A indústria têxtil brasileira apelou ao Governo de Lula da Silva para a aplicação de limites quantitativos sobre as importações de artigos de seda com origem na China, cujo volume tem inundado o mercado do Brasil. A ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) apresentou o seu pedido no dia 6 de Outubro, data em que o Governo brasileiro publicou a regulamentação para a aplicação de medidas de salvaguarda, o que permite a aplicação de eventuais medidas restritivas sobre o volume de importações de têxteis e de vestuário com origem na China.
Em Setembro os responsáveis governamentais brasileiros divulgaram a intenção de limitar as importações de artigos têxteis e calçado com origem na China, em sequência do aumento significativo registado no volume de importações ao longo do ano, cuja quantidade sextuplicou (ver notícia no Portugal Têxtil). De acordo com as declarações de Josué Gomes da Silva, presidente da ABIT, «A China não pode se sentir agredida com esta regulamentação, pois concordou com esse dispositivo quando da sua entrada na OMC, em 2001. É uma medida transitória, que irá vigorar até 2008 e, nesse período, acredito que as negociações possam avançar entre os dois países. Também é um prazo para o Brasil acelerar as mudanças que já estão acontecendo nas suas políticas industrial e macro-econômica», De acordo com o divulgado pela Agence France-Presse (AFP) a associação brasileira apresentou o pedido de restrição das importações em cinco tipos de artigos têxteis, com relevância para os artigos de seda. De acordo com o divulgado, durante os primeiros oito meses de 2005, as importações de seda com origem na China registaram uma subida de 300% em relação a igual período de 2004. Com base nos pedidos apresentados, os responsáveis governamentais brasileiros autorizaram o início do período de investigação de forma a determinar se as empresas brasileiras foram efectivamente prejudicadas pela concorrência das importações chinesas. De acordo com o divulgado no comunicado de imprensa da ABIT, existem diversos pedidos de salvaguarda planeados, abrangendo diversos sectores da indústria têxtil e de vestuário, uma vez que se considera a existência de 75 produtos prejudicados pela concorrência chinesa. As recentes negociações entre o Brasil e a China não originaram o consenso necessário, resultando na promessa de protecção da indústria nacional por parte das autoridades brasileiras, caso necessário. Em Novembro de 2004, o Brasil e outros países da América Latina concederam à China o estatuto de economia de mercado. A medida, que tinha por objectivo estimular o investimento chinês na América Latina torna mais difícil a imposição de restrições sobre as importações com origem na China.









