Breves

  1. Guerra comercial afeta algodão
  2. Empresas têxteis chinesas em incumprimento
  3. Denim sustentável apresenta-se na ONU
  4. Guess investe em inteligência artificial
  5. Países do G-20 duplicam restrições ao comércio
  6. Grafeno chega às camisolas de ciclismo

1. Guerra comercial afeta algodão

Uma combinação de fatores está a prejudicar o mercado mundial de algodão, pelo menos no curto prazo, de acordo com os números avançados pelo International Cotton Advisory Council (ICAC). Embora a procura pela fibra continue em alta, com o consumo a dever aumentar 5% em 2018/2019, as políticas comerciais incertas estão a arrastar os preços para baixo face ao pico de 102 cêntimos de dólar por libra. A procura está a aumentar sobretudo na Ásia, mas as condições de seca na região do Texas nos EUA e a possibilidade de introdução de novas taxas sobre o algodão são uma preocupação séria e uma das razões que está a levar à queda dos preços. As relações entre o maior exportador de algodão, os EUA, e o maior consumidor, a China, têm estado tensas com a chamada “guerra comercial” entre os dois países, que levou a China a anunciar uma taxa de 25% sobre o algodão em rama americano. O preço do algodão, contudo, está ainda acima da média da época até agora – 87 cêntimos por libra – e está consideravelmente mais alto do que a média histórica dos últimos 20 anos de 73 cêntimos de dólar por libra. A previsão de preços do ICAC para 2017/2018 é de 86 cêntimos de dólar por libra. Para 2018/2019, o ICAC projeta que o preço médio fique entre 66 cêntimos e 107 cêntimos de dólar por libra. Apesar do aumento tanto na produção como no consumo, as previsões apontam para que os stocks mundiais em 2017/2018 também aumentem – mais 3%, para 19,3 milhões de toneladas. Para 2018/2019, a produção deverá aumentar para 25,9 milhões de toneladas e o consumo deverá subir +5%, para 27,4 milhões de toneladas, levando a que stocks mundiais diminuam para 17,8 milhões de toneladas.

2. Empresas têxteis chinesas em incumprimento

A gigante têxtil chinesa Luthai Textile foi excluída do fundo gerido pelo Banco Central da Noruega por violar sistematicamente os direitos humanos em várias das suas unidades produtivas, enquanto a Nien Hsing Textile Co, de Taiwan, está sob observação. O fundo, um dos maiores do mundo, é gerido pelo Banco Central da Noruega e tem associado um Conselho de Ética que avalia as empresas e as suas atividades. Com base nas investigações às condições de trabalho na Luthai Textile, o Conselho de Ética recomendou a exclusão da empresa, por ter encontrado violações sistemáticas das normas nas fábricas da Luthai Textile no Camboja e em Myanmar, nomeadamente a utilização de pessoas com menos de 18 anos com as mesmas condições dos adultos, vários riscos para a saúde e segurança no trabalho e restrições à liberdade de associação dos trabalhadores. «Juntando a isso o facto da Luthai não querer mostrar a forma como gere as suas operações, levou o Conselho a concluir que há um risco inaceitável da Luthai ser responsável por violações sistemáticas dos direitos humanos também no futuro», afirmou o Conselho de Ética em declarações ao just-style.com. O Conselho recomendou ainda que a Nien Hsing Textile Co fique sob observação devido ao risco da empresa violar os direitos humanos, depois de terem sido detetadas violações nas fábricas da empresa no Lesoto, incluindo assédio sexual às trabalhadoras. «O Conselho vai monitorizar os desenvolvimentos na empresa e se as violações sérias das normas não terminarem num curto espaço de tempo, o Conselho vai ponderar recomendar a exclusão da Nien Hsing», sublinhou ao just-style.com.

3. Denim sustentável apresenta-se na ONU

Representantes de um projeto de sustentabilidade de denim estiveram na ONU para mostrar a iniciativa e chamar a atenção dos políticos para a urgência de desenvolver novas formas de produzir denim. A Alliance for Responsible Denim, que começou em 2016 e deverá terminar em setembro de 2018, tem como missão criar uma colaboração ao longo de toda a cadeia para tornar a indústria do denim mais limpa e inteligente, gerando novas possibilidades de produzir denim de forma mais sustentável e responsável. «Com mais de dois mil milhões de jeans produzidos anualmente, exigindo, em média, 7 mil litros de água por cada um, encontrar novas formas de produzir denim é altamente desejável para conseguirmos um ambiente mais limpo para as próximas gerações», afirma a Amsterdam School of International Business, uma das 52 entidades envolvidas no projeto. Lori DiVito, professora da Amsterdam School of International Business e o gestor de projeto Travis Rice estão presentes no fórum “Transformação para sociedades sustentáveis e resilientes”, que decorre nas Nações Unidas até 18 de julho, a mostrar o projeto. «Para que aconteça uma mudança real à velocidade que tem de acontecer, os políticos têm de estar conscientes da urgência e as Nações Unidas fornecem a audiência certa», acredita a Amsterdam School of International Business.

