões de dólares em 2018. Contudo, os dados atuais indicam que o crescimento deverá estagnar em 2019, com as exportações a diminuírem 2,4%. No sector da logística, o transporte marítimo perdeu o impulso em 2018. Os volumes comerciais marítimos mundiais subiram apenas 2,7%, comparativamente com os 4,7% registados em 2017, enquanto o tráfego de contentores portuários aumentou 4,7%, menos dois pontos percentuais do que no ano anterior. Os dados da UNCTAD apontam ainda que o investimento direto estrangeiro dos EUA foi negativo em 2018. Além disso, evidenciam também o crescente défice comercial de mercadorias no conjunto das economias desenvolvidas, desde 2016, assim como uma expansão ascendente da cadeia de aprovisionamento global de bens pelas economias exportadoras ao longo dos últimos dois anos.

2. Retalhistas lucram com vendas pós-Natal

Denominado por “Chrimbo limbo”, a tendência que consiste na compra por parte de “consumidores egoístas” ou na aquisição tardia dos presentes de Natal representa uma oportunidade lucrativa para os retalhistas, explica a plataforma eBay Advertising do Reino Unido. Nos três dias que se seguiram a 25 de dezembro de 2018, as pesquisas diárias no eBay subiram 62% e permaneceram elevadas até aos últimos dias desse ano. A empresa justifica este crescimento exponencial com base nos “consumidores egoístas” que, desapontados com os presentes que receberam na época natalícia, investem em compras para si próprios. Em 2018, esta prática iniciou-se logo no próprio dia de Natal, com as pesquisas diárias por “Xbox” a aumentarem 71% de um dia para o outro e a crescerem 31% a 26 de dezembro. O mesmo aconteceu com iPhones e carteiras Mulberry, cujas pesquisas registaram subidas de 70% e 85%, no dia 25, e 22% e 33%, no dia 26, respetivamente. Por outro lado, os dados também apontam para um conjunto de compradores tardios, que deixaram os presentes para o período pós-natalício. De facto, em 2018, registou-se uma subida de 47% das pesquisas pelo termo “Natal” no eBay, entre os dias 26 e 28 de dezembro, comparativamente aos três dias que anteciparam o feriado – e as mulheres parecem apresentar um papel mais relevante, com um aumento de 63% nas pesquisas por esta palavra-chave, comparativamente à subida de 26% nos homens. Mike Klinkhammer, diretor de vendas de publicidade para a União Europeia (UE) no eBay, explica que «enquanto descontraem em casa nos dias entre o Natal e o Ano Novo, os britânicos sentem realmente uma disposição para fazer compras – quer procurem ótimos presentes para si próprios, para os seus amigos e familiares, ou simplesmente façam compras para o ano novo». Acrescenta, contudo, que «apesar de ser uma oportunidade brilhante para as marcas se envolverem com consumidores, precisam de ser realmente estratégicas». Pauline Robson, sócia-gerente da empresa MediaCom, argumenta ainda que «a semana que se segue ao Natal é um importante “momento” adicional do retalho para os profissionais de marketing se concentrarem», já que «enquanto as marcas lutam pela atenção do consumidor durante o período de preparação para o Natal, há um bom argumento para distribuir os gastos ao longo do mês de dezembro e reter algum orçamento para o período pós-Natal».

