Breves

  1. Vestuário teme política
  2. Wearables sobre rodas
  3. ITV do Paquistão endividada
  4. The North Face vence no conforto
  5. Orgânicos crescem no Reino Unido
  6. Sensualidade e inteligência de mãos dadas

1. Vestuário teme política

As tensões geopolíticas e o populismo crescente em vários países podem gerar ruturas no comércio internacional de vestuário, alertou a International Apparel Federation (IAF). À margem do fórum têxtil China-Ásia 2017, que decorreu no passado dia 13 de março em Xangai, o presidente da IAF, Han Bekke, afirmou aos delegados que a instabilidade poderia facilmente levar ao protecionismo. A verificarem-se, as medidas protecionistas poderão afetar não só as exportações mundiais de vestuário – avaliadas em 450 mil milhões de dólares (aproximadamente 423 mil milhões de euros) –, mas também a posição de muitas empresas e trabalhadores em todo o mundo. «O acordo de Parceria TransPacífico (TPP) foi descartado pelo presidente dos EUA, o TTIP (UE-EUA) está congelado, o NAFTA (EUA-Canadá-México) pode ser renegociado, o CETA (UE-Canadá) foi assinado mas não sem forte oposição e ainda não são conhecidos os efeitos finais do Brexit», apontou Bekke. «Isto fomenta a incerteza dos empresários, o que não é um bom ambiente de negócios. As marcas e retalhistas podem começar a mudar o seu aprovisionamento em antecipação às taxas de importação mais elevadas», afirmou. A indústria de vestuário está atualmente sob condições macroeconómicas voláteis, com alta pressão para as margens. O presidente da IAF antecipou a propósito dois desenvolvimentos possíveis: um a longo-prazo, no qual se pode questionar se tudo isto será rentável ou se irá melhorar as condições de vida e de trabalho das pessoas em países de baixos salários, e outro que pode resultar num movimento de afastamento em relação ao preço para favorecer a qualidade, sustentabilidade e a velocidade. Isso, acredita Han Bekke, poderia apelar à produção local ou ao reshoring baseado em novas tecnologias (robótica, 3D). A IAF está, por isso, a analisar várias iniciativas de reshoring, incluindo a Reshoring USA, Made in Germany 4.0, Industrie du Futur (França), La Fabbrica del Futuro (Itália), Denim City Amsterdam (Holanda), a Fashion Campus NYC, etc.

2. Wearables sobre rodas

A Levi Strauss & Co e a Google revelaram finalmente a chegada ao mercado do anunciado casaco interativo, fruto da parceria estabelecida entre as duas empresas há dois anos. A Levi’s confirmou que o Levi’s Commuter x Jacquard by Google estará disponível este outono, com um preço de 350 dólares (aproximadamente 329 euros). O projeto Jacquard é uma iniciativa do grupo de Tecnologia e Projetos Avançados (ATAP) da Google e tem como objetivo superar as limitações da tecnologia wearable. Pensado para ciclistas urbanos, o casaco permitirá aos utilizadores atender chamadas, controlar mapas e ouvir música através do toque numa das mangas, graças aos fios condutores tecidos no tecido. Estes fios, que combinam ligas metálicas finas com fibras naturais e sintéticas como algodão, poliéster e seda, podem ser tecidos numa vasta gama de tecidos e concebidos para se destacarem ou serem invisíveis, adaptando-se às aspirações dos designers. Para além de uma etiqueta destacável, o casaco interativo é lavável e durável. Além do mais, o casaco interage com a aplicação Jacquard, que permite ao utilizador personalizar a sua experiência, reproduzir música ou obter uma hora estimada de chegada a um determinado destino.

3. ITV do Paquistão endividada

A indústria têxtil do Paquistão foi a maior devedora do sector bancário do país no último trimestre, de acordo com os números recentemente divulgados, apesar das exportações continuarem a cair. Os empréstimos bancários da indústria têxtil do Paquistão atingiram um patamar recorde em 2016, segundo um relatório do banco estatal do Paquistão. O crescimento dos empréstimos foi de 90 mil milhões de rúpias (aproximadamente 802 milhões de euros) no ano passado, face aos 30 mil milhões em 2015. No quarto trimestre, terminado a 31 de dezembro, em particular, o relatório refere o «crescimento impressionante» dos empréstimos ao sector privado – o maior crescimento no quarto trimestre nos últimos 10 anos. No início deste ano, o governo paquistanês anunciou um pacote de assistência de 180 mil milhões de rúpias destinado a impulsionar as exportações de vestuário do país e uma redução de algumas taxas de importação. O objetivo do pacote é impulsionar as exportações globais do país em mais de 3 mil milhões de dólares (aproximadamente 2,8 mil milhões de euros) até junho de 2018. As exportações totais somaram 22 mil milhões de rupias em 2015, de acordo com o Banco Mundial, e as exportações de vestuário representaram cerca de 13,48 mil milhões, face aos 13,74 mil milhões em 2014. Depois do anúncio do novo pacote, os analistas da Pakistan Economy Watch (PEW) sublinharam que o futuro da indústria têxtil paquistanesa é sombrio – e que precisam de ser tomadas medidas urgentes para salvá-la do colapso.

