Breves

  1. Prémio da H&M procura inovações digitais
  2. Berg Outdoor de mãos dadas com o trail
  3. Cleonice dá sex appeal à sustentabilidade
  4. Retalho resiste na China
  5. As leggings não vivem só do desporto
  6. Tribos africanas inspiram moda solidária

1. Prémio da H&M procura inovações digitais

As inovações digitais são o principal enfoque da 4.ª edição do prémio “Global Change Award”, da H&M Foundation. A fundação sem fins lucrativos da multinacional sueca já abriu candidaturas para o prémio, que, desde 2015, já contou com mais de 8 mil candidaturas de 151 países. O “Global Change Award” oferece financiamento e coaching de um ano aos vencedores que apresentem as melhores soluções de incentivo à mudança para a economia circular na indústria da moda, que resultem na proteção do planeta e das condições de vida. «Este ano damos uma especial atenção às inovações digitais. Estas podem ter um impacto significativo na eficiência, no planeamento e no uso de recursos, ou seja, em todo o percurso de um produto, desde a matéria-prima ao fim da vida de uma peça de roupa», explica Erik Bang, diretor de inovação da H&M Foundation, em declarações ao just-style.com. «A digitalização tem o potencial de romper com o processo desde a raiz, reinventar os métodos e ajudar os produtores, vendedores e clientes a serem mais sustentáveis», acrescenta. Os critérios da H&M passam pelo impacto da solução apresentada, o seu potencial de expansão, que seja nova, economicamente sustentável e que a equipa esteja preparada para fazer a diferença. «Novas ideias são a base para qualquer mudança, mas ampliá-las é um enorme desafio para todos os criadores», afirma Karl-Johan Persson, CEO da H&M. «Com os nossos parceiros, a Accenture e o KTH Royal Institute of Technology, os vencedores anteriores diminuíram o tempo de execução através do nosso programa acelerador», acrescenta. Nem a H&M Foundation, nem o grupo H&M se apropriam dos direitos de propriedade intelectual das inovações vencedoras do prémio. O período de inscrição deste ano decorre até 17 de outubro, com as inscrições abertas a cidadãos de qualquer parte do mundo. O prémio será entregue na Grand Award Ceremony, em Estocolmo, em abril de 2019.

2. Berg Outdoor de mãos dadas com o trail

A marca multinacional de origem portuguesa de artigos para desporto e ar livre é a principal patrocinadora do Campeonato do Mundo de Trail Running. O evento mundial de ultramaratonas em montanha vai disputar-se em Portugal, em Miranda do Corvo, no dia 8 de junho de 2019. A prova, integrada no evento Trilhos dos Abutres, que se realiza na Serra da Lousã, traz a Portugal seleções de mais de 55 países e mobilizará mais de 500 atletas. Já em 2016, na Peneda-Gerês, a Berg Outdoor assumiu o estatuto de principal patrocinador do evento e para Diana Teixeira Pinto, diretora de marketing da marca, esta «é uma associação natural», que, «além de reforçar a ligação» com atuais clientes, permite também «apresentar os benefícios dos produtos e inovações a um número crescente de pessoas, o que constitui uma oportunidade de alargar a presença global e abrir novos mercados», acrescenta em comunicado. Já Tiago Araújo, presidente da Associação Abutrica, organizadora do evento, considera que a associação à marca portuguesa «será uma parceria excecional». O Abutres 2019 Trail World Championships contará com os principais atletas mundiais da modalidade, que terão de vencer um percurso de 42 quilómetros, com um desnível positivo de cerca de 2.200 metros. O evento deverá receber cerca de 20 mil visitantes. Além da competição de elite no dia 8 de junho, o evento conta com a cerimónia de abertura no dia 6 de junho e com uma prova aberta no dia 9 de junho – com o mesmo percurso do Campeonato do Mundo e com mil atletas inscritos.

3. Cleonice dá sex appeal à sustentabilidade

A marca Cleonice, de Kaleigh Tirone Nunes, acaba de lançar as primeiras imagens da campanha para a próxima estação fria. A primeira parte da coleção da marca portuguesa sustentável chama-se “Mix & Match”, vive de minimalismo e sex appeal, tendo em vista ao fim do verão e início do outono. Todas as peças são sustentáveis, criadas a partir de sobras de malhas e elastano (o que habitualmente se chama de deadstock), com fluidez que promete vestir as formas femininas como uma luva. As peças são feitas por encomenda, garantindo-se assim que todas são vendidas.

