Breves

  1. Lectra faz parceria com a Under Armour
  2. BHS renasce online
  3. Gap não passa no teste das vendas
  4. CmiA leva água a aldeias de Moçambique
  5. Retalho afetado pela bancarrota da Hanjin
  6. EUA revê regras para acordo com Marrocos

1. Lectra faz parceria com a Under Armour

A Lectra é nova parceira oficial da marca americana Under Armour, que equipou o seu centro de produção e design, batizado UA Lighthouse, em Baltimore, com a tecnologia de corte da multinacional de origem francesa. A Under Armour, especialista em vestuário, calçado e equipamento de desporto, abriu a 28 de junho o UA Lighthouse, que ocupa uma área de 3.250 metros quadrados, um espaço colaborativo para designers e produtores aprenderem e desenvolverem novos métodos para fabricar e entregar produto, que podem depois ser partilhados com fábricas parceiras em todo o mundo. A unidade integra soluções avançadas de corte, em particular a máquina de estender Brio e a máquina de corte Vector, esta última habilitada pelos Smart Services da Lectra, que dão maior visibilidade aos processos de produção através de monitorização remota, uma tecnologia preditiva que otimiza o tempo de atividade e a produção da máquina. «Esta parceria é o início do que esperamos que venha a ser uma relação frutífera entre duas empresas globais que pensam de forma semelhante. A nossa tecnologia está muito em linha com o que a Under Armour quer para a produção. Sendo uma empresa que também luta para empurrar as barreiras da inovação, aplaudimos a liderança que a Under Armour tem mostrado e sentimo-nos honrados por estarmos envolvidos no lançamento de um projeto tão ambicioso», afirma, em comunicado, Jason Adams, presidente da Lectra North America.

2. BHS renasce online

Os grandes armazéns britânicos BHS podem regressar na forma online, apenas um mês depois de terem desaparecido da high street. Num comunicado no seu website, o BHS afirma que vai regressar com os seus produtos habituais de vestuário e artigos para a casa com a adição de «novas gamas com estilo». Até agora, contudo, não foi apontada uma data para o relançamento. Sabe-se que o ex-diretor internacional do BHS, David Anderson, foi nomeado diretor-geral do novo negócio, enquanto o ex-diretor de tesouraria Harry Carver será o diretor financeiro. Os negócios internacionais e online do BHS foram comprados pelo conglomerado do Qatar Al Mana em julho. O retalhista afirma que vai agora operar sob a nova designação BHS International Ltd. A marca BHS, incluindo o IP mundial, o franchising internacional e todos os nomes de domínios, foram adquiridos pela Al Mana por um valor não divulgado. O Al Mana indicou que pretende melhorar a oferta do retalhista, expandir para novos territórios e desenvolver a presença online da marca. «O vasto conhecimento do grupo, a sua abrangência global e experiência no retalho vai beneficiar esta nova aquisição para uma operação estável e rentável», indicou a empresa em comunicado. O retalhista entrou em administração em abril, quando contava com 163 lojas no Reino Unido e 15 parceiros de franchise. Também operava 72 lojas em 19 países, incluindo na Arábia Saudita, Kuwait, Qatar e Dubai. Em junho, os administradores anunciaram planos para liquidar o negócio do BHS no Reino Unido, depois de mais de 80 décadas de atividade e com a perda de 11 mil postos de trabalho. As últimas lojas fecharam no mês passado.

3. Gap não passa no teste das vendas

A Gap Inc voltou a chumbar nas vendas comparáveis, num cenário que se repete já há 15 meses consecutivos. Nas quatro semanas terminadas a 27 de agosto, as vendas comparáveis da retalhista desceram 3%, em comparação com a queda de 2% em agosto do ano passado. As vendas comparáveis da Banana Republic desceram 10%, enquanto na marca epónima Gap a queda foi de 5%. A Old Navy conseguiu a melhor performance, com um ganho comparativo de 1%, sendo mesmo a única a superar as expectativas dos analistas. As vendas líquidas no período de quatro semanas desceram 2%, para 1,17 mil milhões de dólares (cerca de 1,04 mil milhões de euros), em comparação com 1,2 mil milhões de dólares no período. «Embora estejamos satisfeitos com a continuação do progresso na Old Navy, continuamos focados em melhorar os resultados em todas as nossas marcas», afirma a diretora financeira da Gap, Sabrina Simmons. A empresa está atualmente a avaliar o impacto do incêndio no centro de distribuição e já ativou «planos abrangentes de contingência» pensados para ajudar a mitigar o impacto no negócio, incluindo melhorar a sua rede de centros de distribuição nos EUA e capacidades de envio para as lojas. Richard Jaffe, analista da Stifel, antecipa desafios a curto prazo, tanto para a Gap como para a Banana Republic, apesar dos melhores esforços da administração para melhorar o produto. «Os resultados da Old Navy são encorajadores e acreditamos que o produto de outono é, ao mesmo tempo, atrativo e bem escolhido. A má performance prolongada no negócio da Gap, apesar dos esforços da administração, minou a nossa confiança. A administração anunciou um plano agressivo de corte de custos e racionalização do negócio que irá reduzir os gastos e melhorar a rentabilidade. Embora acreditemos que é a ação correta, reconhecemos que isto não faz nada para melhorar a atratividade ou o sucesso a longo prazo das marcas Gap ou Banana Republic», sublinha Jaffe.

