Breves

  1. ITMA 2019 afixa já lotação esgotada
  2. PrimaLoft traz material do espaço para a terra
  3. Previsões de retalho de 2018 revistas em alta
  4. Investigadores desenvolvem fibras flexíveis com eletrónica
  5. Comércio mundial em desaceleração
  6. Reebok reinventa o soutien de desporto

1. ITMA 2019 afixa já lotação esgotada

A organização de um dos maiores salões de tecnologia têxtil e de vestuário do mundo, a ITMA 2019, congratula-se com a elevada procura por espaço para a edição do próximo ano, depois deste estar já todo reservado, apesar de terem ainda sido acrescentados dois pavilhões suplementares à área de exposição. A feira, que decorrerá de 20 a 26 de junho de 2019, vai ocupar os nove pavilhões que compõem a Fira de Barcelona, em Espanha. «A resposta para a ITMA 2019 é tão grande que não conseguimos satisfazer toda a procura por espaço, embora tenhamos mais dois pavilhões de exposição», afirma Fritz Mayer, presidente da Cematex, a detentora do salão ITMA. «A ITMA é uma feira da indústria para a indústria. Por isso, somos da opinião de que deve apresentar um vasto espectro de soluções de ponta de tantos fornecedores quanto possível, sejam novos ou já estabelecidos no mercado», explica Mayer. Por sua vez, Charles Beauduin, presidente da ITMA Services, revela que o salão de maquinaria têxtil acolherá cerca de 1.660 expositores de 47 países. Entre os sectores representados destacam-se a fiação, a estamparia e a confeção, com soluções que deverão incluir inteligência artificial, robótica, sistemas de visão e outros automatismos avançados. À medida que a indústria têxtil e vestuário evolui para uma cadeia produtiva integrada de valor, muitos novos atores anunciaram a sua participação, nomeadamente a Borsoi, Bullmer, Card Clothing & Services, Han’s Yueming Laser, Juki, Serkon Tekstil e SoftWear Automation.

2. PrimaLoft traz material do espaço para a terra

A especialista em tecidos de performance acaba de lançar um novo material de isolamento para vestuário e calçado exterior formado por um composto largamente utilizado na exploração espacial. O novo PrimaLoft Gold Insulation Aerogel incorpora aerogel ultraleve e extremamente poroso, com uma elevada capacidade de isolamento para proteger contra o calor e o frio extremos, mesmo quando comprimido. Além disso, a empresa norte-americana afirma que se trata de um material que é também muito flexível e impermeável. Os aerogéis são compostos por 95% de ar, o que os torna um dos sólidos mais leves e mais eficazes em termos de isolamento. Uma estrutura altamente porosa com milhões de pequenas câmaras de ar forma uma barreira, evitando o desconforto causado por temperaturas muito baixas ou elevadas. Atualmente, esta inovação está a ser usada principalmente em luvas e calçado, revela a PrimaLoft, sob a forma de palmilhas, solas, biqueiras e interiores de luvas. Enquanto os isolamentos tradicionais perdem seu alto desempenho sob compressão prolongada, esta nova solução retém 98% de seu desempenho térmico original – uma mais-valia para calçado, onde cada milímetro extra determina o conforto e o ajuste ideais. Testes laboratoriais mostraram que as palmilhas com o novo isolamento de aerogel mantêm os pés 14 °C mais quentes a temperaturas extremamente baixas (-78 °C) e 10 °C mais frios a altas temperaturas (60 °C) do que a solução anterior da PrimaLoft para o calçado. No inverno 2018/2019, o PrimaLoft Gold Insulation Aerogel vai ser aplicado numa gama de 42 coletes da Helly Hansen, onde é usado como um colete salva-vidas para proteger equipamentos técnicos do frio, e no premiado calçado para caminhada da Merrell Thermo Rogue.