4. The North Face vence no conforto

A The North Face, a maior marca do grupo VF Corp, revelou aquilo que garante ser o primeiro casaco completamente impermeável e leve que privilegia o conforto do utilizador. Desenvolvida em parceria com a GoreTex, a tecnologia Apex Flex está disponível em dois estilos – um casaco e uma parka. O tecido macio exterior combinado com uma membrana impermeável e respirável e com uma malha interior confortável proporciona proteção contra os elementos externos e melhora o conforto, segundo a The North Face. «A nossa marca baseia-se na ideia de que as condições adversas e em mudança não são só para serem toleradas, são o que molda uma grande parte da vida vivida ao ar livre», declarou Tom Herbst, vice-presidente de marketing da The North Face. O Apex Flex GTX já está disponível em lojas físicas e online, sendo que o casaco tem um preço de 199 dólares (aproximadamente 187 euros) e a parka custa 230 dólares. No ano passado, a The North Face Japan revelou o primeiro protótipo de vestuário exterior do mundo a apresentar seda de aranha sintética.

5. Orgânicos crescem no Reino Unido

De acordo com o Organic Market Report 2017, promovido pela Soil Association, as vendas totais de produtos orgânicos no Reino Unido cresceram 7,1% em 2016, com o mercado agora avaliado em 2,09 mil milhões de libras (aproximadamente 2,4 mil milhões de euros). A par disso, o mercado orgânico britânico já ultrapassou a fronteira da alimentação, alcançando o lifestyle. Por consequência, os 67 membros da Soil Association ligados à têxtil aumentaram as suas vendas em 30%, para os 28 milhões de libras no exercício terminado a 31 de dezembro de 2016. «Um dos principais fatores de crescimento é o facto de cada vez mais consumidores reconhecerem a importância do orgânico quando tomam decisões de compra éticas e sustentáveis», referiu a associação no relatório. «As previsões mostram que haverá maior crescimento entre as pessoas que compram alimentos orgânicos e produtos não-alimentares, incluindo artigos têxteis e de saúde e beleza». Uma das áreas emergentes foi a de vestuário para festivais de música, bem como os uniformes e fardas e há marcas de sportswear a chegar mercado. «É um momento realmente positivo para o orgânico, do algodão à lã e todos os outros têxteis», reconhece Clare McDermott, diretora de desenvolvimento de negócios da Soil Association Certification. As cadeias de aprovisionamento orgânicas estão também a fortalecer-se e o número de unidades certificadas pelo Global Organic Textiles Standard (GOTS) aumentou 4% em 2016, o quarto ano de crescimento, segundo o relatório. Globalmente, o mercado de algodão orgânico também está a desenvolver-se. Os números da Textile Exchange mostram que as empresas aumentaram as vendas de algodão orgânico em 56% em 2016, o maior crescimento, sendo que 40% vêm de itens de luxo e artigos de moda. O mercado está atualmente avaliado em 15,76 mil milhões. Há também um interesse crescente pela lã biologicamente certificada, com aumento das vendas e novas gamas a serem lançadas. A Jigsaw, por exemplo, apresentou uma coleção certificada de malhas “made in UK” para mulher. «Se os produtores, os fabricantes e os retalhistas orgânicos trabalharem em conjunto pelo reconhecimento do algodão orgânico, cada vez mais consumidores vão querer comprá-lo», afirmou a associação.

6. Sensualidade e inteligência de mãos dadas

Um estudo recente confirmou que uma saia curta, um vestido justo ou um decote podem fazer com que uma mulher seja percebida como inteligente. Alfredo Gaitan, investigador da Universidade de Bedfordshire, Inglaterra, reuniu 64 estudantes com uma idade média de 21 anos e mostrou-lhes dois conjuntos de imagens da mesma mulher. No primeiro, a mulher usava um top decotado, uma minissaia e um casaco, enquanto no segundo usava uma saia mais comprida e um top que deixava pouca pele descoberta. Os jovens foram então convidados a classificar a mulher em termos de fidelidade, estatuto, moralidade, personalidade, vontade de ter relações sexuais e inteligência. Ao contrário de estudos anteriores que afirmaram que as peças de roupa reveladoras faziam com que as mulheres parecessem menos inteligentes, os resultados mostraram que o vestuário sensual resultou em melhores classificações para as categorias de inteligência e fidelidade. Não houve mudança significativa nos outros fatores com base no que a mulher estava a vestir. «As atitudes mudaram tanto que as pessoas deixaram de fazer julgamentos negativos com base nas roupas de uma mulher», afirmou Gaitan. «Acreditamos que algumas atitudes negativas ainda persistam, mas as pessoas talvez estejam a avaliar os looks sensuais mais positivamente», acrescentou.