4. CmiA leva água a aldeias de Moçambique

A iniciativa Cotton made in Africa (CmiA) conseguiu concluir com sucesso o seu primeiro projeto de água e saneamento em Moçambique. O projeto “Drop for Life”, lançado em 2015 com a gigante alemã do retalho Otto, a organização humanitária Care International e a empresa de financiamento e promoção do investimento nas economias em desenvolvimento Deutsche Investitions- und Entwicklungsgesellschaft (DEG), apoiou a melhoria do fornecimento de água, saneamento e higiene à população rural nas regiões que cultivam o algodão da CmiA em Moçambique. Os parceiros investiram 300 mil euros para permitir que mais de 50 mil pessoas em 20 aldeias tivessem acesso a água potável pela primeira vez. O projeto foi implementado pela Aid by Trade Foundation e contou com o financiamento do Ministério do Desenvolvimento e Cooperação Económica da Alemanha, assim como da empresa de algodão Plexus. «O Drop for Life é um projeto comunitário que assegura o acesso da população a necessidades humanas básicas na África rural: fornecimento de água potável e condições de vida com higiene», afirma Tina Stridde, diretora-geral da Aid by Trade Foundation. «Sentir a alegria e o entusiasmo dos habitantes das aldeias em Moçambique e ver o seu empenho para com os seus poços estabelece a fundação para um projeto próspero que vai manter-se para o benefício das comunidades rurais», acrescenta. Em meados de 2016, foram reparados 10 poços, abertos outros 10 e foram construídas instalações sanitárias em 15 escolas das aldeias, que beneficiam mais de 5.000 alunos. Antes disso, mais de 30 mil pessoas participaram em ações de sensibilização para promover questões de saúde em 20 aldeias diferentes na região de cultivo de algodão de Cabo Delgado.

5. Retalho afetado pela bancarrota da Hanjin

Os retalhistas estão a enfrentar enormes interrupções no negócio por causa do pedido de proteção à bancarrota da empresa sul-coreana de transportes marítimos Hanjin Shipping Co, que é a sétima maior do mundo. As notícias revelam que os barcos não estão a obter autorização para atracar, levando a potenciais atrasos nas entregas e alguns barcos na China foram mesmo apreendidos em nome dos credores. Os barcos da Hanjin não puderam atracar nos portos em Xangai e em Ningbo, na China, nem em Long Beach, nos EUA, em Sydney, na Austrália, e em Hamburgo, na Alemanha. Segundo a Associação Internacional de Comércio da Coreia, há ainda a possibilidade de aumento dos custos, com os encargos com o envio dos carregamentos da China para Long Beach, nos EUA, a poderem passar de 1.200 dólares por um contentor em agosto para até 2.200 dólares este mês (de 1.067 para 1.955 euros), devido às crescentes preocupações relacionadas com a falta de transportadoras marítimas após a queda da Hanjin. «A principal preocupação dos retalhistas é que há milhões de dólares em produtos que necessitam de estar nas prateleiras das lojas que podem ser afetados por isto», explica Jonathan Gold, vice-presidente de aprovisionamento e política alfandegária da National Retail Federation (NRF). «Alguma da mercadoria está na Ásia à espera de ser carregada para os navios, alguma está já a bordo em navios no oceano e alguma está nas docas nos EUA à espera de ser recolhida. É compreensível que os operadores dos terminais dos portos, das estações de comboios, empresas de camionagem e outros não queiram trabalhar para a Hanjin por receio de não serem pagos. Contudo, precisamos que todas as partes trabalhem em conjunto para encontrar soluções para movimentar estas cargas, para que não haja um impacto maior na economia», acrescenta. O anúncio da bancarrota da Hanjin surge na mesma altura em que o relatório Global Port Tracker, publicado pela NRF e a Hackett Associates, antecipa que os principais portos de contentores de retalho nos EUA vão gerir o equivalente a 1,61 milhões de contentores em setembro, o que representa uma queda de 0,6% face ao mesmo mês do ano passado.

6. EUA revê regras para acordo com Marrocos

Os EUA estão a analisar possíveis alterações às regras de origem sob o Acordo de Comércio Livre EUA-Marrocos e está a recolher sugestões. A investigação da Comissão de Comércio Internacional dos EUA foi solicitada pelo Representante do Comércio dos EUA em agosto. As possíveis mudanças foram levantadas devido às preocupações de que os produtores americanos e marroquinos não sejam capazes de produzir alguns tecidos em quantidades comerciais e num prazo aceitável. Os produtos afetados pelas modificações propostas incluem vestidos, saias, blusas e tops em tecido 100% viscose, saias em bombazina de algodão, blusas e camisas de senhora em fibras sintéticas, calças em tecidos com fibras sintéticas bi-stretch, calças de senhora com 60% a 68% de poliéster, 29% a 37% de rayon e 1% a 7% de elastano, entre outros. A Comissão de Comércio Internacional dos EUA espera submeter as conclusões ao Representante do Comércio dos EUA até 24 de janeiro de 2017.