Breves

  1. Vendas da H&M em ascensão
  2. Sindicalistas brasileiras vítimas de assédio
  3. ITV britânica satisfeita com vitória de Boris
  4. Tanzânia explora potencialidades do algodão
  5. Restrições ao comércio atingem valores históricos
  6. Coleção de Virgil Abloh chega ao Louvre

1. Vendas da H&M em ascensão

A H&M registou um aumento das vendas no quarto trimestre e no ano fiscal completo de 2019, refletindo o sucesso do seu esforço contínuo de aplicação da estratégia de transformação da empresa. Num relatório de atualização, o grupo refere que as vendas líquidas do exercício financeiro de 2019 aumentaram 11%, para 232,76 mil milhões de coroas suecas (22,26 mil milhões de euros), face ao ano anterior – em câmbio constante, esta subida situa-se numa taxa de 6%. Durante o quarto trimestre, que terminou a 30 de novembro, as vendas líquidas cresceram para 61,7 mil milhões de coroas suecas, o que significa uma taxa de crescimento de 9% relativamente ao período homólogo de 2018. A retalhista aponta que, comparativamente ao ano passado, as vendas do trimestre saíram prejudicadas por uma Black Friday mais tardias, cujas vendas online só serão contabilizadas no exercício de dezembro, antecipando um total de 500 milhões de coroas suecas. Tendo em conta este valor, as vendas registadas durante o quarto trimestre de 2019 subiriam 20%, ou, a câmbios constante, 6%, relativamente ao período homólogo anterior. Nos últimos meses, a H&M tem vindo a concentrar investimentos nas áreas digitais e de logística como parte da sua estratégia de transformação, que visa afastar-se do retalho físico. Em outubro, o grupo explicou que quer continuar a «otimizar ativamente» o seu portefólio de lojas, antecipando abrir 120 novas lojas no ano completo de 2019 – um registo mais reduzido do que o anteriormente anunciado. A H&M divulgou a estratégia, no início deste ano, para tentar responder às alterações dos padrões de compra dos consumidores, principalmente através do reforço da sua presença online. Além disso, nos últimos meses, a retalhista também conquistou vários avanços na esfera da sustentabilidade, colaborando com o seu departamento de inovação The Laboratory em projetos onde se incluem um teste de aluguer por assinatura na China, a primeira peça de vestuário produzida com um novo tecido sustentável, desenvolvido pela startup Infinited Fiber Company, e um projeto para testar a viabilidade de jeans customizados para a sua marca Weekday. A H&M publicará o relatório anual de 2019 no dia 30 de janeiro de 2020.

2. Sindicalistas brasileiras vítimas de assédio

As mulheres sindicalistas da indústria têxtil e do vestuário do Brasil sofrem de assédio e isolamento, revela um relatório divulgado no início de dezembro. O Instituto de Observatório Social entrevistou cerca de 250 trabalhadoras, ao longo de quatro meses, período durante o qual foram relatados casos de assédio e humilhação no ambiente laboral, com as líderes sindicais destacadas por enfrentarem abusos. O Brasil tem a quarta maior indústria de confeção do mundo, com aproximadamente 1,5 milhões de trabalhadores, na sua maioria do sexo feminino, refere a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confeção (Abit). A investigação focou-se em seis cidades que produzem vestuário e calçado. Para além dos casos generalizados de assédio sexual, descobriu também situações de bullying e fracas condições laborais nas fábricas analisadas. As trabalhadoras que ocupam posições de liderança relataram que «estão sob uma maior supervisão, assim como acontece com todos aqueles que se aproximam de si», indica o estudo. Uma das entrevistadas conta que vários trabalhadores já foram despedidos por lhe dirigirem a palavra. «Não é um caso isolado», sublinha Cida Trajano, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Vestuário, que trabalhou no estudo. «Acontece em vários lugares do país», acrescenta. A investigação foi financiada pela Fundação C&A em parceria com a Thomson Reuters Foundation. A indústria têxtil do Brasil é fragmentada e informal, com milhares de imigrantes subcontratados da Bolívia e do Paraguai. Renato Bignami, inspetor laboral que coordenou um pacto entre organizações anti escravatura e empresas têxteis para promover condições de trabalho justas, afirma que os piores abusos, como servidão por dívidas, são ocultados dos líderes sindicais. «[Nas fábricas] a violência à qual são submetidas as mulheres é significativa», realça.

