Iniciado em 2025, o Guara Circular dá uma nova vida aos resíduos de corte 100% algodão provenientes da própria produção, transformando-os em novos fios de algodão reciclado, através de uma parceria com a Evotex, fiação de Paraíba, no nordeste do Brasil, e a plataforma circular Cotton Move.
No ano passado, o projeto superou a meta inicial de encaminhar 75 toneladas de resíduos têxteis para produção circular, atingindo 94 toneladas. De acordo com a Riachuelo, o novo fluxo operacional permitiu ainda desenvolver mais de 30 tipo de têxteis, entre malhas e tecidos, demonstrando «o potencial do projeto na inserção de novas bases recicladas diretamente no nosso portefólio de vestuário».
Segundo o Impacta Nordeste, o fluxo começa na Guararapes Confecções, do mesmo grupo da Riachuelo, onde o corte apresenta uma taxa de aproveitamento de 85%. Os resíduos de algodão são separados e encaminhados para a Evotex, onde passam pelos processos de desfibragem e fiação. Em 2025, passaram pelo corte da fábrica cerca de 9,6 mil toneladas de tecidos, dos quais 47% compostos por 100% algodão. A Riachuelo pretende ampliar progressivamente o reaproveitamento dos resíduos, com a meta de reciclar mais de 1.200 toneladas de resíduos de algodão gerados pela unidade.
«Foram quase dois anos de pesquisa, testes e desenvolvimento para alcançarmos um portefólio de fios feitos com 50% de fibras de algodão recicladas e 50% de algodão virgem que têm uma performance tão boa quanto o fio virgem em diversos tipos de base, dos jeans à malha e tecidos leves. Com o apoio da Cotton Move, maior plataforma de circularidade têxtil da América Latina, e em parceria com a Evotex, spin-off da Ficamp, fiação paraíbana especializada em reciclagem têxtil, conseguimos desenvolver um hub crucial para a ampliação da reciclagem têxtil, que poderá atender a nós e ao mercado. Podemos dizer que agora o Brasil tem o primeiro polo de reciclagem têxtil no Nordeste! É mais um grande passo na circularidade em escala industrial», afirma Taciana Abreu, diretora de sustentabilidade da Riachuelo.
Até ao momento, o projeto já transformou 181 toneladas de resíduos têxteis e deu origem à linha Pool Loop, que inclui uma coleção de denim produzida integralmente com fibras de algodão, das quais 25% são provenientes de reciclagem de resíduos. A coleção reúne mais de 42 mil peças de vestuário, distribuídas por nove modelos masculinos e três femininos, e permitiu reaproveitar 9,4 toneladas de resíduos de algodão.
A rastreabilidade da coleção é assegurada por tecnologia blockchain, através de um código QR presente nas etiquetas, que permite aos consumidores consultar a informação sobre as diferentes etapas da produção, desde a origem das fibras até à confeção e distribuição.
A estratégia de circularidade da Riachuelo abrange igualmente o fim de vida das peças. A retalhista dispõe de mais de 245 pontos de recolha nas lojas físicas, onde os consumidores podem entregar artigos usados. As peças recolhidas são enviadas para a Retalhar, especialista em logística inversa, que assegura a triagem e a definição do destino. Em 2025, 65,2 quilos de peças de vestuário em bom estado foram doados à Liga Solidária, 841,6 quilos seguiram para reciclagem ou recuperação, incluindo artigos com potencial para desfibragem e transformação em fios reciclados, e 858,6 quilos de materiais sem potencial de reaproveitamento foram encaminhados para produzir energia.



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