Breves

  1. Levi Strauss respira confiança
  2. Denim no top + dos adolescentes
  3. G7 aperta segurança do sourcing
  4. Vestuário anima retalho americano
  5. Milliken e Dickies juntas em prol da inovação
  6. Mercado do desporto com pernas para correr

1. Levi Strauss respira confiança

O gigante do denim Levi Strauss & Co. mostra-se confiante na sua capacidade de aumentar as vendas anuais da marca e o EBIT, em base de moeda neutra, no seguimento de um crescimento significativo do resultado líquido no terceiro trimestre, impulsionado pela melhoria das margens. O lucro líquido da empresa americana atingiu os 58,5 milhões de dólares, nos três meses terminados em agosto, face aos 49,8 milhões de dólares auferidos no mesmo período do ano anterior, refletindo um aumento do resultado operacional e a redução da despesa da empresa em juros. A margem bruta aumentou de 48,7% para 50,2%, em consequência da renegociação dos custos de produto, simplificação das operações que constituem a cadeia de aprovisionamento e aumento dos preços. No entanto, as receitas caíram 1%, somando 1,14 mil milhões de dólares, comparativamente aos 1,15 mil milhões de dólares no ano anterior. A Europa apresentou o pior desempenho no portefólio da marca, com uma diminuição de 10% das receitas, totalizando 258 milhões de dólares, enquanto as vendas no continente asiático estagnaram, fixando-se em 170 milhões de dólares, e a América do Norte e do Sul cresceram 2%, para 713 milhões de dólares. O grupo anunciou a intenção de reestruturar a produtividade global, focada na simplificação das operações, cujas ações serão implementadas até ao final do próximo ano. «No terceiro trimestre, fomos encorajados pela resposta inicial à recém-introdução de novos produtos, assim como pelo fortalecimento contínuo do negócio de retalho internacional», revelou Chip Berg, presidente e CEO da marca. «Apesar de anteciparmos que o tráfego no retalho continuará desafiador no decorrer do quarto trimestre, estamos confiantes da nossa capacidade».

2. Denim no top + dos adolescentes

As marcas de denim lideram, atualmente, a despesa dos adolescentes americanos, sugere uma nova pesquisa, resultando em custos acrescidos para os retalhistas de moda. Estas tendências foram reveladas no âmbito do recente estudo “Taking Stock With Teens”, realizado pelo banco de investimento Piper Jaffray Companies. Esta análise semianual destaca as tendências de gastos de 9.400 adolescentes americanos nos segmentos de moda, beleza e cuidados pessoais, media digitais, alimentação, jogos e entretenimento. Os resultados publicados revelam que, apesar da despesa relativa ao período outonal de 2015 ser inferior àquela assinalada no verão, a despesa em artigos de moda aumentou entre os adolescentes mais afluentes. As marcas de denim iniciaram uma trajetória ascendente pela primeira vez desde o outono de 2010 e a categoria melhorou substancialmente face ao ano anterior. O estudo refere que esta tendência tem afetado os retalhistas de fast-fashion, indiciando uma diminuição da sua participação entre os clientes do sexo feminino mais afluentes. No sector de vestuário desportivo é notória a distinção entre as marcas desportivas de performance e outras periféricas. A Nike e outras marcas equiparáveis estão a fortalecer a presença entre estes consumidores. Os gastos com acessórios diminuiu 4% em base de comparação anual, em acréscimo a um declínio das intenções de compra de bolsas. Além disso, as lojas de especialidade estão, gradualmente, a substituir os grandes armazéns e lojas de merchandising geral  entre os consumidores do sexo feminino mais afluentes, consumindo 33% do tempo despendido em compras, um aumento de 5% em relação ao ano anterior. «Apercebemo-nos de que as opções no segmento de moda focam-se agora na autenticidade de marcas de denim, desporto de performance e marcas de cosmética independentes», afirmou Neely Tamminga, analista e investigadora sénior da Piper Jaffray Companies.

3. G7 aperta segurança do sourcing

Diversos grupos da indústria anunciaram o apoio a uma nova iniciativa destinada a melhorar as condições de trabalho e padrões laborais nos países produtores e a estabelecer práticas de negócio sustentáveis. Divulgada no âmbito do Encontro Ministerial de Emprego e Desenvolvimento do G7 – Alemanha, França, Reino Unido, Itália, Japão, Estados Unidos da América e Canadá –, que teve lugar em Berlim na semana anterior, o “Fundo Visão Zero” apoiará as atividades conjuntas dos governos, negócios, parceiros sociais e organizações não-governamentais provenientes de países mais desfavorecidos, nos quais os produtos são fabricados, tendo em vista a redução e prevenção de mortes decorrentes de acidentes de trabalho, melhoria das inspeções laborais, manutenção de uma produção justa e prestação de auxílio aos trabalhadores no exercício dos seus direitos. O financiamento derivará de contribuições privadas e públicas, incluindo 3 milhões alocados pela Comissão Europeia, e será gerido pela Organização Internacional de Trabalho (OIT). As ações piloto serão introduzidas em 2016, concentrando-se na indústria do pronto-a-vestir. Dos 450 milhões de indivíduos empregados em atividades apostas a cadeias de aprovisionamento globais, cerca de 2,3 milhões morrem anualmente em resultado de acidentes de trabalho e doenças relacionadas com a atividade laboral. Em acréscimo, cerca de 4% do PIB mundial é anualmente perdido em custos decorrentes destes incidentes. «O Fundo Visão Zero ajudará a prevenir e a reduzir o número inaceitável de mortes, lesões e doenças relacionadas com o local de trabalho», acredita Guy Rider, diretor-geral da OIT. «O acesso a cadeias de aprovisionamento globais será uma parte importante das estratégias de combate à pobreza. O Fundo tornará este trajeto mais seguro». Neven Mimica, comissário europeu para a Cooperação Internacional e Desenvolvimento, destacou que «as cadeias globais de aprovisionamento são um motor essencial de crescimento económico e estímulo de trabalho decente. Porém, frequentemente, incluem ambientes não-regulados e pouco seguros, relações industriais fracas e direitos laborais frágeis». Esta iniciativa surge no âmbito da decisão tomada pelo G7 no princípio do ano, que pretende alargar «os direitos laborais, condições de trabalho decentes e a proteção ambiental no seio das cadeias de aprovisionamento globais».