3. ITV britânica satisfeita com vitória de Boris

A vitória do partido Conservador nas eleições legislativas britânicas foi bem recebida pela Associação de Têxteis e Moda do Reino Unido (UKFT, na sigla original), que agora solicita a participação do novo primeiro ministro, Boris Johnson, em várias questões ligadas à indústria da moda. Com uma maioria parlamentar de 78 lugares na Câmara dos Comuns – a maior registada desde 1987 –, esta vitória significa uma via aberta para avançar com o Brexit até ao dia 31 de janeiro de 2020. «A UKFT fica satisfeita com a certeza que este resultado traz para trabalhar com o novo governo, de modo a auxiliar a indústria têxtil e de moda britânia a continuar a crescer e prosperar», justifica Adam Mansell, CEO da UKFT. «As nossas prioridades para o novo governo envolvem assegurar um acordo do Brexit que minimize a perturbação do comércio, aumentando o apoio aos exportadores, fixando capacidades e um panorama de formação e aumentando o apoio dirigido aos negócios de produção do Reino Unido», reforça. A UKFT exige ainda que «a política de imigração britânica reflita as necessidades das pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo que aumenta o apoio ao empreendedorismo e incentiva o crescimento do negócio. Também trabalharemos com o governo para desenvolver e promover a inovação, bem como impulsionar a sustentabilidade». Patrick O’Brien, diretor de investigação de retalho da GlobalData no Reino Unido, observa que o resultado sólido das eleições também oferece aos retalhistas algum alívio a curto prazo, depois de uma fase inicial de vendas fracas na época festiva, uma das mais rentáveis do ano. «Os retalhistas podem beneficiar de algumas vendas adicionais, agora que o caminho imediato até ao Brexit parece já ser claro. Também serão impulsionadas por uma valorização da libra» face ao dólar, explica O’Brien. Contudo, alerta, este efeito pode ser pouco duradouro, já que as negociações de um acordo negocial com a União Europeia (UE) se iniciarão brevemente. Por outro lado, O’Brian argumenta que os retalhistas precisam de pressionar o governo para proceder a uma revisão das taxas de negócios, perspetiva esta que coincide com a visão da British Retail Consortium (BRC). Em comunicado Helen Dickinson, CEO da BRC, pede ainda que a chamada Taxa de Aprendizagem seja mais flexível para permitir que a indústria recorra a fundos para qualquer outro tipo de formação credenciada, no sentido de atender às suas necessidades de habilitação e criar uma força de trabalho adequada para o futuro. «Esperamos trabalhar com os ministros numa estratégia de fortalecimento da indústria do retalho durante este período de mudanças sem precedentes».

4. Tanzânia explora potencialidades do algodão

A Tanzânia voltou a juntar-se ao International Cotton Advisory Committee (ICAC), uma medida que poderá ajudar a desenvolver o potencial do seu sector de algodão. Inaugurado em 1939, o ICAC é uma associação de países produtores, consumidores e comerciantes de algodão que auxilia os seus membros a manter uma economia sustentável neste segmento e a garantir uma transparência no mercado, assumindo o papel de plataforma de partilha e divulgação de informação sobre a produção e outras questões de importância significativa para a área. A Tanzânia é agora o seu 29.º membro, a nível mundial, colocando-se em 11.º lugar dentro dos países africanos. «A indústria agrícola da Tanzânia tem um grande potencial, tal como reconhecido pelo Banco Mundial, e a reintegração no ICAC é um avanço no desenvolvimento do seu potencial inexplorado, especialmente para o algodão», declara o ICAC, em comunicado. O país já se tinha juntado à organização, em 1961, e durante muitos anos «beneficiou imensamente de informações sobre o mercado, comércio, avanços tecnológicos e projetos específicos», revela Marco Mtunga, diretor-geral do Concelho de Algodão da Tanzânia. Recentemente, a indústria da Tanzânia concretizou progressos significativos, com um crescimento da produtividade de 154 kg por hectare, entre 2017 e 2018, para 193 kg por hectare, entre 2018 e 2019, um aumento da produção de 54 mil toneladas para 81 mil toneladas, ao longo do último ano, e uma expansão da área cultivada de 350 mil hectares para 420 mil hectares. «A Tanzânia é um produtor chave na África Oriental e os seus membros destacam não só a importância do algodão para a economia, como também a relevância do ICAC e o respetivo papel enquanto promotor de um sistema saudável de algodão sustentável», reflete Kai Hughes, CEO da ICAC. O conselho visa agora aumentar os rendimentos dos estados-membro em África e na Ásia, sugerindo que «não deve haver qualquer razão» para que não possam «duplicar», na maioria dos países, continua. Contudo, a falta de uma cadeia vertical em África mantém-se como um desafio à procura do algodão na região. O país está muito dependente da importação de matérias-primas da Ásia e da Europa, dirigindo posteriormente as exportações de vestuário para os EUA e a Europa. O Banco Africano de Exportações e Importações (Afreximbank) anunciou recentemente a Iniciativa Africana do Algodão (Africotin), que visa impulsionar a cadeia de valor do algodão africano, envolvendo intervenções a montante, para aumentar a produção desta matéria-prima no continente, e a jusante, para promover e financiar o consumo de produtos de algodão.

