Boohoo acusada de usar indevidamente “made in UK”

A denúncia foi feita num programa de televisão da BBC, que alega que a retalhista terá removido as etiquetas originais de peças feitas no estrangeiro e colocado “made in UK” numa das suas fábricas. A Boohoo afirma ter sido um incidente isolado.

[©Boohoo]

No programa Panorama, da televisão pública britânica, a Boohoo foi acusada de ter removido as etiquetas em t-shirts e camisolas com capuz na sua fábrica em Leicester entre janeiro e outubro do ano passado, com a colocação de etiquetas com a referência “made in UK”.

A troca terá afetado alegadamente uma em cada 250 peças na sua cadeia de aprovisionamento, com as peças a terem sido expedidas de países do Sul da Ásia para a unidade produtiva em Leicester, onde foram estampadas.

Em declarações ao Just Style, um porta-voz da Boohoo afirmou que a etiquetagem incorreta foi um incidente «isolado» resultantes de «erro humano» que teve impacto em «menos de 1% das compras mundiais de vestuário do grupo».

A retalhista assegurou que está a tomar medidas para assegurar que isso não se repete.

Apesar dos números avançados pela Boohoo, a BBC estima que houve centenas de milhares de peças de vestuário mal etiquetadas.

Chris Grayer, que foi diretor de cumprimento ético junto dos fornecedores na retalhista britânica Next, contradiz as alegações da Boohoo, tendo afirmado à BBC que o erro foi uma «significativa falha de inspeção» e que se um erro desses tivesse acontecido na Next, todas as peças de vestuário afetadas seriam recolhidas ou não colocadas à venda e voltadas a etiquetar corretamente.

Philip Dunne, presidente do comité de audição ambiental do Parlamento britânico, considera que as alegações de etiquetagem errada são muito sérias e não devem ser ignoradas.

A polémica surge numa altura em que a Boohoo confirmou estar a ponderar fechar a fábrica em Leicester e reabrir noutro lugar, numa tentativa de assegurar «um negócio mais forte, eficiente e produtivo».

O porta-voz da retalhista assegurou ao Just Style que a decisão está ligada à evolução do papel das suas unidades e não com a investigação do programa da BBC.

Inaugurada em 2022, a fábrica de Leicester foi anunciada como «prova do compromisso para com a cidade de Leicester e a produção ética no Reino Unido, tendo capacidade para gerir dezenas de milhares de peças de vestuário, ao mesmo tempo que dava apoio no feito por encomenda e à estamparia em peça.

A fábrica esteve envolvida numa outra controvérsia em novembro do ano passado, quando uma investigação do mesmo programa da BBC mostrou a pressão que os funcionários da Boohoo exerciam sobre os fornecedores para reduzirem preços após o acordo estar fechado, assim como o facto da fábrica de Leicester estar a subcontratar encomendas em Marrocos.