4. Vestuário anima retalho americano

As vendas de vestuário nos Estados Unidos da América aumentaram no mês de setembro, em resultado do clima frio que se fez sentir, incentivando a procura pelas coleções outonais. Por sua vez, o panorama geral do retalho apresentou sinais divergentes. De acordo com os resultados recentemente divulgados pelo Departamento de Comércio americano, que incluem o sector automóvel, combustíveis e restauração, as vendas a retalho permaneceram inalteradas em comparação mensal, mas aumentaram 1,7% face a setembro do ano passado. As vendas em lojas de roupa e acessórios cresceram 0,9% em relação a agosto, e 4,7% em comparação anual. Em lojas de merchandising geral, as vendas caíram 0,1% em agosto, mas aumentaram 1,5% face ao mês de setembro do ano anterior. As vendas nos grandes armazéns subiram 0,4% face a agosto e 0,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. As vendas em lojas de artigos desportivos, hobbies, livros e música aumentaram 0,9% em base de comparação mensal e 5,5% face a setembro do ano anterior. «Embora setembro não possa ser descrito como um mês exemplar no sector de retalho, é encorajador testemunhar este crescimento, na sequência de um mês de agosto particularmente dececionante», resumiu Neil Saunders, analista da firma Conlumino.

5. Milliken e Dickies juntas em prol da inovação

A especialista em vestuário laboral de performance Dickies estabeleceu uma parceira com a Milliken & Co., tendo em vista o desenvolvimento do que descreve como um «novo nível» para a roupa de trabalho. Através da incorporação de tecidos avançados da Milliken, que primam pela leveza, controlo de humidade e propriedades que facilitam a remoção de manchas e sujidade, as duas empresas desenvolveram uma «nova geração» de camisas de trabalho. Esta tecnologia «revolucionária» confere um aumento da 80% da respirabilidade, conjugando conforto e mobilidade, ao mesmo tempo que preserva as características de durabilidade dos modelos clássicos da Dickies, revelam ambas as empresas, que têm colaborado estreitamente nos últimos 17 anos. «O processo de inovação de produto da Dickies mantém-nos permanentemente sintonizados com o mercado, no qual as perspetivas dos consumidores são uma força motriz subjacente ao desenvolvimento de todos os produtos», reconhece Brian Sheedy, vice-presidente de merchandising e design do grupo Williamson Dickie, proprietário da marca Dickies. «A colaboração com a Milliken, que tem por objetivo promover a inovação contínua, permite-nos integrar as tecnologias de tecido mais recentes, através dos múltiplos segmentos do nosso negócio, destacando as suas características e benefícios, simultaneamente potenciando a satisfação dos consumidores, dentro e fora do trabalho».

6. Mercado do desporto com pernas para correr

O mercado britânico de vestuário e equipamento desportivo deverá crescer de forma significativa nos próximos cinco anos, superando a avaliação de 8 mil milhões de libras esterlinas, estimulado pela tendência do athleisure, que combina os conceitos de desporto e lazer. De acordo com um estudo recentemente divulgado pela Key Note, o valor do mercado britânico de vestuário e equipamento desportivo aumentou 9,5% em 2014, seguindo-se a um crescimento de 8,7% em 2013 e 5,3% em 2012. O volume de vendas no último ano subiu 10,7%, fixando-se em 28,2 milhões de unidades, enquanto o preço médio de cada unidade aumentou 2,5%, totalizando 18,64 libras esterlinas. Este crescimento deve-se ao aumento da popularidade deste segmento entre o público feminino, assim como ao incremento das parcerias estabelecidas entre designers e celebridades e marcas desportivas e à tendência crescente de sobreposição dos segmentos da moda e desporto. Tendo por base as atuais taxas de crescimento, a Key Note prevê que o mercado britânico de vestuário desportivo deverá aumentar 35,6% entre 2015 e 2019, de 6,38 mil milhões de libras esterlinas para 8,65 mil milhões, impulsionado por taxas de crescimento anuais de 7,7% e 8,1%. «Num momento em que a fusão entre os mercados de vestuário desportivo e de moda não denota sinais de abrandamento, o crescimento das vendas terá origem nos consumidores mais focados no segmento da moda», aponta o relatório. Em acréscimo, o relatório prevê que novos desenvolvimentos na tecnologia inteligente e wearable deverão impulsionar a inovação funcional do vestuário desportivo, direcionado para atletas e adeptos do desporto. «À medida que a tendência de uso do vestuário desportivo em substituição de peças de moda convencionais continua a crescer e as oportunidades de participação em atividades desportivas aumentam, o mercado de vestuário desportivo deverá continuar a superar o crescimento do mercado geral de roupa e calçado no decorrer dos próximos cinco anos»., conclui o estudo.