5. Restrições ao comércio atingem valores históricos

As limitações comerciais impostas pelos membros da Organização Mundial do Comércio (OMC) continuam a posicionar-se em níveis historicamente elevados, com mais de 100 medidas implementadas no ano passado. Apresentado numa reunião do Corpo de Revisão de Políticas Comerciais, a 12 de dezembro, o relatório anual evidencia que, no período de um ano que se iniciou em meados de outubro de 2018, a cobertura comercial de medidas restritivas às importações impostas por membros da organização contabiliza 747 mil milhões de dólares (669,55 mil milhões de euros). Este é o registo mais alto desde outubro de 2012 e representa uma subida de 27% comparativamente aos dados do exercício anterior. O relatório destaca as novas restrições comerciais e o aumento das tensões comerciais, acrescidas pela incerteza que se abate sobre o comércio internacional e a economia mundial. Além disso, indica que 102 medidas de restrição ao comércio foram colocadas durante o período analisado, incluindo aumentos de tarifas, limitações quantitativas, procedimentos aduaneiros mais rigorosos e exigência de impostos de importação e exportação. «Os níveis historicamente elevados das medidas de restrição ao comércio estão a prejudicar o crescimento, a criação de emprego e o poder de compra em todo o mundo. Uma liderança coletiva forte dos membros seria uma contribuição importante para o aumento da confiança, promovendo o investimento, o comércio e o crescimento económico. Sem esta atitude, contudo, tendências desfavoráveis podem tornar-se piores», explica o diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo. Em contrapartida, durante o período analisado, os membros da organização também implementaram 120 novas medidas para facilitar o comércio, onde se incluíram a redução e eliminação de tarifas e impostos de exportação e importação, cuja cobertura comercial foi estimada em 545 mil milhões de dólares – o segundo maior valor nesta área desde outubro de 2012. No geral, a média mensal de iniciação de ações de alteração comercial permaneceu estável comparativamente a 2018, mas, durante a segunda metade do período analisado, registou-se uma aceleração, resultante particularmente das investigações antidumping. A cobertura comercial das medidas que iniciaram durante esta altura ronda os 46,2 mil milhões de dólares, enquanto as que terminaram chega aos 24,8 mil milhões de dólares. Ambos os dados são significativamente mais altos do que os registados no exercício anterior.

6. Coleção de Virgil Abloh chega ao Louvre

O museu do Louvre anunciou, em dezembro, o lançamento de uma coleção de vestuário por Virgil Abloh, o diretor artístico da coleção masculina da Louis Vuitton e da marca Off-White, inspirada na exibição de Leonardo da Vinci. Algumas das pinturas mais famosas de Da Vinci, incluindo “A Virgem das Rochas” e “A Virgem e o Menino com Santa Ana”, ganham vida numa coleção de t-shirts e camisolas que combina características da Off-White com elementos de clássicos intemporais. «É uma parte crucial do meu trabalho provar que qualquer lugar, independentemente do quão exclusivo pareça, é acessível a todos. Que nos podemos interessar pela expressão própria, mediante mais do que uma prática e que a criatividade não tem de estar condicionada a uma só disciplina. Acredito que Leonardo da Vinci foi talvez o primeiro artista a viver por este princípio e estou a tentar fazer o mesmo», explica, em comunicado, Virgil Abloh. A coleção-cápsula estará disponível para compra na loja de recordações do museu e online, através do website da Off-White e da plataforma Farfetch, bem como em lojas físicas, onde se incluem a Off White Paris, Off-White Milão, Galeria EM PTY e Browns, a preços que variam desde os 355 dólares até aos 640 dólares (entre os 318 euros e os 565 euros). Além disso, será exibida numa campanha realizada dentro da Grande Galeria do Louvre, o museu mais visitado do mundo, que expõe vários trabalhos de Da Vinci, onde se inclui a famosa “Mona Lisa” – o artista italiano celebrou este ano o 500.º aniversário da sua morte. Abloh criou uma nova estética de streetwear com a sua marca Off-White, em 2013, e no ano passado foi nomeado diretor criativo da coleção masculina da Louis Vuitton, tendo já desenvolvido múltiplas colaborações com marcas como a Nike e a Ikea. O designer inspira-se no estilo de streetwear de cantores de rap como Kid Cudi e Kanye West, contribuindo para elevar uma parte da moda anteriormente considerada demasiado causal para as marcas de designer, promovendo a popularidade do calçado, t-shirts e camisolas de desporto.