3. Filtros do Instagram já chegaram ao vestuário

A Carlings lançou a t-shirt Last Statement, a primeira que recorre aos filtros do Instagram para criar uma experiência de realidade aumentada no vestuário. De acordo com a marca, a t-shirt incorpora tecnologia NFC (Near Field Communication), permitindo que os filtros disponibilizados pelas redes sociais Instagram e Facebook manipulem a sua superfície. O resultado é uma t-shirt que pode ser filmada ou fotografada e, posteriormente, alterada para reproduzir quaisquer conteúdos disponibilizados pelo filtro de Instagram da Carlings. «A t-shirt Last Statement apoia-se num pilar clássico da rebeldia juvenil e reinventa-a para a época digital», revela a marca, em comunicado. «Através de uma versão personalizada de filtros de Instagram/Facebook, podemos mudar digitalmente o design. Logo, todos os dias, a t-shirt pode mostrar um design animado para variar a mensagem sem a necessidade de se comprar outra t-shirt», continua. Adaptado aos sistemas operativos iOS e Android, a inovação recorre à plataforma de realidade aumentada Spark AR, que se integra diretamente com o Facebook e é responsável pelos filtros e adesivos do Instagram. Aquando do lançamento da novidade, no início de dezembro, a marca disponibilizou quatro filtros e prepara-se agora para apresentar mais dez, em meados de janeiro. A Carlings refere ainda que o Instagram e o Facebook serão para já os parceiros exclusivos deste produto. «A t-shirt Last Statement é apenas o primeiro exemplo de como a realidade aumentada e a alteração digital irão moldar a indústria da moda do futuro», confirma o CEO da marca, Ronny Mikalsen, em comunicado. «A personalização e a customização são duas das maiores tendências de hoje. Estamos curiosos sobre como esta tecnologia nos pode permitir convidar os nossos clientes para participar no processo de design, oferecendo aos artigos uma pós-vida digital depois da compra», continua. Geralmente restringindo-se à Noruega, Suécia e Finlândia, a marca abriu as portas para o mercado internacional para excecionalmente vender a t-shirt, a um preço de 40 euros. Além disso, o produto utiliza algodão certificado pela BCI e, por cada t-shirt vendida, a Carlings doará 10 euros à Wateraid, uma organização sem fins lucrativos focada em fornecer acesso a água limpa.

4. Transportes marítimos mais sustentáveis

A indústria marítima global está a preparar-se para cumprir o regulamento da Organização Marítima Internacional (OMI) que impõe, a partir do início de 2020, a redução do teor máximo de enxofre do combustível marítimo de 3,5% para 0,5%. A exigência faz parte do movimento para minimizar ou eliminar os combustíveis de carbono do sector do transporte marítimo, reformulando combustíveis ou adotando alternativas. O grupo CMA CGM, principal transportador de carga, afirma que o regulamento «deve trazer grandes benefícios à saúde e ao meio ambiente em todo o mundo, incluindo a melhoria da qualidade do ar e a redução dos riscos de acidificação dos oceanos». Contudo, «afeta o sector mundial de transportes marítimos e os custos de transporte deverão aumentar em todo o mundo», confessa. Isabelle Durant, vice-secretária geral da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD, na sigla original), reforça que «a consciencialização ambiental na indústria é verdadeira e sólida». «A coligação “Getting to Zero” é um dos resultados dessa consciencialização», que se compromete a «operacionalizar embarcações de alto mar comercialmente viáveis, que funcionam a combustíveis de zero emissões, até 2030», acrescenta. Nos últimos três anos, uma rede global de centros de cooperação em tecnologia marítima concluiu uma série de projetos-piloto, ajudando a impulsionar as mudanças necessárias para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa provenientes do transporte marítimo. No âmbito do projeto Centros de Cooperação de Tecnologia Marítima Global, financiado pela União Europeia e implementando pela OMI, foram estabelecidos Cinco Centros Regionais de Cooperação em Tecnologia Marítima (MTCCS, na sigla original). Entre eles, contam-se 97 países participantes e 1.179 embarcações para fornecer dados que podem contribuir para a informação e apoio no sentido da melhoria da eficiência energética – alguns stakeholders estão já a realizar auditorias energéticas portuárias e a modernizar embarcações domésticas neste sentido. Petra Doubkova, responsável de políticas do Departamento de Mobilidade e Transporte da Comissão Europeia (DG MOVE) sublinha que, para a descarbonização do transporte, «é necessário um conjunto de medidas que vão desde condições básicas, padrões e inovação até ao financiamento e incentivos económicos». A OMI adotou a sua própria estratégia inicial de redução de emissões de gases com efeito de estufa de navios, que prevê uma diminuição da intensidade de carbono (emissões por unidade de transporte) de pelo menos 40%, até 2030, e de 70% até 2050, comparativamente com 2008. Por sua vez, as empresas Maersk e Wallenius Wilhelmsen juntaram-se à Universidade de Copenhaga e a grandes clientes, como o grupo BMW, H&M, Levi Strauss & Co. e Marks & Spencer, para formar a Coligação LEO Coalition, que visa explorar a viabilidade ambiental e comercial do combustível LEO (uma mistura de lignina e etanol) para transporte – reconhecido como uma solução futura para o transporte sustentável.

