Brasil quer criar sobretaxa para algodão americano

A Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) querem que o governo brasileiro autorize, por meio do Departamento de Defesa Comercial (Decom), a cobrança de uma sobretaxa de 115% para o algodão americano que entrar no Brasil. Segundo Jorge Maeda, presidente da Abrapa, esta taxa corresponde à diferença entre o preço que o produto americano é vendido nos EUA e aquele que é cobrado no produto exportado para o Brasil. Esta medida, vista como um “direito antidumping provisório”, caso seja aceite irá vigorar até que o Decom conclua o processo encaminhado em Março deste ano pela entidade. Neste processo a Abrapa pede a concessão de direitos compensatórios e de antidumping já que o produto americano é exportado para o mercado brasileiro a um preço inferior ao que é praticado nos EUA. Nas palavras de Jorge Maeda, “esta é uma medida pontual e de curto prazo que nos ajudará a enfrentar essa concorrência desleal” e acrescenta que há algodão nacional disponível para abastecer plenamente a indústria, “não há porque importar”. Os EUA são o maior exportador mundial de algodão, com uma produção que se prevê que atinja os 4,4 milhões de toneladas este ano e 66% do rendimento dos produtores de algodão são procedentes dos cofres públicos, via subsídios. Segundo a associação, a guerra comercial com os americanos já prejudicou os produtores brasileiros. Prova disso é que a colheita deste ano (2001/02) vai sofrer uma redução de 15,9%, como consequência da redução da área de cultivo, motivada pela queda dos preços do produto no mercado internacional. Como resultado, a facturação em 2002 será reduzida para 667.82 milhões de euros contra os 825.05 milhões de euros obtidos no ano passado.