Bloom lança novos talentos

No espaço mais experimental do Portugal Fashion, as promessas da moda nacional – dos quais sete em estreia em nome individual – voltaram a dar largas à imaginação, com propostas irreverentes que acompanham as tendências internacionais e provam o despontar de uma consciência capaz de “casar” o conceptual com o comercial. O trio Hibu – composto por Gonçalo Páscoa, Marta Gonçalves e Nuno Sousa – foi o primeiro a subir a passerelle nesta edição do Bloom, com a coleção “Cru”, que combinou peças mais estruturadas com outras mais fluidas, num reflexo do guerreiro criativo do norte. «Temos um fascínio pelo Norte da Europa e quisemos criar uma tribo que refletisse a palavra Cru, porque Cru significa um começo, uma possibilidade infinita de algo que nós podemos desenvolver e que se pode tornar fantástico», explica Gonçalo Páscoa. Coordenados em linho, jersey, sarja e musselina, de casaco e calças ou calções para eles e vestidos, saias e tops para elas, subiram à passerelle do Teatro Thalia, com os tons – lilás, bordeaux, mint, bege, prateado e branco – e os estampados a serem comuns para ambos os sexos. Seguiram-se os “planos” de João Melo Costa, com a feminilidade que faz já parte do seu ADN. Um trabalho minucioso na confeção dos vestidos, alguns dos quais incluíram mesmo tecidos laminados com folhas verdadeiras, enriqueceu as propostas do criador. «Procurei explorar materiais muito ricos, como o linho e a seda, e revisitar as formas do passado, dando-lhes um look contemporâneo», indica. Já no Porto, no Palácio dos CTT, Carla Pontes apresentou “Pli”, onde os plissados e as dobras tiveram o papel principal em looks leves e frescos, pintados de cinza petróleo, lima e branco. Já Mafalda Fonseca revelou as propostas de homem para a próxima primavera-verão inspiradas numa viagem de um grupo de rapazes, onde a descoberta de novas texturas e materiais, que se misturam na mesma peça, estão em evidência. «É uma mistura muito grande entre duas coisas que eu adoro, que é a parte do tailoring e depois a mistura dos materiais técnicos», afirma a designer, que usou lãs frias, peles e camurças, assim como malhas perfuradas e técnicas. As estreias ficaram reservadas para a Alfândega do Porto, onde Pilar Pastor mostrou a “antítese”, com linhas fluídas e uma fusão entre o trabalho manual e o futurismo, Rita Gilman – que em 2013 participou no concurso internacional Porto Fashion Show e venceu o PFN Novos Criadores no mesmo ano – apresentou propostas para o lado selvagem dos jovens, com estampados em pelo animal e silhuetas oversized, Filipe Martinho libertou-se e passou de looks cintados para malhas soltas e linhos engelhados e Catarina Santos foi ao mundo encantado dos elfos, que misturou com um lado mais robótico e mecânico, para criar 10 coordenados de senhora coloridos de cinza claro, bordeaux, azul-marinho e cinzas. A mudança surgiu pela mão de Eduardo Amorim, também ele em estreia em nome individual, com uma coleção introspetiva do seu próprio universo, retratado com malhas laminadas de dupla face e tecidos tecnológicos em capas e vestidos assimétricos. Longe de ser uma estreia, Teresa Abrunhosa confirmou a sensualidade como valor-chave da sua marca, desta vez misturada com o imaginário dos filmes ninja dos anos 70, revelada em estampados gráficos com caracteres e frases de guerra em japonês. «É uma mulher mais guerreira mas sobretudo feminina», aponta em relação às propostas que conjugam saias e calças em tecidos delicados com blusões mais desportivos. Antes do último desfile do Bloom em nome individual – no dia seguinte seria a vez das escolas mostrarem o trabalho dos seus finalistas – protagonizado pelo trio Klar, houve ainda tempo para duas estreias: João Rôla, com coordenados de calções pelo joelho e calças para a mulher contemporânea, e Pedro Neto, vencedor do Concurso Bloom em março de 2014, que a partir da destruição de Chernobyl construiu uma coleção elegante, tanto no vestuário como nos acessórios, onde a seda, a malha, a pele de pónei e cavalo e os jacquards se conjugam na perfeição para criar peças oversized e com camadas. «Quis apelar mais ao lado comercial do que ao lado conceptual, porque acho que estamos numa fase em que precisamos de vender», conclui o jovem criador.