3. Previsões de retalho de 2018 revistas em alta

As vendas a retalho nos EUA deverão aumentar pelo menos 4,5% em termos anuais em 2018, segundo novos dados avançados pela National Retail Federation (NRF). A revisão em alta deve-se essencialmente à reforma fiscal em curso e a outros benefícios económicos, mas as taxas alfandegárias, alerta a entidade, estão a ameaçar a confiança dos consumidores. «Salários mais altos, aumento do rendimento disponível, um mercado laboral forte e um valor recorde do rendimento das famílias criaram o cenário para um crescimento muito robusto na economia impulsionada pelo consumo», afirma o presidente e CEO da NRF, Matthew Shay. «Sabíamos que este ia ser um bom ano, mas o primeiro semestre acabou por ser ainda melhor do que o esperado. Contudo, continua a haver uma enorme incerteza para o segundo semestre», adverte. As vendas a retalho na primeira metade do ano aumentaram 4,8% em termos anuais. A NRF espera agora que o PIB para o ano aumente em valores próximos do topo da previsão, entre 2,5% e 3%. No entanto, as taxas de importação podem minar a confiança. Em julho entraram em vigor tarifas adicionais de 25% sobre bens provenientes da China no valor de 34 mil milhões de dólares, com o mês de agosto a dever assistir a um reforço destas taxas em produtos na ordem dos 16 mil milhões de dólares, estando ainda em avaliação a possibilidade de taxar mais bens, incluindo de consumo, no valor de 200 mil milhões de dólares, num processo que deverá ficar concluído em setembro. «Há muitos fatores que podem impactar a nossa previsão, mas as estimativas são, no geral, otimistas», resume o economista-chefe da NRF, Jack Kleinhenz.

4. Investigadores desenvolvem fibras flexíveis com eletrónica

Investigadores americanos estão a reclamar o crédito de terem sido os primeiros no mundo a produzirem fibras com eletrónica embebida que são tão flexíveis que podem ser usadas para produzir tecidos suaves e transformadas em vestuário. O desenvolvimento de uma equipa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) poderá, desta forma, ter solucionado um dos grandes desafios da criação de tecidos inteligentes ao incorporar dispositivos semicondutores – o ingrediente-chave na eletrónica moderna – em têxteis e fibras. As fibras foram embebidas com semicondutores optoeletrónicos, incluindo díodos emissores de luz (LEDs) e díodos fotodetetores, e tecidas na Inman Mills, na Carolina do Sul, em tecidos suaves e laváveis, criando tecidos com funcionalidade sofisticada. A descoberta, afirmam os investigadores, pode dar origem a uma nova “Moore’s Law” para fibras – ou seja, uma progressão rápida em que as capacidades das fibras crescem rápida e exponencialmente ao longo do tempo, tal como as capacidades dos microchips aumentaram ao longo das décadas. As conclusões são apresentadas no jornal Nature num artigo assinado por Michael Rein, formado pelo MIT, pelo orientador Yoel Fink, professor de ciência dos materiais e engenharia elétrica do MIT e CEO do Affoa (Advanced Functional Fabrics of America), juntamente com uma equipa do MIT, do Affoa, da Inman Mills, do EPFL em Lausanne, na Suíça, e do Lincoln Laboratory. As fibras óticas têm sido tradicionalmente produzidas através da criação de um objeto cilíndrico chamado “pré-forma”, que essencialmente é um modelo da fibra, que depois é aquecido. O material amolecido é então puxado ou empurrado e colocado sob tensão e a fibra resultante é recolhida. O avanço na produção destas novas fibras foi a adição na pré-forma de díodos emissores de luz do tamanho de um grão de areia e um par de fios de cobre com uma fração da espessura de um cabelo humano. Quando aquecido numa fornalha durante o processo de extrusão da fibra, a pré-forma de polímero parcialmente liquefeita forma uma fibra longa com os díodos alinhados no centro e ligados pelos fios de cobre. Uma das vantagens de incorporar a função na fibra é que o resultado é, inerentemente, impermeável. Embora o princípio pareça simples, fazer com que funcione de forma consistente e assegurar que as fibras podem ser produzidas de forma fiável e em quantidade, foi um processo longo e difícil. Os primeiros produtos comerciais a incorporar esta tecnologia deverão chegar ao mercado no início do próximo ano. Para além da área da comunicação, as fibras podem, potencialmente, terem aplicações no campo da biomedicina: por exemplo, uma pulseira que pode medir a pulsação ou os níveis de oxigénio no sangue ou uma banda que monitoriza em permanência o processo de cura.

