Breves

  1. Abusos laborais resultam das exigências dos consumidores
  2. H&M e Eytys unem-se em coleção unissexo
  3. EUA impulsionam produção de fio
  4. Rock inspira nova coleção da Pallas
  5. Vídeo é o método publicitário preferido
  6. Acessórios voltam a estar na moda

1. Abusos laborais resultam das exigências dos consumidores

A pressão que as grandes marcas exercem nos fornecedores para que entreguem os pedidos mais rapidamente e com preços mais reduzidos contribui para abusos laborais nas fábricas que produzem tecidos, vestuário e calçado, de acordo com um relatório da Better Buyin, organização que classifica as práticas de compra de marcas e retalhistas, e financiado pela C&A Foundation. Mais de metade dos fornecedores questionados diz ter sido afetada pelos custos das estratégias de negociação, que diminuem os seus lucros, segundo o relatório da Better Buying. Por consequência, os fornecedores pressionam os trabalhadores, o que leva a abusos. O impacto nos trabalhadores inclui excesso de horas extra, pagamento insuficiente de subsídios, salários baixos e o uso de prestadores de serviço não autorizados, revela Doug Cahn, um dos cofundadores da Better Buying. «Compreender e reduzir os impactos negativos das práticas de compra é a ligação que faltava no movimento que quer garantir condições de trabalho decentes nas cadeias de aprovisionamento», afirma. O estudo inclui as classificações de 319 fornecedores de 38 países e mede a performance de 67 retalhistas e marcas, incluindo a Esprit, a Nike e a Gap. No relatório, os fornecedores indicam que um terço dos compradores não pagou as encomendas dentro do prazo estabelecido. Mais de 20% dos preços fixados nos pedidos de encomenda recebidos pelos retalhistas e marcas não cobriam o custo dos requisitos sociais, ambientais e de qualidade. «Estas práticas desafiam os fornecedores, nomeadamente no pagamento adequado e atempado aos seus trabalhadores», admite Jill Tucker, diretor da equipa de Inovação no Aprovisionamento e Transformação da C&A Foundation. «Esperamos que, com este conhecimento, os compradores mudem as suas práticas de modo a que seja possível que os benefícios sejam distribuídos pelos trabalhadores», ambiciona.

2. H&M e Eytys unem-se em coleção unissexo

A retalhista sueca vai lançar uma coleção unissexo, em colaboração com a marca conterrânea Eytys. A nova coleção de vestuário, acessórios e calçado para adultos e crianças conta com elementos que definiram o sucesso da marca de streetwear. «Gostamos do facto de a Eytys ter um visual muito próprio. Inicialmente, falámos com eles com a ideia de criar uma coleção de calçado. No entanto, depois da discussão inicial de ideias, ficou decidido que uma coleção completa – vestuário, calçado e acessórios – iria permitir aos nossos consumidores realmente experienciar todo o design e estética da marca», explica Ross Lydon, designer da H&M. Os pontos altos da coleção incluem vários pares de calçado, que contam com a sola volumosa, uma imagem de marca da Eytys. A coleção inclui sapatilhas, sapatos, botas de pele, camurça e tela de algodão. A linha abarca igualmente peças de pronto-a-vestir, como casacos, calças, jeans e partes de cima. As cores variam entre o amarelo vivo, branco, preto, verde garrafa, bege, caqui e índigo escuro. A coleção estará disponível a partir de 24 de janeiro em lojas selecionadas da H&M.

3. EUA impulsionam produção de fio

A produção mundial de fio aumentou 5% no segundo trimestre do ano em relação aos primeiros três meses de 2018, enquanto a produção mundial de tecidos diminuiu 0,25%, segundo um novo relatório da International Textile Manufacturers Federation (ITMF). A aceleração inclui um aumento de 3,2% nos EUA, cuja produção de fio é geralmente dirigida à produção de malhas e à exportação para regiões como a América Central e o México. Durante os primeiros 10 meses do ano, as exportações de fio dos EUA aumentaram 2,2%, para 3,79 milhões de dólares de produtos (cerca de 3,34 milhões de euros), de acordo com dados do Gabinete de Têxteis e Vestuário do Departamento do Comércio. As exportações destinadas ao México cresceram 24,97% para 457.786 dólares, à República Dominicana 8,97% para os 260.134 dólares e ao El Salvador 30% para 232.532 dólares. A produção de fios na Ásia subiu 5,7%, impulsionada por um aumento de 8,8% na Coreia do Sul e de 8,1% em Taiwan. O crescimento também se verificou no Egito, com 1,4%, e na África do Sul, com 3,3%. «Uma tendência oposta foi observada nos países europeus, no Brasil e no Japão. As previsões para o terceiro trimestre de 2018 só são otimistas para África, mas para o quarto trimestre são positivas para todas as regiões, exceto para o Brasil», refere a ITMF. O stock mundial de tecido no segundo trimestre do ano cresceu cerca de 2%, impulsionado pelo aumento de 7% no Brasil, o que fez com o stock mundial aumentasse 11% em relação ao mesmo período do ano passado. Os stocks mantêm-se estáveis na Ásia, na Europa e nos EUA, indica a ITMF. As encomendas globais de tecido aumentaram 43%, estimuladas por um incremento de 65% no Brasil após um trimestre invulgarmente baixo. A procura na Ásia e na Europa estagnou e contraiu no Egito.