5. BCI cria projeto de uniformização de dados

A Better Cotton Initiative (BCI) está a colaborar com a Plataforma Global do Café (GCP, na sigla original), o Conselho Consultivo Internacional do Algodão (ICAC, na sigla original) e a Associação Internacional do Café (OIC, na sigla original) para constituir o Projeto Delta, que visa alinhar a medição e os relatórios sobre o desempenho sustentável ao nível do cultivo ao longo do padrões e commodities regularmente usados. Os grupos observaram que, no sector das commodities, já estavam a ser aplicados vários padrões e iniciativas de sustentabilidade, cujos resultados não podiam ser adequadamente comparados devido à falta de uma coordenação dos dados, dificultando a perceção de uma visão clara da capacidade coletiva desses programas de progredir em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas numa escala global. Além disso, como os padrões e iniciativas de sustentabilidade se concentram em dados e relatórios fidedignos, cada vez mais informação é exigida aos produtores relativamente ao seu desempenho ambiental, social e económico, tornando a recolha de dados mais lenta e dispendiosa, sem necessariamente acrescentar valor aos produtores. «O Projeto Delta induzirá à criação da Estrutura Delta, que visa criar uma abordagem e linguagem comuns para relatórios de sustentabilidade que estejam vinculadas às metas dos ODS”, revela Eliane Augareils, diretora de monitorização e avaliação da BCI. A estrutura apresentará um conjunto comum de indicadores ambientais, sociais e económicos para medir a sustentabilidade nos sectores de algodão e café e fornecerá exemplos de boas e más práticas, ferramentas e informações para facilitar a adaptação, bem como recomendações sobre a forma como as empresas podem comunicar os seus esforços aos respetivos clientes. «Os produtores de café e algodão também poderão usar as informações produzidas para a estrutura para acompanhar o seu próprio progresso, comparar o seu desempenho relativamente aos seus pares e aceder a mais recursos e dados para desenvolver melhores perceções», acrescenta Andreas Terhaer, gestor de tecnologias de informação e processos da GCP. O projeto está a ser financiado pelo fundo de inovação ISEAL, que conta com o apoio da Secretaria de Estado para Assuntos Económicos da Suíça. Norma Tregurtha, diretora de políticas e de expansão do ISEAL releve ainda que o projeto «está a ser preparado para permitir uma maior expansão» a outras commodities.

6. Museu de Londres dedica exposição a bolsas

O museu Victoria and Albert (V&A), de Londres, deverá lançar uma exposição dedicada a bolsas, a 25 de abril do próximo ano. Intitulada por “Bags: Inside Out”, o programa apresenta bolsas características que passaram pelas mãos de várias figuras conhecidas, como Margaret Thatcher a Sarah Jessica Parker, evidenciando o fascínio da sociedade por este acessório de moda. Os destaques incluem uma bolsa para a máscara de gás que pertenceu à Rainha Mary of Teck durante a Segunda Guerra Mundial, a mala vermelha de Winston Churchill e a mala de Vivien Leigh. Também serão apresentados um baú da Louis Vuitton do início dos anos 1900, assim como uma mochila de Stella McCartney, produzida a partir de resíduos plásticos do oceano reciclados, e amostras e protótipos da marca de luxo britânica Mulberry. No total, serão aproximadamente 300 objetos que estarão em exibição, divididos pelas secções “função”, “status e identidade” e “design e produção”. «Esta exposição oferece uma compreensão e uma visão da função, status, design e produção de bolsas em todo o mundo e ao longo da história», defende Lucia Savi, curadora da “Bags: Inside Out “, em comunicado. «Estes acessórios portáteis e funcionais há muito que fascinam homens e mulheres com a sua natureza dupla, que combina o público e o privado. Ao explorar a sua importância contínua nas nossas vidas e, integrada na história do design, a exposição destaca a missão do V&A de iluminar o passado e inspirar os designers do futuro», continua. Esta é a mais recente de várias importantes exposições de moda apresentadas pelo museu, nos últimos anos, onde se incluem “Christian Dior: Designer dos Sonhos” (2018) e “Alexander McQueen: Beleza Selvagem” (2015). A “Bags: Inside Out” é patrocinada pela Mulberry e estará aberta até 31 de janeiro de 2021.