4. Guess investe em inteligência artificial

A Guess reforçou a sua parceria com o Alibaba e é agora a parceria estratégica do retalhista online chinês no projeto FashionAI, pensado para dar aos consumidores uma perspetiva do que será o retalho de moda no futuro. As empresas, que trabalham juntas há cinco anos, lançara, uma concept store piloto FashionAI no campus da Universidade Politécnica de Hong Kong. A ação junta o conhecimento de retalho e as mais recentes coleções da Guess com a inteligência artificial desenvolvida pelo Alibaba e pretende dar uma melhor experiência de compras, ao mesmo tempo que ajuda as marcas a fazerem análise de dados para fazer encomendas e manter o inventário. «À medida que a tecnologia muda a forma como interagimos, também afeta como compramos. Com a evolução dos nossos consumidores, é crítico que evoluamos com eles», afirma Victor Herrero, CEO da Guess. «A nossa parceria duradoura e forte com o Alibaba coloca-nos à frente do mercado na nossa indústria. Juntos, somos capazes de inovar em tempo real. Este é o futuro do retalho e planeamos continuar a investir e a adaptar-nos às necessidades dos nossos consumidores neste ambiente de retalho em mudança», acrescenta. A concept store inclui prateleiras inteligentes, espelhos inteligentes e provadores de nova geração, oferecendo sugestões de acessórios para os consumidores da linha Guess, assim como artigos de outras marcas à venda nas plataformas eletrónicas Tmall e Taobao. «A Guess e o Alibaba partilham a mesma visão de entender o comportamento do consumidor através da tecnologia», destaca Zhuoran Zhuang, vice-presidente do grupo Alibaba. «Com o conhecimento de retalho da Guess, somos capazes de formar e refinar o nosso sistema FashionAI e casar a tecnologia com a moda de uma forma que nunca foi feita antes. Estamos desejosos de aprofundar a nossa parceria para inovar nos serviços personalizados oferecidos nas lojas de retalho», conclui.

5. Países do G-20 duplicam restrições ao comércio

A imposição de novas restrições ao comércio por parte das economias do G-20 duplicou entre outubro de 2017 e maio de 2018, constituindo uma ameaça séria ao crescimento em todos os países. De acordo com o mais recente relatório da Organização Mundial do Comércio (OMC), foram aplicadas 39 novas medidas restritivas pelas economias do G-20, incluindo aumento de tarifas, procedimentos alfandegários mais exigentes, imposição de taxas e impostos sobre as exportações. Isto equivale a uma média de quase seis medidas restritivas por mês, o que é quase o dobro das três medidas por mês, em média, durante o período anterior. As economias do G-20 – onde se incluem a União Europeia – também implementaram 47 medidas pensadas para facilitar o comércio, incluindo a eliminação ou redução de tarifas, procedimentos simplificados nas alfândegas e redução daas taxas de importação. Apesar de tudo, as medidas que facilitam o comércio abrangem trocas comerciais no valor estimado de 82,7 mil milhões de dólares, um valor superior aos estimados 74,1 mil milhões de dólares do comércio abrangido pelas medidas restritivas. O diretor-geral da OMC, Roberto Azevêdo, sublinha, contudo, que as novas medidas «devem ser uma preocupação séria para a comunidade internacional. Esta continuação da escalada coloca uma ameaça séria ao crescimento e à recuperação em todos os países e estamos a começar a ver isso refletido em alguns indicadores prospetivos. Apelo aos líderes do G-20 para mostrarem contenção na aplicação de novas medidas e para urgentemente acalmarem a situação. Vou continuar a trabalhar com os governos do G-20 e com todos os membros da OMC para isso».

6. Grafeno chega às camisolas de ciclismo

A marca de activewear Oakley fez uma parceria para criar aquela que afirma ser a primeira peça de vestuário de ciclismo melhorada com grafeno. Desenvolvida em parceria com a fornecedora de produtos de grafeno Directa Plus e com a Bioracer, produtora de vestuário de ciclismo, a G+ Graphene Aero Jersey foi desenhada para aproveitar as propriedades únicas do Graphene Plus (G+) para dissipar o calor do corpo do ciclista, permitindo-lhe focar-se menos nas condições à sua volta e mais na sua performance. O circuito térmico impresso G+ distribui o calor gerado pelo corpo e dissipa-o quando necessário, permitindo aos ciclistas usarem menos energia para regular a sua temperatura corporal. Os tecidos tratados com G+ são ainda eletroestáticos e bacteriostáticos. Estas propriedades contribuem para gerir a humidade e para um efeito antiodor e, quando colocado na parte de fora da peça de vestuário, o G+ reduz a fricção com o ar e a água para melhorar a performance. «O sportswear representa um potencial mercado substancial para o G+ e estamos muito satisfeitos por termos acrescentado o vestuário de ciclismo ao nosso portefólio de têxteis para desporto melhorados com G+, que já inclui artigos para ski, golfe e athleisure», destaca Giulio Cesareo, CEO da Directa Plus.