5. Comércio mundial em desaceleração

O agravamento das tensões mundiais pode ser responsável por um maior abrandamento do comércio no terceiro trimestre de 2018. De acordo com o mais recente World Trade Outlook Indicator da Organização Mundial do Comércio (OMC), a leitura está em 100,3, o que fica marginalmente acima do valor base de 100, mas abaixo do valor anterior de 101,8, assinalando um abrandamento do crescimento do comércio nos próximos meses, em linha com as tendências a médio prazo. A descida reflete o declínio nos índices compostos, incluindo encomendas de exportação, que têm vindo a cair consistentemente ao longo do ano, com as tensões crescentes no comércio a colocarem em risco as previsões. De acordo com os índices compostos do relatório, o volume de comércio de mercadorias manteve-se estagnado face ao trimestre anterior, em 102. Os mais recentes resultados continuam em linha com as mais recentes previsões da OMC, que antecipam um abrandamento do comércio de mercadorias em volume, de 4,7% em 2017 para 4,4% em 2018. A movimentação de contentores nos portos, por seu lado, mantém-se acima da tendência, em 102,2, mas a dinâmica de crescimento parece ter já ultrapassado o pico. A OMC sustenta que o seu Indicator for pensado para dar informação «em tempo real» sobre a trajetória do comércio mundial em relação a tendências recentes e não como como uma previsão a curto prazo, embora dê uma indicação sobre o crescimento do comércio no futuro próximo.

6. Reebok reinventa o soutien de desporto

A Reebok desenvolveu o que afirma ser o primeiro soutien de desporto tecnologicamente avançado que responde e se adapta aos movimentos para das às mulheres um controlo e apoio customizado do peito. O Reebok PureMove Bra, que esteve a ser desenvolvido nos últimos três anos, integra a nova Motion Sense Technology, da Reebok, conseguida através do tratamento de uma malha de performance com Sheer Thickening Fluid – uma solução tipo gel que assume uma forma líquida quando está parado ou num movimento lento, e enrijece e solidifica quando se move a maiores velocidades. A tecnologia adapta-se e responde de acordo com a forma corporal, velocidade do tecido mamário e tipo e força do movimento, indica a empresa, resultando num soutien que alarga menos com movimentos de elevado impacto, ao mesmo tempo que fornece conforto e apoio leve durante períodos de descanso e atividades de baixa intensidade. «Não podíamos estar mais orgulhosos de colocar no mercado um produto que quebra barreiras numa categoria que não satisfaz as consumidoras há muito tempo, onde faltava avanços tecnológicos reais», afirma Barbara Ebersberger, vice-presidente de vestuário de performance na Reebok. «A inovação sempre esteve no ADN da Reebok e colocar ênfase em transformar e melhorar uma das peças de vestuário de fitness mais importantes para as mulheres não é exceção. O lançamento do PureMove marca o primeiro passo de uma era muito entusiasmante para nós», acrescenta. Uma parte fundamental do processo de desenvolvimento de três anos do PureMove foi o trabalho da Reebok em laboratório, testando o movimento do peito e as variações de produto com a Universidade do Delaware, nos EUA. Até agora, os padrões da indústria para os testes biomecânicos do peito incluíam tipicamente uma média de apenas dois a quatro sensores de movimento na área do peito para seguir o balancear e o apoio. Mas a Reebok e a Universidade da Delaware utilizou 54 sensores de movimento únicos nesta área e usou os dados para criar um design tipo segunda-pele. Para além da tecnologia de malha reativa, as características de performance do PureMove Bra incluem perfurações respiráveis na frente e atrás para manter a utilizadora fresca e confortável, em qualquer atividade física. Mantém ainda a forma natural do peito, com um painel frontal moldado e tem uma construção minimalista, com o soutien a ser composto por apenas sete peças únicas de malha que se moldam ao corpo para se ajustarem na perfeição. «Muitos assumem que quanto mais apoio um soutien de desporto dá, mais tecido, alças ou fechos tem. Contudo, ao usar a nossa Motion Sense Technology, o design do PureMove é, de forma deliberada, o oposto», explica Danielle Witek, designer sénior de vestuário inovador na Reebok. «O design minimalista do soutien pode ser enganador quando se vê pela primeira vez, mas não deve ser confundido com falta de apoio ou de tecnologia. Todos os detalhes são intencionais e resultam diretamente de anos de testes e investigação», sublinha. No lançamento, o PureMove Bra estará disponível em 10 tamanhos, incluindo soluções para utilizadoras entre os tamanhos standard de soutiens de desporto. A partir de 17 de agosto, estará disponível em exclusivo no site da Reebok, com o preço de 60 dólares, com a distribuição mundial em retalhistas selecionados a dever ser concretizada a partir de 30 de agosto.