4. Rock inspira nova coleção da Pallas

A marca portuguesa Pallas inspirou-se no personagem Ziggy Stardust de David Bowie, que fez parte do 5º álbum do cantor, para criar a coleção outono-inverno 2018/2019. Em comunicado, a marca revela que os sapatos, as botas, os botins e as luvas são as novidades desta coleção onde predomina o preto, o castanho e os raios em branco, azul e tons terra. Nas carteiras, a Pallas quis inovar nos seus modelos clássicos, apresentando as Clutch e as Kugu Bags também com os raios em recorte preto e castanho. Nesta coleção, a insígnia manteve também o seu artigo mais vendido do ano passado, as Star Boots, com as estrelas em branco, cinza, laranja e verde. «Continuamos a apostar nas coleções de cada estação, tentando sempre surpreender as clientes ao mesmo tempo que reforçamos o ADN da Pallas, como uma marca portuguesa de qualidade e com design inovador», afirma a fundadora e designer da marca, Carolina Palla Neves.

5. Vídeo é o método publicitário preferido

O rápido crescimento de campanhas direcionadas em vídeo poderá fazer deste tipo de publicidade o mais importante do mercado mundial publicitário, ao longo dos próximos anos, de acordo com um novo relatório da agência Zenith. A empresa, detida pelo grupo Publicis, revela que os publicitários vão utilizar mais as campanhas segmentadas já que se estima que a utilização de vídeos online irá crescer 18% entre 2018 a 2021. A taxa de crescimento deste tipo de publicidade representa o dobro dos outros meios e coloca o vídeo à frente de todos os restantes, aponta o estudo, que assegura que a publicidade no comércio eletrónico irá contribuir com cerca de 100 mil milhões de dólares (cerca de 87 mil milhões de euros) para o mercado da publicidade. As empresas estão a aproveitar as novas oportunidades digitais, afirma o presidente da Zenith, Vittorio Bonori. «Uma melhor segmentação e a criação de relações criativas e diretas com os consumidores conduzem ao crescimento das marcas», explica. Em termos de gastos gerais com a publicidade, a Índia irá destacar-se. A Zenith prevê um crescimento de 13,5% por ano, que irá de 9,7 mil milhões de dólares em 2018 para 14,2 mil milhões de dólares em 2021. Isso faria da Índia o oitavo maior mercado publicitário, entrando, pela primeira vez, no top 10.

6. Acessórios voltam a estar na moda

Nos EUA, os acessórios de moda registaram um aumento de 4% nas vendas nos primeiros 10 meses de 2018, depois de dois anos de queda. O grupo NPD, no relatório Retail Tracking Service, refere que muito do crescimento se deve a mais vendas de «modelos pouco tradicionais, o que revela uma mudança nas preferências e nas prioridades dos consumidores». As subcategorias que costumavam ser as mais tradicionais – as totes, as shoppers e as malas tiracolo – ainda estão em baixa. Contudo, houve um crescimento nas vendas de malas mais informais, como as mochilas e as bolsas de cintura, bem como nas malas de viagem. A NPD revela que as bolsas de cintura representaram a «componente mais notável» na «mudança significativa na forma como os consumidores utilizam os acessórios». O relatório adianta ainda que o modelo representa apenas 1% das vendas de acessórios de moda, mas está a gerar quase um quarto do crescimento da indústria. A Gucci e a Prada têm sido grandes promotoras deste produto e talvez a influência do mercado de luxo esteja a ter impacto. Essa visão é justificada pelo facto de o relatório referir que o segmento de luxo motivou muito deste crescimento. Porém, o segmento intermédio é também uma fonte de crescimento para os dois modelos, por isso, a utilidade pode também estar a ter o seu papel. Entretanto, as mochilas continuam a crescer de modo implacável. «As mochilas já não são um modelo associado ao estudo e continuam a substituir as tradicionais malas de trabalho. As mochilas tradicionais cresceram tanto no segmento feminino como masculino, mas as mochilas mais elegantes tiveram o seu maior crescimento entre o género feminino», indica a NPD. Beth Goldstein, analista da NPD do segmento de calçado e acessórios, explica que «a mudança de comportamento dos consumidores, como as viagens e a necessidade de comodidade, estão a mudar a forma como olham para os acessórios que precisam. As necessidades do seu estilo de vida vão fazer com que modelos como malas de viagem, mochilas e até bolsas de cintura sejam produtos populares durante a época natalícia de 2018. «A moda ainda é importante para os consumidores, mas estes também questionam o que o produto pode fazer por eles – uma questão à qual muitas marcas, como a Lo & Sons e a Dagne Dover, estão a dar uma boa resposta. As marcas que conduzem os consumidores, dando soluções a problemas que eles nem sabiam que tinham, serão as líderes dos acessórios de moda», garante Beth Goldstein.