4. Retalho resiste na China

Embora a economia da China esteja a abrandar, a venda de vestuário e calçado não se tem ressentido, pelo menos por enquanto, a julgar pelos preços de algumas matérias-primas, revela a Bloomberg. No que diz respeito ao poliéster, por exemplo, utilizado na produção de tecidos sintéticos que acabam em sapatilhas da Adidas, vestidos da H&M ou camisolas da Under Armour, os preços na China subiram este ano para o nível mais alto desde pelo menos 2014, revelam as estatísticas oficiais do país mais populoso do mundo. Um crescimento «inesperado» no consumo de vestuário motivou a subida, de acordo com Salmon Aidan Lee, consultor da Wood Mackenzie Ltd., em Singapura. Em fevereiro, o Índice de Confiança do Consumidor da China atingiu o nível mais alto das últimas duas décadas, de acordo com o departamento de estatística do país. Empresas de vestuário referem que os seus artigos estão a registar fortes vendas no país, aponta Catherine Lim, analista de consumo da Bloomberg Intelligence, em Singapura. Os primeiros indicadores da economia chinesa mostram que o ritmo de crescimento desacelerou em agosto pelo quarto mês consecutivo. Apesar do crescimento da procura ser lento devido à incerteza que paira na economia e no mercado bolsista, os chineses ainda compram as suas roupas favoritas. «Se apenas olharmos para roupa e sapatos, estes são itens muito básicos», explica Lim. «O consumo está a crescer e, até agora, julho e agosto foram meses positivos. Mesmo que haja uma desaceleração, não será severa. É claro que não se pode esperar um crescimento hipotético de 20% de ano para ano, mas as pessoas ainda precisam de usar roupa», frisou.

5. As leggings não vivem só do desporto

Não é novidade que as leggings fazem parte da rotina de exercício físico das mulheres, mas a peça é cada vez mais procurada para usar no dia a dia. Quem o diz é a maior retalhista online de moda da Grã-Bretanha, a Asos, que tem disponíveis online 1.021 diferentes tipos de leggings, com os preços a variar entre as 4 e as 300 libras (entre os 5 e os 333 euros). As vendas de leggings da marca cresceram mais de 180% ao ano e já se venderam mais 95% em 2018, em comparação com o ano passado. «O consumidor da Asos quer um produto que expresse a sua individualidade e a nossa oferta abrange uma grande variedade de cores, tanto brilhantes como suaves, e também estampados», indica Vanessa Spence, diretora de design da Asos ao jornal The Guardian. «Quanto ao vestuário desportivo, os consumidores de hoje acreditam que ser ativo não é uma tarefa, mas sim uma escolha. Claro que as leggings são uma peça fácil, pronta a vestir, seja para ir tomar um café com amigos antes de uma aula, ou simplesmente para relaxar em casa depois de uma corrida», refere. Prova disso é que influenciadores, como Kim Kardashian ou Sienna Miller, foram vistas a usá-las enquanto fazem tarefas diárias. E a Zara, por exemplo, incluiu as leggings nos modelos da nova estação, colocando-as por baixo de vestidos. Até as marcas de passerelle estão a chegar à tendência das leggings esta estação. Gucci, Balenciaga e Dolce & Gabbana estão a reintroduzir as “stirrup leggings” no vocabulário do vestuário, enquanto as propostas de Richard Quinn, Marine Serre e Burberry incluem “pés” nas leggings, semelhantes a meias. De acordo com o motor de busca de moda Lyst, a peça é atualmente um dos produtos mais pesquisados em todo mundo, registando cerca de 430 mil buscas por mês. A Lyst revela ainda que, na sua plataforma, o valor médio gasto por par de leggings que não seja para usar exclusivamente no desporto aumentou 49% por ano, das 68 libras para as 101 libras.

6. Tribos africanas inspiram moda solidária

Há um novo projeto de moda solidário que quer acrescentar sentido à indústria. A marca Mukubais foi desenvolvida por Mónica Rey e Laura Correia, duas portuguesas que vivem entre Lisboa e Luanda e que, para a criação da primeira coleção, partiram para a tribo africana Mucubal para captar a sua essência em imagens que depois juntaram em diferentes colagens impressas em t-shirts 100% algodão. A tribo nómada do sul de Angola (província do Namibe) partilhou partes importantes da sua cultura com as designers, que expressam todas estas influências, referências e códigos estéticos através da moda. Por cada t-shirt vendida, cujo preço ronda os 50 euros, um euro reverte para tribo Mucubal, para que seja apoiada financeiramente durante o período das secas, altura em que passam grandes dificuldades provocadas pela falta de água. As próximas coleções vão focar-se noutras tribos africanas, uma vez que a marca quer continuar a contribuir para melhorar a qualidade de vida dessas populações.